O modelo que move Santa Catarina; Palavra dada; Rei Davi; Dinheiro apreendido; entre outros destaques

O modelo que move Santa Catarina

Santa Catarina tem uma marca que vai além das belezas naturais e da qualidade de vida. É também o Estado mais cooperativista do Brasil. E os números apresentados ontem pela Ocesc mostram por que essa não é apenas uma estatística: é uma identidade.

Sessenta e um por cento da população catarinense está associada a alguma cooperativa. São cerca de cinco milhões de pessoas, o que representa 61% da população do estado, que encontraram no coletivo uma forma mais eficiente, justa e sustentável de crescer. Esse dado não é apenas uma estatística; é o retrato de uma sociedade que aprendeu que união gera resultado.

O cooperativismo catarinense movimentou R$ 105,7 bilhões em 2025, crescimento de 7,1% – três vezes mais que o PIB brasileiro –, gerou 7.301 novos empregos e recolheu R$ 4,4 bilhões em impostos que voltam para a sociedade em forma de estradas, escolas e hospitais. As sobras chegaram a R$ 7,3 bilhões e serão reinvestidas ou distribuídas entre os próprios cooperados.

Não há acionista distante levando o lucro para outro país. O dinheiro fica onde foi gerado. O modelo funciona porque parte de uma premissa simples e poderosa: ninguém resolve sozinho o que pode resolver melhor junto. Foi assim que nasceram as cooperativas agropecuárias do Oeste. Foi assim que as cooperativas de crédito chegaram a quatro milhões de associados, levando serviços financeiros a quem o banco tradicional ignorava. Foi assim que as cooperativas de energia elétrica iluminaram regiões que o mercado convencional não tinha interesse em atender.

A gestão democrática: um associado, um voto; não é apenas um princípio filosófico. É o que garante que as decisões sejam tomadas por quem vive as consequências delas. É o que diferencia uma cooperativa de uma empresa comum.

As projeções para os próximos anos apontam crescimento no número de cooperados e a chegada do oitavo ramo ao sistema: as cooperativas de seguro. Santa Catarina pode ser pioneira também nessa frente.

O cooperativismo catarinense é uma resposta concreta, testada e comprovada, e Santa Catarina é a prova viva de que esse modelo funciona. No momento em que o país busca modelos de desenvolvimento que gerem riqueza sem concentração, Santa Catarina já tem uma resposta. Chama-se cooperar, e por aqui, isso é cultura.

Palavra dada

Pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD) reafirmou o compromisso com MDB e União Progressista na composição da chapa, garantindo que a vice-governadoria será do MDB e a vaga ao Senado ficará com a União Progressista. Para ele, a reação do presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, foi legítima e compreensível. “O MDB raiz se sentiu desprestigiado, ofendido”, referindo-se ao episódio da reunião promovida pelo governador Jorginho Mello (PL) com prefeitos emedebistas. João Rodrigues deixou claro que palavra dada não volta atrás.

Tostão

Questionado sobre a solidez de sua candidatura, João Rodrigues não deixou margem para dúvida: “Firme e forte, com certeza absoluta.” O pré-candidato tem repetido que a disputa será entre “a campanha do bilhão contra o tostão”, em relação ao governador Jorginho Mello, que, segundo Rodrigues, conta com R$ 15 bilhões em emendas e recursos.

Rei Davi

Davi Alcolumbre (União-AP) virou herói improvável da direita. Após a rejeição de Jorge Messias ao STF, derrota histórica e inédita em 134 anos, aliados do bolsonarismo no Congresso passaram a exaltar o presidente do Senado com apelidos que misturam futebol e Bíblia: “Craque do jogo” e “Rei Davi”. A referência bíblica não é por acaso: o Rei Davi é conhecido na tradição cristã por derrotar adversários muito mais poderosos com estratégia e precisão, como no duelo contra Golias.

Dinheiro apreendido

A desembargadora Cinthia Beatriz Schaefer, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, manteve a apreensão de R$ 600 mil em espécie encontrados na residência de um réu investigado na Operação Mensageiro, que apura o esquema de pagamento de propinas envolvendo a empresa Serrana Engenharia e prefeitos no Estado. A defesa alegou que o dinheiro era proveniente de intermediação de negócio jurídico lícito, mas o argumento não convenceu o tribunal, que entendeu não ter sido demonstrada a origem lícita do montante. Como o processo corre em segredo de Justiça, o nome do réu não foi divulgado.

Benefício fiscal

O TJSC concedeu mandado de segurança a uma empresa de transporte rodoviário coletivo de passageiros que havia sido privada de benefício fiscal pelo governo do Estado. A Secretaria da Fazenda havia negado a renovação do Tratamento Tributário Diferenciado, que reduz em 80% a base de cálculo do ICMS na compra de óleo diesel, sob o argumento de que a empresa não possuía contrato formal de concessão.

Licitação

O desembargador Hélio do Valle Pereira reconheceu o direito ao benefício com base no Convênio ICMS 157/2025 do Confaz, que passou a autorizar expressamente Santa Catarina a estender o benefício a empresas que operam por acordo judicial. O tribunal entendeu que o Estado não pode negar benefício à empresa que atua de forma precária justamente porque o próprio Estado nunca cumpriu sua obrigação de fazer a licitação para regularizar o transporte intermunicipal de passageiros.