O circo não pode esconder o pão; Vale Europeu; Dor de cabeça; Desconforto; entre outros destaques

O circo não pode esconder o pão

Toda vez que uma nova operação policial alcança prefeitos e contratos públicos, a pergunta é inevitável: quantos escândalos ainda serão necessários para que o dinheiro do contribuinte seja tratado com o respeito que merece?

Nos últimos anos, Santa Catarina assistiu perplexa à Operação Mensageiro, que revelou um amplo esquema de corrupção envolvendo dezenas de prefeituras. Muitos acreditaram que aquele episódio serviria de lição definitiva para a administração pública. Não serviu.

Agora, outra investigação do Ministério Público de Santa Catarina volta a colocar gestores municipais sob suspeita. A Operação Pão e Circo, deflagrada ontem, apura um suposto cartel de empresários do setor de eventos acusado de manipular licitações, direcionar contratos e combinar preços para shows financiados com dinheiro público. Entre os investigados estão os ex-prefeitos de Mafra, Emerson Maas (MDB), e de Bombinhas, Paulinho (Podemos); o prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL); e o vereador e presidente do MDB de Indaial, Carlos Eduardo Cunha, o Dudu Cunha. Todos têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

O nome da operação é uma ironia histórica. Na Roma Antiga, a expressão “pão e circo” era a estratégia utilizada para entreter a população enquanto os problemas estruturais permaneciam intocados. Mais de 2.000 anos depois, a expressão continua atual quando festas milionárias passam a despertar mais perguntas do que aplausos.

Não há qualquer ilegalidade em promover eventos culturais. Pelo contrário. Cultura movimenta a economia, gera empregos, fortalece o turismo e melhora a qualidade de vida da população. O problema começa quando contratos milionários deixam de ser apenas entretenimento e passam a despertar suspeitas sobre direcionamento, superfaturamento e favorecimento.

Também chama atenção a diferença de rigor. Um projeto financiado por mecanismos de incentivo cultural precisa cumprir exigências detalhadas de análise técnica, prestação de contas e fiscalização. Já inúmeras contratações diretas feitas por prefeituras, muitas por inexigibilidade de licitação, movimentam cifras igualmente expressivas sem o mesmo nível de averiguação pública.

A repetição desses episódios é o que mais preocupa. A Operação Mensageiro abalou a confiança nas administrações municipais catarinenses. Agora, outra investigação envolvendo contratos públicos e prefeitos recoloca o tema no centro do debate.

O cidadão não é contra shows. É contra a suspeita de que a festa possa servir de palco para negócios escusos. Quando a festa termina, quem paga a conta continua sendo o cidadão. É por isso que fiscalização rigorosa, transparência e controle social não são obstáculos à cultura. São, na verdade, as melhores garantias de que ela possa existir sem servir de cortina para corrupção.

Vale Europeu

O projeto do deputado Marquito (PSOL) que pretende substituir a denominação Região Metropolitana do Vale Europeu por Vale do Itajaí encontrou forte resistência na Alesc. O deputado Napoleão Bernardes (PSD) anunciou que atuará pela rejeição da proposta na CCJ, enquanto entidades empresariais da região divulgaram manifestos em defesa da atual nomenclatura. Outro integrante da Bancada do Vale, Ivan Naatz (PL), classificou a iniciativa como “ideológica” e afirmou que o autor deveria concentrar esforços nos problemas da Grande Florianópolis, em vez de interferir em uma marca consolidada do turismo e da economia catarinense.

Dor de cabeça

O anúncio do apoio do prefeito de Blumenau, Egídio Ferrari (PL), ao pré-candidato a deputado estadual Ulisses Gabriel (PL), tende a abrir uma frente de desgaste dentro do partido. Egídio escolheu um nome de fora da base política de Blumenau, deixando de prestigiar o deputado estadual Ivan Naatz, correligionário e representante da cidade na Alesc.

Desconforto

A decisão também pode gerar desconforto com a deputada federal Júlia Zanatta (PL), que trabalha pela eleição do marido, Guilherme Colombo, também pré-candidato a deputado estadual pelo partido. A preferência por Ulisses Gabriel é facilmente explicada pela afinidade profissional — ambos construíram suas trajetórias como delegados de Polícia Civil. Mas, na política, esse tipo de gestão dificilmente passa sem consequências. Ao escolher um lado desde já, Egídio Ferrari cria potenciais ruídos internos no PL justamente em uma disputa que promete ser marcada pela concorrência entre nomes da própria legenda.

Impulsionamento

O desembargador eleitoral Jaime Machado Júnior, do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina), concedeu parcialmente liminar em ação movida pelo PL contra o pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD). O relator determinou a suspensão do impulsionamento de vídeos em que o pessedista critica a situação da BR-101 Norte e questiona o projeto Via Mar, principal aposta do governo do Estado para a infraestrutura rodoviária catarinense, mas manteve o conteúdo disponível nas redes sociais. A decisão também obriga a Meta a interromper os anúncios e preservar os dados das campanhas patrocinadas. O processo segue para julgamento do mérito.

Cultura

O governador Jorginho Mello (PL) sancionou a lei que institui o Dia Estadual da Valorização da Cultura Norte e Nordeste, a ser celebrado anualmente em 12 de outubro e incluído no Calendário Oficial de Santa Catarina. A iniciativa é de autoria do deputado estadual Sérgio Motta (Republicanos) e busca reconhecer a contribuição histórica, cultural e social dos migrantes nortistas e nordestinos para o desenvolvimento do Estado.