Renovação não é revolução
Santa Catarina troca quase metade dos seus deputados a cada eleição. O dado, revelado na edição de ontem pelo levantamento do Núcleo de Dados do Grupo ND, ajuda a colocar em perspectiva uma das grandes perguntas deste ano: teremos uma nova onda política ou apenas mais uma rodada de renovação?
Entre 2002 e 2022, a Alesc renovou, em média, 45,8% das suas 40 cadeiras. Na Câmara, a troca foi ainda maior: 52,1% das 16 vagas catarinenses. E 2018 foi o ponto fora da curva, quando a onda que levou Jair Bolsonaro à Presidência também varreu as bancadas estadual e federal.
Mas existe uma armadilha nesses números. Renovação não significa, necessariamente, derrota de quem já tem mandato. Muitas cadeiras mudam de dono porque o deputado decide disputar outro cargo, não concorre ou deixa a política eleitoral.
É justamente o que começa a acontecer este ano. Na Alesc, Julio Garcia, Paulinha, Sargento Lima e José Milton Scheffer vão tentar a Câmara. Antídio Lunelli disputa o Senado e Volnei Weber e Mauricio Eskudlark não concorrem. São cadeiras abertas antes mesmo de o eleitor votar. Por isso, não vejo, neste momento, uma nova “onda 17” em Santa Catarina. Mas uma disputa pelo espólio dela.
A direita, que nasceu ou ganhou musculatura em 2018, já não é novidade. Virou estrutura, mandato, partido, prefeitura, emenda e rede de apoio. E agora enfrenta uma disputa que pode ser mais dura do que a travada contra a “velha” política: a disputa dentro do próprio campo.
O PL é o melhor exemplo. Maior bancada da Alesc, chega à eleição com força para crescer, mas também com candidatos demais para poucas cadeiras. Pode ampliar a bancada e, ao mesmo tempo, trocar nomes. A disputa não será apenas entre partidos. Será entre colegas de chapa.
Na Câmara, a equação é parecida. Deputados estaduais experientes estão buscando chegar a Brasília e vão disputar espaço com quem já ocupa uma cadeira. É aí que pode ser diferente de 2018. Aquela foi uma eleição de ruptura. Esta pode ser uma eleição de rearranjo.
A renovação continuará acontecendo – os números históricos mostram que ela faz parte do DNA eleitoral de Santa Catarina. Mas a questão central não será quantos deputados novos chegarão. Será quem vai herdar o espaço de quem saiu e, principalmente, se essa troca de nomes representará também uma troca de poder. Porque, em política, nem toda cadeira nova significa uma força nova.

Expectativa
Depois dos números pouco animadores da pesquisa Quaest, duas campanhas catarinenses passaram a aguardar com especial ansiedade a próxima rodada da NeoKemp, prevista para ser divulgada hoje. Caroline de Toni (PL), que apareceu em terceiro lugar na disputa pelo Senado, e João Rodrigues (PSD), segundo colocado na corrida pelo governo do Estado, têm motivos de sobra para torcer por números melhores. Nos bastidores, a expectativa pela NeoKemp é grande. Coincidentemente, o instituto é visto com bastante simpatia nos dois QGs.

Candidatura travada
A candidatura de Carlos Chiodini (MDB) a vice-governador ganhou uma parada técnica no TRE-SC. Relator do registro, o desembargador José Sérgio da Silva Cristóvam deu três dias para que o candidato apresente, entre outros documentos, o comprovante de desincompatibilização do cargo de secretário de Estado da Agricultura.
O detalhe que chamou a atenção da Justiça Eleitoral é que Chiodini foi exonerado da secretaria com efeito em 12 de novembro de 2025, mas designado novamente para a mesma função a partir de 14 de novembro. O tribunal quer esclarecer a situação antes de avançar na análise do registro. Caso a documentação não seja apresentada ou não seja considerada suficiente, os autos serão encaminhados à Procuradoria Regional Eleitoral. A decisão não significa, por enquanto, impedimento da candidatura.

Super El Niño
A Celesc reforça a preparação da rede elétrica de Santa Catarina para enfrentar eventos climáticos extremos. Em debate nacional da Aneel sobre o Super El Niño, a companhia apresentou ações para reduzir impactos no fornecimento, como expansão da rede protegida, automação, redundância, comunicação via satélite e uma estrutura com 139 bases operacionais, que amplia a capacidade de resposta em todo o Estado.

Crimes virtuais
O presidente da OAB/SC, Juliano Mandelli, entregará carta-compromisso aos candidatos ao Senado cobrando apoio legislativo para a rápida remoção de perfis falsos pelas plataformas digitais, o endurecimento das penas para crimes virtuais e a obrigatoriedade de certificação de usuários pelas próprias plataformas. Tudo isso sob pena de responsabilização, garantindo a identidade real de quem publica conteúdos.

Prêmio de inovação
O TRT-SC conquistou o primeiro lugar na categoria Gestão Judicial Inovadora no Prêmio de Inovação do Poder Judiciário, promovido pelo CNJ. O reconhecimento veio pelo projeto “Alerta”, desenvolvido em parceria com os TRTs da 3ª e 4ª Regiões, que utiliza análise de dados para identificar possíveis indícios de fraudes e restrições à concorrência em licitações.

Voz Única
A Facisc confirmou a agenda com os candidatos ao governo de Santa Catarina e ao Senado para o dia 17 de setembro, na sede da entidade, em Florianópolis. Serão encontros individuais para debater as prioridades levantadas pelo setor produtivo para o Voz Única 2026. Além disso, a ideia é reforçar o diálogo sobre temas estratégicos para o desenvolvimento de Santa Catarina.
O encontro começa às 8h e é exclusivo para presidentes de ACIs, vice-presidentes e diretores da Facisc. Entre os nomes confirmados estão João Rodrigues (PSD) e Jorginho Mello (PL) na disputa pelo governo, e de Esperidião Amin (PP), Antídio Lunelli (MDB), Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline de Toni (PL) entre os candidatos ao Senado. Gelson Merisio (PSB), Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (Psol) ainda não confirmaram a participação.






