Debate dá início à disputa pelo governo de SC; Disputa por Thiago; Bens dos candidatos; entre outros destaques

Debate dá início à disputa pelo governo de SC

O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Santa Catarina, promovido pelo Grupo ND, cumpriu seu papel ao colocar a eleição diante do eleitor. Mas também deixou uma sensação clara: os três candidatos participantes perderam algum tempo com ataques pessoais e pouco se avançou naquilo que deveria ser o centro de uma disputa pelo comando do Estado: propostas e, principalmente, como colocá-las em prática.

Santa Catarina tem uma economia que já ultrapassa meio trilhão de reais e enfrenta desafios enormes em infraestrutura, saúde, educação, saneamento, segurança e prevenção de eventos climáticos. Era importante que o debate dimensionasse melhor esse cenário e mostrasse o que cada candidato pretende fazer diante dele.

A ausência do atual mandatário, Jorginho Mello, foi, naturalmente, o fato político mais evidente. O governador não estava no palco, mas esteve presente durante praticamente todo o debate, citado pelos adversários e transformado em alvo. É uma estratégia legítima não comparecer, mas também tem um preço: deixa para os concorrentes o espaço para construir a narrativa sobre seu governo.

Entre os três presentes, houve momentos importantes. Merisio conseguiu apresentar propostas objetivas, como a redução da estrutura do governo para dez secretarias. João Rodrigues, por sua vez, respondeu às provocações recorrendo a experiências de gestão de Chapecó que poderiam, segundo ele, ser aplicadas em Santa Catarina. Zimmer escolheu um caminho mais contundente, ao defender, por exemplo, o fim do Universidade Gratuita.

Outro ponto que deixou a desejar foi a discussão sobre o duodécimo destinado à Alesc, TJSC e TCE. Os três candidatos não apresentaram respostas suficientemente convincentes sobre como pretendem lidar com uma questão que pesa diretamente nas contas do Estado e na relação do futuro governador com os demais poderes. Faltou mais objetividade sobre o que mudaria e como faria.

No fim, essa talvez seja a principal lição do primeiro debate: não basta dizer o que está errado. É preciso dizer o que será feito e como. O Grupo ND cumpriu sua missão ao oferecer o primeiro grande palco da eleição. Agora, os candidatos precisam elevar o nível. Porque o eleitor catarinense não precisa apenas saber quem quer governar. Precisa saber o que pretende fazer, quanto vai custar e, principalmente, como pretende fazer.

Disputa por Thiago

O convite da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), para que Thiago Peixoto assuma a Secretaria de Educação do DF deve resultar em uma baixa no secretariado do prefeito Topázio Neto. O chefe do Executivo municipal tenta convencer o secretário a permanecer no cargo, especialmente após os bons resultados da Capital no Ideb 2025. Ex-secretário de Educação de Goiás, Thiago ganhou força justamente pelo desempenho à frente da pasta em Florianópolis. Amanhã, ele deverá ir ao DF para conversar sobre o convite e avaliar a possibilidade de assumir a secretaria.

Mudança

No sábado (8), a governadora usou as redes sociais e anunciou a troca no comando da Secretaria de Educação. Iêdes Braga deixará a pasta após o DF ficar abaixo da meta e da média nacional em quase todos os indicadores analisados pelo Ideb, do MEC (Ministério da Educação). Segundo a governadora, foi feito o convite a Thiago Peixoto, por sua “larga experiência”, que dará “enorme contribuição para a melhoria da qualidade de ensino do DF”.

Bens dos candidatos

As declarações de bens dos três primeiros candidatos ao governo de Santa Catarina já registrados na Justiça Eleitoral mostram uma distância considerável entre os patrimônios dos concorrentes. Juntos, Jorginho Mello (PL), Marcelo Brigadeiro (Missão) e Marcus Sodré (PSTU) declararam R$ 4,76 milhões em bens. Candidato à reeleição, Jorginho é o de maior capital. O governador declarou R$ 2.818.036,89. O maior patrimônio está concentrado na participação de R$ 1,688 milhão na JSM, além de R$ 380 mil referentes a dois apartamentos em Itapema.

Outra ponta

Marcelo Brigadeiro aparece na segunda posição, com R$ 1.831.261,11. O patrimônio do candidato do Missão tem perfil diferente: são R$ 566,7 mil em aplicações e investimentos, participação de R$ 841,5 mil na MVP1 Serviços Administrativos e outros R$ 110 mil na Aspera Sports Agency. Na outra ponta está Marcus Sodré. O candidato do PSTU declarou R$ 117 mil, integralmente representados por um apartamento financiado pela Caixa Econômica Federal, em Balneário Camboriú. Os valores correspondem às declarações de bens apresentadas à Justiça Eleitoral e não significam, necessariamente, dinheiro disponível ou patrimônio líquido, especialmente no caso de bens financiados.

“Tirei a Fabi da eleição”

A provocação de Ralf Zimmer (PRD) a João Rodrigues (PSD) não terminou no debate da NDTV com os candidatos ao governo do Estado. Durante o confronto, o candidato questionou se a nominata do PSD estaria sendo usada para preparar uma eventual candidatura de Fabiana Rodrigues, esposa de João, a deputada estadual. “A Fabi é candidata a deputada ou ela vai ser apenas candidata a primeira-dama?”, questionou. João respondeu que a esposa não é candidata. Mas, nos corredores da sede do Grupo ND, após o debate, Zimmer voltou ao assunto e provocou o adversário: “Tirei a Fabi da eleição”.

Farpas

A troca de farpas entre João Rodrigues e Ralf Zimmer marcou o debate dos candidatos ao governo de Santa Catarina, neste sábado (8). João foi direto: acusou Zimmer de fazer defesa pesada do governo estadual. Disse que o governador Jorginho Mello não foi ao debate, mas mandou seu “leão de chácara”, e não poupou a ironia ao lembrar que Zimmer já bancou esse mesmo papel em defesa de Jorginho Mello contra Carlos Moisés na eleição passada. A cutucada final não deixou dúvida sobre o tom da disputa: “Aqui o buraco é mais embaixo”. Um recado embrulhado em cordialidade, mas com estocada certeira.

Filiação

O prefeito de Jaraguá do Sul, Jair Franzner, oficializou no sábado (8) sua filiação ao Partido Liberal, em ato com cerca de 1.000 pessoas na cidade. Estiveram presentes o governador Jorginho Mello, o candidato a vice-governador, Adriano Silva, parlamentares estaduais e federais. Franzner estava sem partido desde fevereiro, quando deixou o MDB – legenda pela qual foi eleito em 2024. Com a adesão, o PL passa a ter 98 prefeitos em Santa Catarina, fortalecendo o partido no Norte do Estado.