A mulher de César e os sigilos de Brasília; Vaga mantida; Aposta no mandato; entre outros destaques

A mulher de César e os sigilos de Brasília

Faltam poucos dias para o segundo turno e o país assiste a uma disputa curiosa: Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) competem para ver quem é mais transparente. Os dois transformaram a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico em um duelo de transparência às vésperas do segundo turno.

O petista protocolou autorização para expor seus dados e os de familiares, mas condicionou a iniciativa à reciprocidade do adversário. Flávio, que inicialmente não havia aderido diretamente ao desafio, protocolou a autorização para a abertura, impondo condições e ampliando a lista de pessoas e informações que deveriam entrar na conta.

A disputa, portanto, vai além dos documentos. Cada candidato tenta transferir ao outro o ônus da desconfiança pública. Lula quer que Flávio prove que não há irregularidades em seu patrimônio e em suas relações financeiras. Flávio exige que o presidente faça o mesmo em relação a familiares, auxiliares e pessoas próximas.

Há uma frase atribuída ao general e ditador romano Júlio César que atravessou os séculos: “A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita. A mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Quando a confiança na política se desgasta, a transparência deixa de ser virtude desejável e passa a ser exigência de quem está do outro lado: o cidadão que trabalha, paga impostos e já não sabe em quem acreditar.

Os dois dizem não ter nada a esconder e, ao mesmo tempo, condicionam a prova a uma negociação. Quem mostra de verdade não costuma pedir contrapartida: mostra. E o eleitor tem o direito de perguntar.
O caso está com o ministro do TSE, André Mendonça, e a autorização voluntária não obriga a Justiça Eleitoral a abrir investigação patrimonial. O mais provável, portanto, é que a petição produza manchetes, não documentos.

No fim, Lula e Flávio descobriram que a máxima de César vale para os dois. O difícil não é exigir que o adversário pareça honesto. É aceitar que a mesma exigência recaia sobre si. Na política, a transparência costuma ser uma virtude — sobretudo quando se trata dos sigilos alheios.

Novas delegacias

O deputado estadual eleito e ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel (PL), anunciou em suas redes sociais, ao lado do delegado-geral, Marcelo Nogueira, a criação de 11 novas delegacias em Santa Catarina. A ampliação das estruturas acompanha o crescimento populacional de municípios como São José, Itajaí, Jaraguá do Sul e Timbó e contempla unidades especializadas no combate a homicídios, tráfico de drogas, roubos, estelionatos e lavagem de dinheiro, além da proteção às mulheres, adolescentes e animais.

Vaga mantida

O Órgão Especial do TJSC manteve, por maioria, a constitucionalidade da regra que garante aos dependentes de policiais militares o direito a uma vaga nos Colégios Policiais Militares. O julgamento rejeitou ação do Ministério Público de Santa Catarina, que apontava possível violação à igualdade de acesso à educação. Prevaleceu o entendimento de que a medida funciona como política de proteção social às famílias dos militares. Pesou na decisão o fato de a legislação não reservar um percentual de vagas nem excluir estudantes da comunidade civil. Segundo os dados citados na decisão, 63,7% das vagas entre 2022 e 2026 foram ocupadas por alunos sem vínculo com a carreira militar. O relator, Ricardo Fontes, ficou vencido, ao lado de outros três desembargadores.

Aposta no mandato

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), aposta que o senador eleito Carlos Bolsonaro (PL) fará um mandato próximo de Santa Catarina. Na avaliação do prefeito, o futuro senador deverá dar atenção especial às lideranças municipais, com prefeitos de todo o Estado buscando espaço na agenda. “A prefeitada vai toda lá e ele vai atender todo mundo”, projetou Topázio, confiante de que Carlos assumirá o compromisso de ouvir as demandas catarinenses.

Parceria renovada

Os deputados estaduais reeleitos Jerry Comper (à esq.) e Fernando Krelling, do MDB, estiveram ontem na Casa da Agronômica para uma conversa com o governador Jorginho Mello (PL). Os dois foram dissidentes da estratégia eleitoral do MDB, que apoiou João Rodrigues (PSD), e trabalharam pela reeleição do governador, vitorioso no primeiro turno.

Pano de fundo

O encontro teve como pano de fundo a renovação da parceria política e as articulações para a próxima legislatura. Fernando Krelling sonha em presidir a Assembleia Legislativa e busca viabilizar seu nome com a simpatia do governador. “Conversa boa. Nada definido. Estamos no jogo”, disse. A disputa, porém, passa pela bancada do PL, que também tem candidatos ao comando da Casa. Uma das possibilidades em discussão é um acordo para dividir a presidência entre parlamentares de diferentes partidos.