MDB contra o MDB
O MDB de Santa Catarina entrou em uma fase em que o discurso já não acompanha a prática, e isso ficou evidente nos últimos dois dias. Enquanto o presidente estadual Carlos Chiodini assina uma carta inflamada defendendo que o MDB não nasceu para ser “figurante” e critica duramente a aproximação com Jorginho Mello (PL), 56 dos 70 prefeitos do partido comparecem a um encontro em apoio ao governador.
O subtexto de poder é o que realmente está em jogo – e ele tem nome e sobrenome. Chiodini foi o maior prejudicado pela decisão de Jorginho. Era cotado para vice, ouviu do governador que “a vice seria do MDB” e saiu de mãos vazias quando Jorginho anunciou Adriano Silva (Novo), como seu parceiro de chapa. A carta que assinou ontem é, antes de tudo, uma resposta pessoal profundamente embalada em discurso institucional e legítima.
Mas o ponto mais interessante não está no que foi dito, e sim no que ficou implícito. A movimentação dos prefeitos não é ideológica, é pragmática. Eles compareceram ao evento e operam numa lógica completamente diferente e igualmente legítima: dependem do governo estadual para obras, convênios, repasses e acesso ao Poder Executivo – e essa dependência pesa muito mais do que qualquer resolução de diretório. Para eles, a política do cotidiano fala mais alto do que a política das alianças formais.
O que não está sendo dito explicitamente é simples e brutal: o MDB está sendo disputado entre quem manda formalmente e quem manda de fato. Chiodini controla o diretório e a narrativa oficial, enquanto figuras como o deputado federal Valdir Cobalchini articulam com os prefeitos. São dois centros de poder dentro do mesmo partido – e os dois sabem disso.
Racha definitivo ou negociação padrão? Por ora, ainda é negociação – mas com risco real e crescente de ruptura irreversível. Se o pré-candidato ao governo do Estado, João Rodrigues (PSD), ganhar força nas pesquisas e consolidar a chapa com o MDB formal, Chiodini sai fortalecido. Se Jorginho mantiver essa penetração sobre as bases municipais e ampliar o número de prefeitos em sua órbita, o presidente estadual pode se ver numa situação constrangedora: comandar formalmente um partido que decidiu sem ele. Em política, quem perde a base perde tudo, e Chiodini sabe que o relógio está correndo.

Escada eleitoral
O ministro Alexandre de Moraes criticou parlamentares que usam ataques ao STF como estratégia eleitoral. Durante julgamento de queixa-crime entre dois deputados goianos por ofensas mútuas, Moraes afirmou que políticos “sem voto suficiente” recorrem a xingamentos contra o Judiciário para alavancar candidaturas. “Utilizam-nos como escada eleitoral”, disse ele, acrescentando que o comportamento ocorre independentemente de partido ou ideologia. Para Moraes, ao adotar essa postura, os parlamentares “ofendem a inteligência do eleitorado”.

Dia dos Legendários
O deputado estadual Marcius Machado (PL) protocolou projeto de lei para incluir o “Dia dos Legendários” no Calendário Oficial de Eventos de Santa Catarina, com data fixada em 4 de maio. O movimento, fundado na Guatemala em 2015, reúne famosos como Pablo Marçal, Thiago Nigro e Kaká Diniz em retiros espirituais exclusivos para homens, com foco em fé, família e masculinidade. Para os adeptos, é transformação genuína de vida. Para os críticos, é outra história.

Campo minado
As opiniões sobre o Legendários dividem profundamente. O movimento enfrenta acusações de hipocrisia, elitização e questionamentos sobre sua real neutralidade religiosa. Setores da esquerda classificam o Legendários como “braço simbólico da extrema direita latino-americana”, acusando o movimento de reforçar a subordinação das mulheres sob discurso de autoconhecimento. Os defensores rebatem: lideranças afirmam que quem entra machista sai menos machista, em uma “melhor versão do homem”, pois aprende que o líder deve ser servo da família. Em ano eleitoral, Marcius Machado escolheu o campo minado certo.

Dobradinha
O deputado estadual Jerry Comper (MDB) recebeu a visita do ex-deputado João Batista Matos e de seu filho, João Matos. Durante o encontro, pai e filho convidaram Jerry para uma dobradinha na campanha eleitoral de outubro. João Matos é pré-candidato a deputado federal pela região da Amfri (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí-Açu), já foi vereador em Ibirama e é natural de Rio do Sul. João Batista acumula três mandatos de deputado estadual, quatro de federal e passagens como secretário de Estado da Educação, da Casa Civil e da Administração. É também autor da Lei Nacional da Adoção. Na foto, da esq. para a dir.: João Matos, João Batista e Jerry.

Derrapada
O prefeito de Criciúma, Waguinho (PSD), enfrenta sua primeira crise no cargo, e ela veio mais rápido do que o esperado. Diante da greve dos professores, tentou reagir pelas redes sociais, mas a estratégia não funcionou. A caixa de comentários virou termômetro de desgaste, com forte presença de críticas, muitas delas carregadas de sinalização política. Nos bastidores, é que o ex-prefeito Clésio Salvaro mantém ligação com o grupo que puxou o movimento contrário, o que acende alerta dentro do PSD e projeta uma disputa interna já mirando 2028. Enquanto isso, o PL observa o cenário. Waguinho, ainda em início de gestão, entra de vez em um ambiente de confronto que tende a se intensificar no clima pré-eleitoral da cidade.

Media Gov
A Alesc venceu o prêmio Social Media Gov, promovido pela Rede InovaGov, que destaca as melhores práticas de comunicação pública no país. O conteúdo sobre Pietra Grossklags, a pessoa com Síndrome de Down mais jovem no Brasil a empreender, foi premiado na categoria Inclusão e Diversidade na 4ª edição do Prêmio Social Media Gov de Comunicação Pública. O vídeo foi produzido pela equipe da Diretoria de Comunicação Social da Alesc. Concorreram ainda publicações do governo do Amapá, da Prefeitura de Florianópolis, da TV Senado, do Tribunal de Contas da União e do Tribunal de Contas de Minas Gerais.






