O terceiro candidato do segundo turno; Presente; Em julgamento; Uso de celular; entre outros destaques

O terceiro candidato do segundo turno

A quatro dias da votação, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) disputam a Presidência da República com um “terceiro candidato” que não aparece na urna: os quase 49 milhões de brasileiros, 30,7% do eleitorado, entre ausentes, pessoas que votaram em branco ou nulo e aquelas que escolheram outros candidatos no primeiro turno. É um contingente grande e bastante para decidir a eleição, mas a tentação de tratá-lo como um bloco de votos à espera de dono merece cautela.

Os números ajudam a evitar a simplificação. Do total, 33,5 milhões, ou quase 69%, simplesmente não compareceram às urnas. Outros 9,3 milhões votaram em candidatos eliminados, e 6 milhões votaram em branco ou nulo. Só o segundo grupo tem, em tese, um voto “migrável”, e mesmo ele não é automático. O Datafolha mostrou que 46% dos eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema pretendem votar em Flávio, 32% em Lula e 15% em branco ou nulo, mas intenção de voto não é transferência de votos.

A margem do primeiro turno, de 2,2 milhões de votos a favor de Flávio, é menor do que a votação de qualquer um dos três candidatos eliminados mais votados. Nesse cenário, convencer indecisos importa, mas levar às urnas quem ficou em casa pode importar tanto quanto. A própria pesquisa indica que quem rejeita os dois finalistas tem menor disposição de comparecer, 70,9% contra 85,9% da média.

O desafio também varia pelo país. Em Goiás, 36,2% do eleitorado não escolheu os dois candidatos que estão no segundo turno, em grande parte por causa de Ronaldo Caiado. Em Mato Grosso do Sul, o problema é a abstenção, a maior do país (23,87%). No Sudeste, está quase metade desse contingente. Cada campanha terá de falar com públicos diferentes: o eleitor de um candidato derrotado, o abstêmio e o que anulou o voto.

Em 2022, a abstenção caiu apenas de 20,95% para 20,59% entre os turnos, o que sugere que mobilizar ausentes não é tarefa simples. Quem enxergar nesses 49 milhões uma massa homogênea tende a errar a estratégia, e quem entender que é um conjunto de eleitores com motivos distintos para ter ficado de fora terá mais chance de conquistá-los.

Seguro-defeso

O Tribunal de Contas da União determinou que o INSS revise 101.248 benefícios do seguro-defeso concedidos em 2024, que somam R$ 654 milhões e apresentam indícios de irregularidades, como inconsistências no CPF e descumprimento de requisitos. A auditoria apontou crescimento expressivo de beneficiários no Maranhão (205,9%), Pará (71,6%) e Amapá (49,9%), muito acima da alta da população adulta, inferior a 9%. Santa Catarina e Goiás, por outro lado, mantiveram número estável de beneficiários, o que indica convergência entre os cadastros e a população economicamente ativa.

Em julgamento

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina tem julgamento previsto para hoje sobre a retomada da exigência de licenciamento ambiental para o cultivo de arroz no Estado. A pauta mobiliza entidades representativas do setor, que alertam para o impacto da medida sobre os produtores, especialmente os pequenos agricultores familiares. Sistema Ocesc, Faesc, Fetaesc e SindArroz-SC defendem que os desembargadores considerem os mecanismos de controle ambiental já existentes e avaliem a necessidade técnica de reimplantar a licença. Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do país, com 1,3 milhão de toneladas na safra 2024/2025. Para o setor, a volta da exigência pode elevar custos, ampliar a burocracia e gerar insegurança jurídica em uma cadeia estratégica para o abastecimento.

Presente

A ex-prefeita de São José e secretária de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, Adeliana Dal Pont, esteve presente durante todo o ato de apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), sábado (17). Ao contrário do que foi publicado aqui ontem. A assessoria faz questão de esclarecer que, além de acompanhar a mobilização, Adeliana posou para diversas fotos com apoiadores e compartilhou os registros nas redes sociais. A ex-prefeita se dedicou à campanha de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) e também reforçou apoio a Flávio, que considera a melhor opção para comandar o país.

Uso de celular

A Justiça Eleitoral apura o uso de celular por eleitores dentro da cabine de votação. Os casos foram registrados em seções da Escola Reunida Municipal Tancredo de Almeida Neves, na cidade de Ponte Serrada, no Oeste do Estado. Em uma seção, mesários relataram que uma eleitora deixou um celular no local indicado, mas levava um segundo aparelho escondido e fotografou a urna na cabine. Em outra, um eleitor se recusou a deixar o celular e disse que tinha uma “colinha” nele. A Lei das Eleições proíbe o celular na cabine de votação para proteger o sigilo do voto, e violá-lo é crime, com pena de até dois anos de detenção. As representações seguiram para a juíza eleitoral da 63ª Zona, que vai analisar se as condutas configuram crime.

Apoio aos pequenos

O deputado estadual Napoleão Bernardes (PSD) apresentou um projeto que dobra de R$ 80 mil para R$ 160 mil o limite das licitações públicas exclusivas para micro e pequenas empresas em Santa Catarina. A proposta também prevê reajuste anual pela inflação, corrigindo um valor congelado desde 2014. A medida busca fortalecer os pequenos negócios, ampliar a concorrência nas compras públicas e estimular a geração de empregos. Atualmente, Santa Catarina conta com 1,37 milhão de pequenos negócios, responsáveis por mais de 40% do PIB estadual.