O desafio real da educação em Santa Catarina
Santa Catarina se apresenta como referência nacional em educação. E não é sem razão: indicadores de acesso, permanência e fluxo escolar estão entre os melhores do país. Criança que entra na escola, fica. Conclui. Avança de ano na idade certa. O problema é o que acontece dentro da sala de aula.
Um relatório da organização Todos pela Educação, lançado como parte da iniciativa Educação Já Estados, que busca qualificar o debate público nas eleições deste ano, escancarou uma realidade que os números bonitos de acesso não conseguem esconder. Em Santa Catarina, apenas 48% dos estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental apresentam aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e Matemática. Nos anos finais, esse percentual despenca para 18%. No ensino médio, chega a 5%.
Ou seja: de cada 100 jovens que chegam ao fim da educação básica catarinense, apenas cinco dominam o que deveriam saber em português e matemática. Os outros 95 recebem um diploma, e uma dívida de aprendizado que o mercado de trabalho, a universidade e a vida vão cobrar.
O dado não é exclusividade de Santa Catarina. O relatório aponta que, em nenhum Estado brasileiro, essa proporção chega a 10%. É uma crise nacional. Mas isso não serve de consolo; serve de contexto para entender a dimensão do problema.
Especialistas ouvidos por este colunista identificam onde a engrenagem trava: a alfabetização ainda não alcança todos nos anos iniciais, e essa lacuna se arrasta e se amplia ao longo do percurso escolar.
Quando o estudante chega ao ensino médio carregando defasagens não resolvidas lá atrás, o sistema já não consegue compensar. O resultado é aquele 58% com desempenho abaixo do básico no ensino médio – mais da metade dos jovens catarinenses.
Construir escola é necessário. Manter o aluno matriculado também. Mas nenhuma dessas conquistas substitui a pergunta central: o que esse aluno está aprendendo?
Santa Catarina resolveu o desafio do acesso. Agora Estado e municípios precisam encarar o desafio mais difícil e mais urgente: garantir que frequentar a escola signifique, de fato, aprender.

Exonerado
Um assessor do gabinete do deputado André Janones (Rede-MG) foi exonerado após invadir uma transmissão ao vivo no Salão Verde da Câmara e gritar ofensas ao líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), quinta-feira (30). Bernardo Moreira Amado Barros interrompeu um debate entre Gilberto Silva e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) aos gritos de “Anistia é o c… Lula reeleito”. A demissão foi determinada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O episódio ocorreu durante sessão que resultou na derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria.

Altura mínima
Alesc tem em pauta um projeto que propõe reduzir a altura mínima exigida para ingresso na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. Pela proposta, a exigência para mulheres cairia de 1,60 m para 1,55 m, e para homens, de 1,65 m para 1,60 m; em alinhamento aos critérios e parâmetros do STF e do Exército Brasileiro. A mudança pode ampliar o acesso às carreiras e diversificar o perfil dos futuros servidores das forças de segurança catarinenses.

Torpedo
O deputado estadual Ivan Naatz (PL) foi às redes com um torpedo direto ao ex-prefeito de Blumenau, ex-secretário da Defesa Civil de Santa Catarina e pré-candidato a deputado estadual Mário Hildebrandt (PL). O alvo: a suspensão, pelo Tribunal de Contas do Estado, das licitações das barragens de Mirim Doce e Botuverá – peças centrais do sistema de contenção de cheias do Vale do Itajaí. O conselheiro Wilson Rogério Wan-Dall apontou irregularidades e um sobrepreço de R$ 59 milhões no processo.

Royalties
O STF cancelou a audiência de conciliação que discutiria a redistribuição dos royalties do petróleo, marcada para terça-feira (5), alegando proximidade com o julgamento do mérito, pautado para o dia seguinte. A decisão encerra um ciclo de 33 reuniões técnicas que apontavam para um acordo viável entre Estados produtores e não produtores. O cabo de guerra envolve a Lei 12.734/2012, suspensa desde 2013, que ampliaria a fatia dos royalties destinada a Estados e municípios não produtores; e que Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo resistem em aceitar, sob argumento de risco fiscal.

Perda de SC
Segundo dados do governo de Santa Catarina, em 2023 o Estado recebeu apenas R$ 9 milhões em royalties. Se a lei não tivesse sido suspensa, deveria ter recebido R$ 174 milhões. Para os municípios catarinenses, a perda também foi expressiva: receberam R$ 140 milhões, em vez dos R$ 530 milhões previstos. Liderando o Codesul (bloco formado por SC, PR, RS e MS), o governador Jorginho Mello defende que os Estados não produtores passem a receber os royalties a partir deste mês, com transição de sete anos para os Estados produtores.

MDB na agenda
Os deputados estaduais Volnei Weber e Tiago Zilli, do MDB, confirmaram participação na primeira grande agenda da pré-campanha do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pelo Estado. O roteiro começa na próxima semana pelo Sul. Com esse movimento, se somam a outro deputado emedebista Mauro de Nadal, que já demonstrou apoio a Rodrigues. A presença conjunta reforça o núcleo de emedebistas da Alesc no entorno da pré-candidatura.

Pressão
No outro flanco, o deputado Fernando Krelling (MDB, na foto), mais próximo do governador Jorginho Mello (PL), tem ouvido de colegas um alerta direto: a aproximação com o governo pode reduzir o espaço do MDB na próxima legislatura. A leitura é de que o projeto de Jorginho passa por ampliar a bancada do PL na Alesc. Esse movimento garante maioria para aprovar matérias e também força na disputa pela presidência da Casa.





