Quando a lealdade cobra a fatura
O gesto foi rápido, mas dizia tudo. Em Itajaí, durante a gravação de um vídeo de campanha ao lado da candidata ao Senado, Caroline de Toni (PL), e do vice-prefeito, Rubens Angioletti (PL), a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) deixou o enquadramento no exato momento em que começou o pedido de votos para Carlos Bolsonaro (PL). Dias depois, Flávio Bolsonaro (PL) cobrou publicamente, nos comentários de um vídeo da parlamentar, que ela gravasse apoio ao irmão, sob pena de não poder mais usar a imagem dele e do pai.
Dois episódios que, juntos, retiraram qualquer dúvida sobre a profundidade do racha entre uma das principais lideranças conservadoras do Estado e a família que simboliza o bolsonarismo nacional.
A origem do problema é menos sobre afeto e mais sobre engenharia eleitoral. O plano original do PL catarinense era simples: Caroline de Toni disputaria o Senado ao lado de Esperidião Amin (PP), que devolveria o favor apoiando a reeleição de Jorginho Mello (PL) ao governo. Quando ficou claro que Caroline seria preterida para abrir espaço a Carlos, a deputada chegou a ameaçar deixar o partido – com Ana Campagnolo e a própria Michelle Bolsonaro, então no comando do PL Mulher, na linha de frente da defesa dela. Em fevereiro, o resultado saiu como o clã queria: Carlos e Caroline oficializados, Amin escanteado. Ou seja, Ana não perdeu só uma disputa de bastidor – viu uma aliança estadual cuidadosamente construída ser desmontada por decisão de fora.
Mesmo derrotada nos bastidores, Ana manteve o confronto no campo político. Em março, foi flagrada cortando Carlos de uma foto ao lado de Jorginho e Valdemar Costa Neto. No mesmo período, afirmou, em entrevista ao podcast Irmãos Dias, que quem pretende representar Santa Catarina no Senado precisa conhecer o Estado e acusou Carlos de tentar “pegar carona” na base eleitoral de Caroline. Mais recentemente, na Jovem Pan Litoral, voltou à carga ao cobrar explicações do suplente ao Senado, Rafael Caleffi, por antigas críticas a Jair Bolsonaro, lembrando que a escolha do ex-prefeito partiu do próprio Carlos.
Diante desse histórico, a cobrança pública de Flávio no fim de semana parece menos um raio em céu azul e mais o ponto de ebulição de uma tensão que o PL catarinense vinha tentando abafar desde o ano passado. Ana aposta que o capital político construído ao longo de anos em Santa Catarina lhe dá legitimidade para resistir às imposições do clã. Já a família Bolsonaro aposta que o peso do sobrenome e a fidelidade da militância serão suficientes para enquadrar qualquer dissidência. Outubro dirá quem fez a leitura mais acertada.

Comércio
O governador Jorginho Mello recepcionou o presidente da CNC (Confederação Nacional do Comércio), José Roberto Tadros, e sua equipe em um almoço. No cardápio, temas de interesse do setor terciário da economia em Santa Catarina e no Brasil. O presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac de Santa Catarina, Hélio Dagnoni, acompanhou o encontro e fez a conexão entre as partes.
Na foto: Leandro Domingos Teixeira Pinto (VP Financeiro da CNC), José Roberto Tadros (presidente da CNC), Jorginho Mello, Hélio Dagnoni, Simone Guimarães (diretora-geral da CNC) e Alain MacGregor (diretor Jurídico-Sindical da CNC).

Continuidade
O plano de governo de Jorginho Mello (PL) registrado no TRE-SC deixa claro qual será a principal narrativa da campanha: pedir ao eleitor autorização para continuar o trabalho iniciado em 2023. O documento aposta na expansão de programas já existentes, como Estrada Boa, Fila Zero e Universidade Gratuita. Ao evitar mudanças bruscas de rumo, o governador transforma a eleição em um julgamento da própria gestão. A mensagem é direta: se o governo deu certo, o caminho é seguir adiante.

Aposta na ruptura
Marcelo Brigadeiro (Missão) escolheu o caminho oposto. Seu plano de governo apresentado à Justiça Eleitoral é uma agenda de mudanças na estrutura do Estado, com redução da máquina pública, privatização de empresas como Celesc e Casan e ampliação das parcerias com a iniciativa privada. Ao adotar um discurso de ruptura administrativa, tenta ocupar o espaço de quem oferece uma alternativa ao modelo atual. A proposta marca uma diferença em relação aos adversários, mas dependerá da capacidade do candidato de demonstrar a viabilidade das mudanças prometidas.

Fim da PM
O plano de governo de Marcos Sodré (PSTU) cadastrado na Justiça Eleitoral assume uma identidade ideológica clara ao defender estatizações, fortalecimento do Estado, tarifa zero no transporte coletivo e ampliação dos investimentos públicos em saúde e educação. A proposta mais polêmica é a desmilitarização da Polícia Militar, com sua substituição por uma polícia unificada de caráter civil, além da revisão da política de drogas. É um documento para reafirmar as bandeiras do partido, ainda que muitas das propostas dependam de mudanças nacionais e ultrapassem as competências de um governo estadual.

Planos de governo
A coluna divulgou os planos de governo de apenas três candidatos porque, até o início da noite de ontem, eram os únicos a terem formalizado o registro de candidatura junto ao TRE. A entrega do plano de governo é etapa obrigatória desse registro, conforme a Lei das Eleições (9.504/1997). Assim que os demais postulantes ao Executivo protocolarem seus registros e planos, a coluna também dará publicidade às propostas. A atualização será feita à medida que novos registros forem homologados pela Justiça Eleitoral.

Gasto público em foco
Santa Catarina acumulou R$ 34 bilhões em despesas públicas primárias entre janeiro e julho deste ano. O dado será um dos destaques do lançamento do Painel Gasto Brasil, hoje, na Câmara dos Deputados. A plataforma reúne informações sobre gastos da União, dos Estados e dos municípios. Para o presidente da ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis), Célio Bernardi, a iniciativa amplia a transparência e permite acompanhar com mais clareza como os recursos públicos são aplicados.






