Disputa que pode entrar para a história; Material irregular; Influente em Brasília; entre outros destaques

Uma disputa que pode entrar para a história

O Brasil tem tradição de eleições presidenciais decididas por margens estreitas. Em 2022, Lula derrotou Jair Bolsonaro por 2.139.645 votos, com 50,90% contra 49,10%, a menor diferença desde a redemocratização. Em 2014, Dilma Rousseff venceu Aécio Neves por 3,28 pontos percentuais. Em 1989, Fernando Collor superou Lula por cerca de 4 milhões de votos.

O segundo turno deste domingo entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) repete esse cenário de equilíbrio. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença favorece o senador, mas não define o resultado.

Desde 1989, nenhum candidato que terminou atrás no primeiro turno conseguiu reverter a desvantagem no segundo. É um precedente relevante, não uma garantia. A disputa coloca à prova duas forças políticas consolidadas, com bases eleitorais expressivas e capacidade de mobilização.

Flávio tem como trunfo o sobrenome Bolsonaro, a identificação de parcela significativa do eleitorado com as pautas conservadoras e o fortalecimento da direita nos Estados e no Congresso. O desafio é ampliar esse apoio para além dos eleitores já alinhados ao bolsonarismo.

Lula, por sua vez, tem a experiência de quem venceu três eleições presidenciais, uma base consolidada e força eleitoral, principalmente no Nordeste. A Presidência lhe oferece visibilidade, mas também o expõe ao desgaste da gestão. Economia, segurança pública e avaliação do governo podem pesar na decisão dos eleitores.

A eleição vai além da escolha do presidente pelos próximos quatro anos. Lula representa uma das trajetórias políticas mais longevas da democracia brasileira. Se vencer, será o primeiro a reverter, no segundo turno, uma desvantagem registrada na primeira votação.

Flávio busca demonstrar que o bolsonarismo se consolidará como projeto de poder duradouro.

Seja qual for o resultado, o vencedor terá o desafio de governar um país profundamente dividido. A vantagem do primeiro turno favorece Flávio, mas a história não vota. Neste domingo, o desfecho dependerá da capacidade de cada candidato de conquistar os votos necessários para chegar ao Palácio do Planalto.

De saída?

Em entrevista ao radialista Adelor Lessa, a secretária de Estado da Educação, Luciane Ceretta, sinalizou a intenção de deixar o governo Jorginho Mello (PL) em 31 de dezembro, ao fim do mandato, para retomar a carreira acadêmica na Unesc. Ela afirmou que cumprirá o compromisso assumido com o governador até o encerramento da gestão, mas foi direta sobre os planos para o futuro: “Eu tenho a intenção de retornar à universidade”. A secretária destacou os resultados alcançados na Educação e disse que seu retorno à instituição será complementar ao trabalho da atual equipe.

Foto: José Fernando / Agência Alesc

Material irregular

O deputado estadual reeleito Vicente Caropreso (União Brasil) denunciou a produção e a distribuição de 50 mil impressos de campanha com uso irregular do CNPJ eleitoral e dos dados de uma gráfica de Jaraguá do Sul. Segundo o registro policial, o proprietário da Gráfica Ipiranga negou ter produzido o material, e o deputado afirmou desconhecer sua origem. A suspeita é de que terceiros tenham confeccionado os santinhos para prejudicar a candidatura, provocar questionamentos na prestação de contas e motivar ações eleitorais. A denúncia já está sendo investigada pela Delegacia da Polícia Federal em Joinville, que busca esclarecer a origem do material e identificar os responsáveis pela produção e distribuição.

Influente em Brasília?

A deputada federal reeleita Júlia Zanatta (PL) não comenta, mas deve ter espaço para indicar integrantes do primeiro escalão de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Eleita a mais votada da história de Santa Catarina e, proporcionalmente, entre as mais votadas do Brasil, ela sai das urnas com força política para participar das principais articulações em Brasília.

CPMI

A oposição avança na tentativa de instalar uma CPMI para investigar o lobista Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e Roberta Luchsinger, além de supostas articulações para favorecer empresas junto ao governo federal. Até o início da tarde de ontem, o requerimento reunia 116 assinaturas de deputados e 35 de senadores. Faltam 55 apoios na Câmara, enquanto o número exigido no Senado já foi superado. A iniciativa da deputada Coronel Fernanda (PL-MT) ganhou força após Roberta afirmar, em entrevista à CNN, que pretende fazer delação premiada e que tem informações além das mensagens de WhatsApp. A eventual CPMI promete ampliar a pressão sobre o Planalto.

De olho no domingo

O resultado da eleição presidencial pode mexer com o favoritismo na próxima disputa pelo quinto constitucional em Santa Catarina. Entre os cotados à vaga de desembargador, há uma candidatura com forte simpatia na ala progressista que defende a reeleição de Lula. Caso o presidente não se reeleja, esse apoio pode perder peso na articulação. Antes dos próximos movimentos, os interessados aguardam o resultado das urnas neste domingo.