O peso de uma marca
A exibição de um vídeo produzido com Inteligência Artificial para simular uma mensagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), provocou um debate que foi muito além da tecnologia utilizada. O episódio levantou questionamentos jurídicos, políticos e estratégicos justamente porque envolveu a imagem de um líder que, mesmo impedido de participar plenamente da campanha, continua sendo o principal ativo eleitoral da direita.
Na avaliação de especialistas em marketing político ouvidos pela coluna, a repercussão do caso revela um aspecto importante do cenário eleitoral. Quando até uma manifestação produzida por Inteligência Artificial é suficiente para gerar preocupação entre adversários e analistas, isso demonstra que a marca Bolsonaro ainda preserva enorme capacidade de mobilização. Na política, dificilmente existe tamanho debate em torno de uma liderança considerada sem relevância eleitoral.
Esses especialistas avaliam que é precipitado concluir que o PL perdeu força ou que o bolsonarismo entrou em decadência. A leitura é diferente. O partido disputa a eleição sem poder utilizar plenamente seu principal ativo de comunicação. Bolsonaro continua sendo o maior símbolo da legenda, mas sua participação está limitada. Na prática, isso significa que o PL não está usando toda a potência de sua estratégia de mobilização.
Por esse motivo, afirmam os consultados pela coluna, qualquer análise sobre crescimento ou enfraquecimento da direita precisa considerar esse contexto. Não é possível medir a capacidade eleitoral do partido enquanto seu principal líder permanece sem poder atuar da mesma forma que em eleições anteriores.
A convenção do último sábado reforçou essa percepção. Mesmo ausente fisicamente, Bolsonaro foi um dos protagonistas do evento. A candidatura de Flávio foi apresentada como continuidade de seu projeto político, e a mensagem produzida por IA acabou dominando boa parte do debate após a convenção.
Independentemente da discussão jurídica sobre o uso da tecnologia, o episódio deixa uma mensagem clara para quem acompanha a disputa eleitoral. Se até um vídeo criado por Inteligência Artificial é capaz de provocar tamanho impacto e gerar preocupação entre adversários, é porque a marca Bolsonaro continua exercendo influência sobre o eleitorado.

Suspensa
O TRE-SC suspendeu, em decisão liminar, a divulgação de uma pesquisa eleitoral sobre a disputa ao governo e ao Senado em Santa Catarina. A medida atende a uma ação do PSD, que apontou falhas no levantamento do Instituto Mapa e contratado pelo Jovem Pan Florianópolis. O juiz auxiliar Jaime Machado Júnior entendeu haver indícios de irregularidades na metodologia e risco de influência sobre o eleitorado. A decisão determina a retirada da pesquisa do ar em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

Pesquisa padrão
O Instituto Mapa informou que acionou o setor jurídico que fará o devido esclarecimento e argumentações cabíveis, diante da Justiça Eleitoral. Reforçou ainda que toda pesquisa feita pela empresa segue o código padrão da Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas) e do Conre (Conselho Regional de Estatística), instituições legais às quais o Mapa é filiado.

PSD em campo
A convenção nacional do PSD, em São Paulo, reuniu as principais lideranças catarinenses da sigla em um movimento de alinhamento para as eleições. Participaram o presidente da Alesc, Julio Garcia, o presidente estadual, Eron Giordani, os ex-governadores Raimundo Colombo e Jorge Bornhausen, além de dirigentes municipais. O grupo acompanhou a oficialização da chapa presidencial formada por Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab e participou de reuniões estratégicas sobre o cenário político nacional e catarinense.

Nova missão na capital
A convenção também marcou a apresentação da nova executiva do PSD de Florianópolis. O vereador Rafinha de Lima, em primeiro mandato na Câmara da Capital, assume a presidência do diretório municipal com a missão de reorganizar e fortalecer o partido na cidade. A nova direção conta com o apoio dos vereadores Ricardo Pastrana, Diácono Ricardo e Pri Fernandes, além da ex-deputada Marlene Fengler, em movimento que simboliza a renovação da sigla na Capital.

Indefinido
A nova pesquisa da Neokemp/OCP News apresenta Carlos Bolsonaro (27,7%) e Caroline de Toni (21%) na dianteira da disputa pelo Senado em Santa Catarina, mas o cenário está longe de definido. Décio Lima (13,8%) e Esperidião Amin (11,5%) permanecem no páreo, enquanto o percentual de indecisos ainda é significativo (6,4%). Com duas vagas em disputa, a tendência é de uma corrida ainda aberta, apesar da vantagem inicial da dupla do PL.

Segundo voto
Se no primeiro voto Carlos Bolsonaro lidera, no segundo voto o destaque passa a ser Caroline de Toni, que aparece com 23,7%, à frente de Carlos (19,9%). Esperidião Amin (14,7%) e Décio Lima (11,8%) seguem competitivos, mantendo a disputa pela segunda cadeira do Senado em aberto. O levantamento reforça que a composição final dependerá da capacidade dos candidatos de ampliar o voto casado durante a campanha.





