Pesquisas erraram duas vezes
As eleições deixaram uma lição desconfortável ao mercado de pesquisas: errar uma eleição é um problema; errar duas, em direções opostas, com a mesma confiança, é outro.
No primeiro turno, os nove levantamentos nacionais comparáveis subestimaram Flávio Bolsonaro (PL), em média, por 3,08 pontos. No segundo, a régua se inverteu: 14 das 16 pesquisas divulgadas nos três dias finais apontavam vitória de Flávio, mas Lula (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. Todos os 16 estudos subestimaram o presidente. A média de dez pesquisas do sábado (24) dava 50,9% a 49,1% para o senador.
Pesquisa não é previsão, e vários institutos indicavam empate técnico. Mas o público lê o número como sentença: 51% a 49% vira manchete de vantagem, e a ressalva de rodapé não desfaz a impressão.
Tampouco há “instituto certo” e “instituto errado”. O caso do Datafolha no primeiro turno é ilustrativo. O instituto acertou quase perfeitamente o percentual de Lula, com 45% contra 45,16% nas urnas, mas atribuiu 42% a Flávio, 5,03 pontos abaixo do resultado. Não foi um erro de direção apenas: foi um erro concentrado em um dos candidatos.
No primeiro turno, a Veritá praticamente cravou os percentuais (47% a 45%); no segundo, ela e a Gerp mantiveram Flávio à frente.
Não há padrão simples de acerto: há indícios de instabilidade metodológica e de dificuldade em captar mudanças de última hora ou eleitores pouco dispostos a declarar voto.
A crítica não deve desqualificar as pesquisas, essenciais ao debate democrático. Elas medem intenção declarada num recorte de tempo; o eleitor muda de ideia, a abstenção interfere, a margem de erro existe.
Nenhum desses argumentos é desculpa vazia. Mas também não pode servir de abrigo permanente. Um instituto que erra de três a cinco pontos na margem em duas eleições seguidas, e em sentidos diferentes, não é só vítima da incerteza: tem um problema de método que precisa explicar. Enquanto isso não acontecer, 2026 ficará na memória como a eleição em que as pesquisas erraram duas vezes e, ainda assim, voltarão, daqui a dois anos, com a mesma segurança.

Multa trabalhista
A ACIF entrou em uma discussão na Justiça do Trabalho que pode ter impacto direto no bolso dos empresários catarinenses. O TRT-12 (Tribunal Regional do Trabalho) vai definir quando começa a contagem dos dez dias para o pagamento da rescisão nos casos de aviso-prévio indenizado. Dependendo da interpretação, empresas podem enfrentar multas equivalentes a um salário por funcionário demitido.

Reflexos
Autorizada a participar do julgamento, a ACIF levará argumentos sobre os reflexos financeiros e jurídicos da decisão para o setor produtivo. Para o presidente da entidade, Célio Bernardi, a definição de regras claras é fundamental para evitar custos inesperados e garantir segurança a quem empreende. O entendimento poderá orientar decisões trabalhistas em todo o Estado.

Virada
Das 211 cidades brasileiras em que Lula (PT) virou o resultado do primeiro turno e superou Flávio Bolsonaro (PL), apenas uma fica em Santa Catarina: Lebon Régis, no Meio-Oeste. A vitória petista ocorreu em um município administrado pelo prefeito Marcelo Spautz (PP), que chegou a pedir votos para Flávio nas redes sociais.
No primeiro turno, Flávio obteve 3.245 votos (49,17%) contra 2.899 votos (43,92%) de Lula. Já no segundo turno, Lula conquistou 3.503 votos (50,16%), contra 3.481 de Flávio, diferença de apenas 22 votos. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, foi o candidato a deputado federal mais votado na cidade.

Representatividade reduzida
O deputado estadual Vicente Caropreso (União Brasil) se reuniu ontem com o governador Jorginho Mello (PL), na Casa da Agronômica, para tratar de demandas da região Norte, especialmente na área da saúde. Reeleito com quase 80 mil votos, Caropreso será o único dos quatro representantes da região de Jaraguá do Sul com mandato no Legislativo estadual ou federal. “Nossa responsabilidade aumenta ainda mais como único representante da região com mandato”, afirmou.

Retorno
A vitória de Celina Leão (PP) no Distrito Federal teve participação catarinense. Na equipe da governadora reeleita estavam Alexandre Oltramari, marqueteiro da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), e Maurício Locks, que coordenou a pré-campanha de Romeu Zema (Novo). A governadora venceu Leandro Grass (PT) por 57,18% a 42,82% dos votos válidos. Com o fim da campanha, Oltramari e Locks retornam a Santa Catarina.







