STF acena, direita cobra a conta; De olho em 2028; Na frente; Trio do sul; PSDB neutro; entre outros destaques

STF acena, direita cobra a conta

O Supremo Tribunal Federal recolheu as armas. Nos bastidores, ministros decidiram baixar a temperatura e evitar decisões com grande impacto no debate público, numa tentativa de desarmar a crise institucional que se arrasta desde o primeiro turno. A estratégia, no entanto, tropeçou na primeira curva: em vez de acalmar, os gestos foram lidos como fraqueza.

Em 48 horas após o resultado das urnas, quatro episódios se somaram – da progressão de pena de Débora do Batom ao arquivamento de investigações contra aliados de Bolsonaro; e ganharam um verniz político que a Corte diz não ter buscado. A mensagem que vazou foi de acomodação. A resposta que veio foi de deboche.

Do outro lado, a direita não só rejeitou qualquer ideia de “acordão” como fez dela bandeira: “Não tem acordão. Tem impeachment”, disse o senador Magno Malta (PL-ES). O senador eleito Marcel Van Hattem (Novo-RS) avisou a Gilmar Mendes que pedirá a queda de ministros em 2027. O recado é claro: não há espaço para meio-termo.

O erro de leitura de Brasília é apostar que o bolsonarismo, fortalecido nas urnas e com maioria no Congresso, aceitará gestos de conciliação. Mas quem celebra a “temperatura mais baixa” do STF ignora que, para a nova maioria, o jogo é outro: anular processos, mudar regras e, se preciso, derrubar ministros.

A divisão interna da Corte só piora o quadro. Há uma ala que aposta no diálogo e outra que vê a necessidade de firmeza. No meio do fogo cruzado, o Supremo tenta ser prudente, mas a prudência, neste cenário, soa como hesitação. Enquanto isso, a revisão criminal de Bolsonaro caminha para o plenário, num movimento que tenta blindar a Corte de acusações de decisão solitária. O Supremo pode até ter decidido “recolher as armas”. Só que, no campo adversário, ninguém parece querer recuar.

De olho em 2028

A votação de Fernando Krelling (MDB) em Joinville, onde conquistou 40 mil votos e garantiu a reeleição para a Alesc, já o coloca no radar para a disputa municipal de 2028. Questionado sobre a possibilidade de concorrer à prefeitura, o deputado reconheceu que uma votação desse tamanho na principal cidade do Estado “credencia” uma candidatura, mas tratou de esfriar a especulação. “Quem faz mais de 40 mil votos na sua cidade fica chancelado, credenciado para disputar uma eleição a prefeito. Mas eu não penso nisso agora”, afirmou. O deputado disse estar satisfeito com a reeleição e que sua prioridade é continuar atuando pela região. Em 2020, ele foi candidato a prefeito, mas acabou em terceiro lugar.

Na frente

O primeiro Datafolha após a definição da disputa presidencial aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula (PT) no segundo turno. Na soma dos votos totais, Flávio aparece com 49% e Lula, com 45%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi feita pelo Datafolha terça-feira (6) e quarta-feira (7), em levantamento encomendado pela Folha e pela TV Globo e registrado no TSE sob o código BR-02949/2026. Foram entrevistados 2.520 eleitores. Os indecisos somam 1%, enquanto 5% afirmam que pretendem votar em branco ou anular.

Apoio

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), participará da campanha de reeleição da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Topázio foi convidado para gravar uma participação ao lado da candidata, que enfrenta Leandro Grass (PT) no segundo turno. Conhecido nacionalmente pela atuação nas redes sociais, Topázio ganhou projeção para além de Santa Catarina e figura entre os prefeitos de capitais com índices elevados de aprovação em pesquisas de avaliação administrativa. A participação do prefeito catarinense ocorre na reta final da disputa pelo Palácio do Buriti. A gravação com Celina deve integrar os materiais de comunicação da campanha para o segundo turno.

Foto: Marllon Legnaghi

Trio do sul

Os três governadores eleitos da região Sul, Jorginho Mello (SC), Sergio Moro (PR) e Luciano Zucco (RS), estiveram reunidos em Brasília. Depois da reunião de trabalho entre eles, o grupo teve um encontro com o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o relato, os governadores dos Estados vizinhos comentaram que pretendem fazer visitas a Santa Catarina para conhecer de perto as iniciativas do Estado que consideram bem-sucedidas, como a ampliação das cirurgias eletivas, a recuperação das estradas e as obras de prevenção contra desastres naturais. O gesto reforça a articulação dos governos do Sul, num momento em que a região se tornou vitrine da direita.

PSDB neutro

O PSDB, de Aécio Neves, liberou os filiados para votar em quem quiserem, Flávio Bolsonaro (PL) ou Lula (PT), e se limitou a torcer por um presidente que conduza o país à pacificação. O PSD seguiu o mesmo caminho e também ficou de fora. Na outra ponta, a divisão é bem mais nítida. Republicanos, Novo, Podemos, União Brasil e Progressistas fecharam com Flávio. Lula, por sua vez, não ganhou reforços e conta com os aliados que já o acompanhavam: PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede.