Pesquisa acende alerta para Flávio; Debate racional; Cassação de chapa; Carta da ACIF; entre outros destaques

Pesquisa acende alerta para Flávio

A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada ontem, chega em momento decisivo para a corrida presidencial e traz números que merecem leitura cuidadosa. O levantamento foi ao campo exatamente no período em que o vazamento dos áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro dominava o noticiário. Os números refletem esse contexto. E os estragos são visíveis.

No cenário de primeiro turno com Lula e Flávio como protagonistas, o presidente aparece com 47%, e o senador com 34,3%. Em abril, Flávio marcava 39,7%. A queda de quase seis pontos em um mês é expressiva e coincide diretamente com o período de maior repercussão do escândalo.

Para efeito de comparação, Flávio chegou a 40,1% em março, seu pico na série histórica desta pesquisa. O movimento de baixa, portanto, já vinha ocorrendo, mas os áudios aceleraram a curva.

No segundo turno, Lula vence Flávio por 48,9% a 41,8% – diferença de 7,1 pontos. Vale lembrar que em março e abril essa distância estava em torno de dois pontos, praticamente empatados. O afastamento agora é o maior registrado na série desde dezembro de 2025. Para uma eleição que ainda está a cinco meses de distância, isso não é necessariamente definitivo, mas é um sinal de alerta que a campanha de Flávio não pode ignorar.

E a base existe. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 84,2% querem que Flávio mantenha a candidatura. Apenas 12,6% pedem a retirada em favor de outro nome. Esse número é importante porque mostra que o núcleo duro bolsonarista não abandonou o filho do ex-presidente, ao menos por enquanto. O problema é que ganhar eleição presidencial no Brasil exige muito mais do que fidelizar a base. Exige convencer quem ainda não decidiu, e é exatamente esse eleitorado que os números mostram escapando.

A percepção sobre o vazamento em si é devastadora. Dos 95,6% de brasileiros que afirmaram saber do caso, 65,2% disseram que o conteúdo não os surpreendeu. Ou seja, a imagem de proximidade entre Flávio e o universo financeiro suspeito já estava formada na cabeça de boa parte do eleitorado antes mesmo dos áudios.

Para 51,7% dos entrevistados, as conversas representam evidências de envolvimento direto com o escândalo do Banco Master. Apenas 33,3% leram a situação como uma tentativa legítima de conseguir patrocínio para o filme sobre Jair Bolsonaro – que é a versão da defesa.

O problema real está nos 9,4% que dizem estar muito menos dispostos a votar nele após o caso. São eleitores que estavam no campo, ou pelo menos na fronteira, e que agora sinalizam saída.

Quando 47,4% dos brasileiros dizem que o que mais temem nas eleições é a vitória de Flávio Bolsonaro, contra 40,5% que temem a reeleição de Lula, o presidente vai para o segundo turno em posição confortável, não por mérito próprio, mas pela fragilidade do oponente.

É essa a armadilha que os números desta pesquisa revelam com clareza: Lula não está forte, mas Flávio está mais fraco. E numa disputa entre dois candidatos com rejeição acima de 50%, quem perde menos vence.

Reação

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro decidiu reagir judicialmente ao impacto político do caso Daniel Vorcaro. A equipe do senador acionou o TSE contra a pesquisa Atlas/Intel divulgada ontem, alegando que o instituto induziu respostas negativas ao reproduzir trechos dos áudios envolvendo o Banco Master antes das perguntas eleitorais. Nos bastidores, aliados avaliam que o levantamento foi o primeiro a medir o efeito real da crise sobre a imagem de Flávio na corrida presidencial.

Debate racional

Em entrevista ao Grupo ND, o pré-candidato ao governo do Estado, Gelson Merisio, fez uma avaliação sobre o bolsonarismo em Santa Catarina. Para ele, o movimento não desapareceu, mas perdeu o grau de paixão observado em 2018. Merisio diz que isso abre espaço para um debate mais racional este ano. O ex-deputado estadual afirmou que a estratégia declarada do campo da esquerda é alcançar o segundo turno, fortalecer as candidaturas de Décio Lima e Afrânio Boppré ao Senado e ampliar a votação de Lula em Santa Catarina: “Eu espero que Santa Catarina possa ser mais generosa em 2026 com Lula”.

Distância

Gelson Merisio preferiu manter distância da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O pré-candidato do PSB ao governo do Estado afirmou que o caso deve ser tratado por aliados do senador e citou diretamente o governador Jorginho Mello (PL): “Quem tem que falar disso é o Jorginho”. Merisio evitou entrar no mérito dos áudios e afirmou que a população fará seu próprio julgamento sobre o episódio.

Cassação de chapa

O TRE de Santa Catarina julga hoje a ação movida pelo Novo que pede a cassação dos mandatos do prefeito Egídio Maciel Ferrari e da vice-prefeita Maria Regina de Souza Soar, eleitos em Blumenau em 2024. A investigação apura suposto abuso de poder político e de autoridade, com foco na atuação do ex-prefeito Mário Hildebrandt (PL) durante a campanha da chapa sucessora. Entre as acusações estão a convocação de servidores comissionados para reuniões de campanha: com listas de presença e assinatura obrigatória; e o uso do WhatsApp oficial da prefeitura para publicar pedidos de voto e jingles eleitorais intercalados com comunicados institucionais. O julgamento, adiado duas vezes, estava pautado para março e abril, mas só agora chegou ao plenário.

Palavra final

A Procuradoria Regional Eleitoral se manifestou pelo desprovimento integral do recurso do Novo, entendendo que as condutas comprovadas não atingiram gravidade suficiente para justificar a cassação dos diplomas. Em primeira instância, apenas o uso do WhatsApp oficial foi reconhecido como ilícito, resultando em multa de R$ 5.000 ao ex-prefeito Mário Hildebrandt – sem cassação. O vídeo pago em que Hildebrandt atacava o adversário Odair Tramontin, do próprio Novo, e que alcançou mais de 70 mil pessoas, foi enquadrado pela Procuradoria como debate eleitoral dentro dos limites da liberdade de expressão. A palavra final agora é dos desembargadores do TRE-SC.

Carta da ACIF

O primeiro dia do Conexa, promovido pela ACIF no CentroSul, em Florianópolis, terminou com um gesto político do empresariado catarinense. Os pré-candidatos à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), receberam uma carta aberta entregue pelo presidente da entidade, Célio Bernardi, após o painel “Para onde caminha o Brasil”. O documento reúne demandas ligadas ao desenvolvimento econômico, segurança jurídica, competitividade e produtividade, temas que dominaram o debate entre os governadores diante de empresários e lideranças políticas. O encontro foi um dos momentos mais movimentados da abertura do Conexa, que reuniu cerca de 4.000 participantes na Capital.