A força do Voz Única nas eleições
Em meio ao início da corrida eleitoral, um movimento merece mais atenção do que os discursos de palanque.
Em sua quinta edição, o Voz Única, lançado pela Facisc, consolida-se como uma das mais importantes iniciativas de planejamento e representatividade do setor produtivo catarinense. Construído a partir da participação das associações empresariais e de milhares de empresários, o projeto identifica, organiza e prioriza as demandas que impactam o desenvolvimento das regiões e a competitividade de Santa Catarina.
São 1.217 demandas reunidas em uma agenda estruturada para o desenvolvimento do Estado até 2030. Mais do que listar reivindicações, o Voz Única revela os gargalos que travam a competitividade, aponta oportunidades de crescimento, fortalece o diálogo entre lideranças e passa a acompanhar, por meio de uma plataforma digital, a evolução de cada pleito com transparência.
O dado mais simbólico talvez não seja o volume de propostas, mas a convergência. Transporte e logística continuam no topo da lista, seguidos por habitação, energia elétrica, qualificação e inovação, eficiência da gestão pública e segurança pública. Os candidatos mudam a cada eleição; os desafios permanecem praticamente os mesmos.
Ao levar essa agenda aos candidatos ao Governo de Santa Catarina, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, a Facisc eleva o nível do debate eleitoral. Em vez de discutir apenas slogans e promessas, coloca sobre a mesa uma pauta construída por quem investe, produz, gera empregos e paga impostos.
Num ambiente político frequentemente dominado pela polarização, o Voz Única oferece um roteiro baseado em dados, participação e visão de longo prazo. Cabe agora aos candidatos mostrar não apenas que conhecem os problemas de Santa Catarina, mas que têm propostas concretas para enfrentá-los. Afinal, competitividade não se constrói em discursos, mas em políticas públicas consistentes e compromissos que resistam ao calendário eleitoral.

Tira a mão
O presidente Lula cobriu com a própria mão o nome do governador Jorginho Mello na placa de entrega do lote 2 da BR-470, em Itajaí, durante sua passagem por Santa Catarina. O gesto, captado pelas câmeras, foi pequeno demais para um presidente. Divergências políticas existem, são legítimas e fazem parte do jogo democrático, mas uma placa de obra pública é registro institucional, não palanque de vingança. Ao tapar o nome do adversário, Lula não humilhou o governador. Deu a Jorginho Mello, de graça, o papel de vítima.

Promessa ou provocação
A visita do presidente Lula a Santa Catarina terminou com um novo capítulo da disputa entre o Palácio do Planalto e a Casa d’Agronômica. Ao afirmar que o governador Jorginho Mello recusou R$ 24 bilhões para obras de infraestrutura, Lula e o ministro dos Transportes, George Santoro, elevaram a temperatura política. A resposta veio rápida e em tom de desafio: “Onde estão esses R$ 24 bilhões? Eu saio daqui agora e vou para Brasília. Pode ser sábado, domingo. Picaretas”, disparou o governador. Mais do que discutir cifras, o episódio mostra que a guerra de narrativas entre PT e PL já entrou de vez na pré-campanha eleitoral.

Escuta
“O Voz Única nasce da escuta de quem empreende e conhece, na prática, os desafios de cada região de Santa Catarina. Nosso papel é transformar essas demandas em uma agenda estruturada, cobrar do Poder Público soluções concretas e acompanhar a evolução de cada pleito com transparência. Mais do que um documento, o Voz Única é um compromisso permanente para construir um ambiente de negócios mais justo, competitivo, inovador e colaborativo para o nosso Estado.”
Elson Otto, presidente da Facisc.

Postura
O pré-candidato do PSB ao Governo do Estado, Gelson Merisio, afirmou que a visita do presidente Lula demonstra uma postura republicana. Segundo ele, mesmo sem ser recebido pelo governador Jorginho Mello, o presidente veio anunciar investimentos, fortalecer a indústria e estimular a geração de empregos. “Um presidente não escolhe onde investir pela posição política dos governantes, mas pelos interesses da população”, disse.

Vitrine
Os números apresentados pela Acaert durante o lançamento da Central de Eleições 2026 dão a dimensão da cobertura eleitoral que tomará conta do rádio e da televisão catarinense. Cada emissora exibirá 140 inserções por dia, além dos tradicionais blocos obrigatórios de 25 minutos, duas vezes ao dia. Ao longo da campanha, serão mais de 1,4 milhão de inserções e cerca de 8.000 horas de propaganda eleitoral gratuita em Santa Catarina. Para candidatos, uma vitrine poderosa. Para o eleitor, um teste de paciência.




