O tarifaço, mais uma vez, virou palanque
A decisão da administração Trump de impor uma sobretaxa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, atingindo setores como máquinas agrícolas, etanol, açúcar orgânico e vestuário, representa um duro golpe para exportadores e para a indústria nacional. Embora a lista final tenha ampliado as exceções, cerca de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras continuam afetados, com vigência a partir de 22 de julho.
O novo tarifaço transformou-se rapidamente em mais um capítulo da disputa política das eleições deste ano. A reação do governo Lula foi imediata. Além de anunciar que recorrerá à Lei da Reciprocidade e à OMC (Organização Mundial do Comércio), o Planalto passou a sustentar que parte da responsabilidade recai sobre integrantes da oposição, especialmente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo e Flávio, acusados de atuar em Washington contra os interesses brasileiros. A narrativa procura vestir a camisa da soberania nacional e transformar um conflito comercial em ativo político.
Do outro lado, a oposição devolve a crítica na mesma moeda. O próprio Flávio Bolsonaro, os senadores Rogério Marinho e Izalci Lucas, foram alguns dos parlamentares que afirmaram que o Brasil está pagando o preço de uma política externa excessivamente ideológica e da incapacidade do governo de manter uma negociação eficiente com a Casa Branca. Na visão desse grupo, faltou pragmatismo diplomático e sobrou discurso.
Enquanto Brasília troca acusações, quem observa o problema pela ótica econômica demonstra preocupação crescente. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) alertou para o impacto da medida sobre a competitividade da indústria. Em Santa Catarina, a Fiesc calcula que 54,5% da pauta exportadora do Estado será atingida e defende mais diplomacia e menos retórica. A entidade também considera que uma resposta baseada apenas na reciprocidade pode ampliar os prejuízos às empresas e ao emprego.
O risco é transformar uma disputa comercial complexa em mero instrumento eleitoral. O governo tenta nacionalizar o discurso da defesa da soberania. A oposição procura responsabilizar o Planalto pelo isolamento diplomático. Ambos falam para suas bases.
O setor produtivo, porém, espera outra coisa: negociação. Tarifas se enfrentam com diplomacia, estratégia comercial e capacidade de diálogo. Quando a política ocupa o espaço da técnica, o prejuízo costuma chegar antes da solução. E, nesse caso, quem paga a conta não são Lula, Bolsonaro ou Trump. São as empresas brasileiras, os exportadores e milhares de trabalhadores que dependem do mercado externo.

Novos contornos
A corrida pela Câmara dos Deputados ganhou novos contornos com a consolidação da candidatura do vereador de Florianópolis, Gemada (Podemos). Incentivado diretamente pelo prefeito Topázio Neto (Podemos), o parlamentar reorganizou suas bases. No processo, Gemada deixou para trás os compromissos com Valdir Cobalchini (MDB) e Carlos Humberto (PL) para se alinhar ao projeto encabeçado pela deputada Paulinha e por Fábio Botelho, ambos do Podemos.

Fora da rota
Essa guinada, contudo, cria uma situação curiosa nos bastidores do poder. Ao chancelar a candidatura de Gemada, o prefeito Topázio entra em rota de colisão silenciosa com um de seus maiores aliados: o presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD). O prefeito havia garantido apoio integral à campanha federal do experiente deputado do PSD. Agora, Julio enfrenta o desafio de recalcular sua estratégia na Capital, competindo com nomes de peso na direita da cidade.

Onde tem engenharia
O Crea-SC colocou no ar uma nova estratégia de comunicação para aproximar a engenharia e a agronomia da população catarinense. Com o conceito “Onde tem engenharia, tem solução”, a campanha busca mostrar que obras, infraestrutura, tecnologia, agronegócio e serviços essenciais dependem da atuação de profissionais habilitados. A iniciativa será veiculada em televisão, rádio, plataformas digitais e ações institucionais, reforçando também o papel da entidade na fiscalização e na defesa da sociedade.

Preço do gás
Consumidores de gás natural em Santa Catarina demonstram crescente preocupação com as recentes decisões relacionadas ao cálculo da tarifa. Diante de divergências sobre a metodologia adotada e irregularidades apontadas no processo regulatório, a Infragas informa que está concluindo estudos jurídicos para avaliar a adoção das medidas cabíveis, incluindo a judicialização da questão. O tema é estratégico para a economia catarinense. O gás natural é um insumo essencial para a competitividade da indústria, especialmente do polo cerâmico do Sul do Estado. Também abastece setores como metalurgia, vidro e indústria alimentícia, entre outros segmentos da economia.

Penas rígidas
O Senado aprovou, quarta-feira (15), o projeto de lei 2.672/2025, que endurece penas para crimes cometidos contra profissionais da saúde e da educação em razão da função — o texto agora volta à Câmara. A proposta transforma em homicídio qualificado o assassinato desses profissionais no exercício do trabalho (pena de 12 a 30 anos) e qualifica lesão corporal, ameaça e desacato e crimes contra a honra quando praticados contra essas categorias. A justificativa é o crescimento da violência contra médicos, enfermeiros e professores no ambiente de trabalho.




