O ocaso dos tucanos
O anúncio de Aécio Neves, deputado federal e presidente nacional do PSDB, de que o partido não terá candidato ao Planalto este ano não deve ser lido apenas como cálculo eleitoral de curto prazo. É o reconhecimento de uma realidade que há alguns anos parecia impensável: o partido que governou o Brasil por oito anos e liderou a principal oposição ao PT simplesmente deixou de disputar o protagonismo nacional.
Durante mais de duas décadas, o PSDB foi um dos pilares da política brasileira. Conduziu reformas, elegeu duas vezes Fernando Henrique Cardoso, chegou ao segundo turno em sucessivas eleições presidenciais e polarizou o debate nacional com o PT. Hoje, porém, a legenda encolheu. Perdeu governadores, reduziu drasticamente suas bancadas e viu seus principais quadros migrarem para outras siglas, como o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Essa perda de espaço não ocorreu apenas pela ascensão do bolsonarismo. O PSDB também contribuiu para sua própria crise ao abandonar uma identidade política clara em nome de alianças circunstanciais. Enquanto buscava se adaptar ao novo cenário, abriu espaço para que outras forças ocupassem o campo da oposição e do centro-direita.
Aécio afirma que o país caiu na armadilha da polarização e que o centro político precisa voltar a oferecer uma alternativa ao eleitorado. O diagnóstico faz sentido. Mas a decisão de não apresentar candidato também revela outra verdade: o PSDB já não possui musculatura eleitoral para romper essa polarização.
Essa estratégia já produz reflexos nos Estados. Em Santa Catarina, o PSDB decidiu apoiar a reeleição do governador Jorginho Mello (PL), deixando de lado qualquer protagonismo próprio. A decisão simboliza a nova realidade tucana: em vez de liderar projetos, a legenda passou a integrar projetos de outras forças políticas.
A aposta agora é fortalecer a bancada no Congresso e reconstruir o partido mirando 2030. Pode ser uma estratégia racional de sobrevivência. Mas também representa um duro contraste para quem já ocupou a Presidência da República e comandou a principal força de oposição do país.

Segurança em segundo plano
A permanência do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL) na Comissão de Segurança Pública e Defesa do Cidadão da Câmara de Balneário Camboriú entrou em xeque. O presidente do colegiado, Eduardo Zanatta (PT), protocolou um requerimento pedindo a substituição do parlamentar por excesso de faltas. Entre janeiro e junho deste ano a comissão teve 12 reuniões. Jair Renan participou apenas das três primeiras e, de acordo com o levantamento anexado ao pedido, não apresentou justificativa para as demais ausências. A situação chama atenção porque segurança pública é justamente uma das principais bandeiras políticas do vereador. Agora, o discurso terá de enfrentar a cobrança pela presença.

Fogo amigo
A crise provocada pelas declarações de Zé Trovão (PL-SC) ganhou um novo capítulo. Eduardo Bolsonaro cobrou publicamente uma reação da direção nacional do PL e criticou o fato de o deputado catarinense não ter recebido sequer uma advertência após chamar de “covarde” o silêncio de Jair Bolsonaro no pós-eleição de 2022. Para o filho do ex-presidente, a falta de punição incentiva novas dissidências dentro da legenda.

Alvos
Durante as críticas a Zé Trovão, Eduardo Bolsonaro também mencionou a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que se opôs à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. O ex-deputado afirmou que o PL tem tolerado manifestações públicas de filiados contra decisões estratégicas da legenda e cobrou maior disciplina interna.

Javali na mira
O deputado Lucas Neves (Republicanos) reuniu cerca de 200 pessoas na Alesc para discutir a superpopulação de javalis no Estado. Agricultores, autoridades e controladores da espécie participaram da audiência pública e debateram alternativas para ampliar o controle populacional por meio da caça regulamentada. Durante o encontro, o governo do Estado apresentou dados atualizados sobre os resultados da Lei Estadual 18.817/2023, de autoria de Lucas Neves. Segundo levantamento do Ibama, são abatidos em média 30 mil javalis por ano em Santa Catarina.

Ex-policial
A 5ª Câmara de Direito Público do TJSC manteve a condenação de um ex-policial civil por improbidade administrativa após concluir que ele retirou, sem autorização, uma viatura e uma arma da Polícia Civil para ajudar um amigo a intimidar pessoas. Segundo o acórdão, a dupla invadiu uma residência durante a madrugada, ameaçou moradores, efetuou diversos disparos de arma de fogo e, na fuga, o policial capotou a viatura oficial enquanto dirigia embriagado. O prejuízo ao Estado foi fixado em R$ 75.148,29, além de multa no mesmo valor. A relatora foi a desembargadora Denise de Souza Luiz Francoski.

Ressarcimento
O Tribunal de Justiça negou recurso do ex-policial e concluiu que houve desvio deliberado da estrutura da Polícia Civil para atender interesses particulares. Destacou que testemunhas relataram disparos, ameaças, invasão de domicílio, uso indevido de armamento oficial e condução da viatura sob efeito de álcool. Para os desembargadores, o dano ao erário começou no momento em que veículo, armas e munições públicas passaram a ser utilizados em uma ação de vingança pessoal, razão pela qual foram mantidas as sanções de perda do cargo, suspensão dos direitos políticos por quatro anos e ressarcimento integral dos prejuízos.




