A corrida contra o relógio; Esquecidos; Valor simbólico; Fiscalização federal; Novo líder; entre outros destaques

A corrida contra o relógio

Quem acompanha a política percebeu uma mudança no ritmo dos governos nas últimas semanas. A explicação não está apenas na gestão pública, mas também no calendário eleitoral. À medida que se aproxima o início das restrições impostas pela legislação, governadores e o presidente da República intensificam agendas de inaugurações, entregas de obras e anúncios de investimentos.

É um movimento que se repete a cada eleição. Antes do período de vedações, a máquina pública acelera. Depois, a prioridade passa a ser cumprir os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral para evitar questionamentos e sanções.

A data-limite é conhecida: a partir de 4 de julho, três meses antes do primeiro turno das eleições, ficam vedadas condutas como participação de candidatos em inaugurações de obras públicas. Também passa a ser proibida a publicidade institucional de atos, programas, obras ou serviços com potencial de influenciar o eleitor. Em outras palavras, a janela fecha – e quem quer aparecer entregando obra tem até o começo de julho para isso.

No governo federal, o presidente Lula ampliou o número de viagens e eventos nas últimas semanas. A orientação do Palácio do Planalto foi concentrar a entrega de ações e programas já em andamento antes do início das restrições.

O mesmo fenômeno pode ser observado em diversos Estados, independentemente da filiação partidária dos governantes. Por aqui, o governador Jorginho Mello acelerou o ritmo de governo de forma perceptível nas últimas semanas. A agenda deixou de ser burocrática para se transformar em uma vitrine de realizações. O discurso deixou de ser “vamos fazer” para se tornar “já estamos fazendo” – e a diferença entre os dois é politicamente enorme em ano eleitoral.

A oposição, naturalmente, costuma enxergar nesse movimento uma tentativa de transformar realizações administrativas em capital político. Já os governantes argumentam que apenas apresentam à população o resultado de projetos desenvolvidos ao longo de seus mandatos e que seria ilógico adiar entregas prontas apenas por causa do calendário.

As duas interpretações convivem há décadas e fazem parte do jogo democrático. O fato é que o calendário eleitoral modifica o comportamento da administração pública. A proximidade da campanha transforma agendas técnicas em agendas políticas e faz com que inaugurações, assinaturas de convênios e anúncios de investimentos ganhem um peso muito maior do que teriam em qualquer outro momento do mandato.

No fim das contas, é o eleitor quem decidirá se está diante de uma estratégia de marketing ou da prestação de contas de um governo que chegou à fase de colher os resultados daquilo que plantou.

Esquecidos

Pesquisa Datafolha revela um dado que deveria preocupar o Congresso Nacional: 68% dos brasileiros não conseguem citar o nome de um único deputado federal em exercício, e 75% não lembram de nenhum senador. A maioria também não recorda em quem votou em 2022: 67% no caso de deputado federal e 66% para senador e deputado estadual. Os números refletem a subvalorização histórica do Legislativo pelo eleitorado brasileiro, que tende a concentrar atenção nas disputas pelo Executivo.

Valor simbólico

Entre os 81 senadores brasileiros, apenas 15 foram lembrados espontaneamente pelos entrevistados do Datafolha; e o catarinense Esperidião Amin (PP) está nesse seleto grupo, com 1% de citações nacionais. O dado tem valor simbólico para a política de Santa Catarina: numa pesquisa em que três quartos dos brasileiros não conseguem citar o nome de um único senador, ser lembrado espontaneamente por eleitores de todo o país é um indicador relevante de capital político. Flávio Bolsonaro lidera o ranking com 3%, seguido por Romário, Cleitinho e Sergio Moro, com 2% cada.

Fiscalização federal

O projeto de lei nº 2676/2026, protocolado na Câmara dos Deputados, prevê fiscalização federal obrigatória na classificação das folhas de fumo vendidas pelos produtores às fumageiras. A proposta cria punições para empresas que rebaixarem a classe do produto sem justificativa técnica – com multas de R$ 10 mil a R$ 50 mil por fardo e indenização direta ao agricultor prejudicado; e também penaliza produtores que adulterarem os fardos com folhas de qualidade inferior.

O tema tem peso direto para Santa Catarina, segundo maior produtor nacional de tabaco, com cerca de 50 mil famílias produtoras em 188 municípios. A proposta é do deputado federal Pezenti (MDB).

Novo líder

A prefeita Rejane Gambin (Novo) anunciou o vereador Lucas Souza (Republicanos) como novo líder do governo na Câmara de Joinville. Em seu segundo mandato, Lucas passa a ser o responsável por representar o Executivo no Legislativo, fortalecendo o diálogo entre os Poderes e acompanhando a tramitação dos projetos de interesse da administração municipal. A indicação reforça a confiança da prefeita no trabalho do parlamentar e na construção de uma relação institucional voltada ao desenvolvimento da cidade.

Mobilização

A nova pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra que a disputa presidencial já mobiliza o eleitorado brasileiro. Nada menos que 76% dos entrevistados afirmam ter muito ou razoável interesse na eleição, enquanto 93% dizem que já decidiram votar ou provavelmente comparecerão às urnas. No cenário eleitoral, Lula mantém a liderança no primeiro turno, mas voltou a aparecer tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno: 47% a 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Os números indicam uma eleição polarizada e com elevado grau de participação popular.