Estados querem ser ouvidos, não apenas consultados
A discussão sobre o futuro da Malha Sul ferroviária chega hoje a Florianópolis cercada por um sentimento que une os quatro Estados do Codesul: a impressão de que Brasília insiste em decidir o destino da infraestrutura do Sul sem ouvir quem conhece os gargalos da região. A audiência pública promovida pela ANTT, na sede da Fiesc, representa uma última oportunidade para que Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul deixem claro que não aceitam repetir um modelo que, ao longo de décadas, acumulou abandono, trechos ociosos e investimentos insuficientes.
Não se trata de um embate político entre governos. Trata-se de uma discussão sobre desenvolvimento. É difícil encontrar alguém que conheça a realidade logística do Sul e defenda a manutenção de uma ferrovia que perdeu competitividade justamente quando a economia da região passou a exigir mais eficiência. Os Estados não estão pedindo privilégios. Cobram uma concessão que dialogue com a realidade de um dos principais polos produtores e exportadores do país.
O governo federal propõe dividir a Malha Sul em três lotes. O Codesul reage porque enxerga o risco de perpetuar um modelo que já fracassou. A avaliação dos governadores e das equipes técnicas é simples: renovar o contrato sem garantir investimentos robustos e integração ferroviária significa empurrar o problema para mais 30 anos.
Foi justamente essa realidade que o Grupo ND percorreu ao longo do projeto Oeste nos Trilhos. O diagnóstico se repetiu em praticamente todas as regiões: não falta produção, falta infraestrutura. Empresários, produtores rurais, especialistas e lideranças políticas divergiam em muitos temas, mas concordavam em um ponto: Santa Catarina não conseguirá sustentar seu ritmo de crescimento sem ampliar a participação das ferrovias.
A audiência de hoje representa um teste para saber até que ponto o governo federal está disposto a incorporar as contribuições dos Estados ou se manterá uma modelagem já contestada.
No fim das contas, a discussão é menos sobre trilhos e mais sobre competitividade. O Sul produz, exporta e cresce. É razoável esperar que tenha voz na definição da infraestrutura que sustentará esse desenvolvimento pelas próximas décadas.

Reviravolta
A condenação por improbidade administrativa que o ex-prefeito de Biguaçu Ramon Wollinger sofreu no fim de 2025 foi revertida em julgamento realizado esta semana no Tribunal de Justiça. O caso envolveu a contratação emergencial de um laboratório de análises clínicas para a UPA do município em 2018. O advogado Lucas Inácio da Silva, do Mosimann-Horn, que fez a defesa do ex-prefeito, demonstrou no julgamento que foi uma situação pontual e excepcional, sem dano ao município ou vantagem indevida ao agente público e que a denúncia foi feita por empresa concorrente por duelo de mercado.

PP testa unidade
A convenção estadual do Progressistas, marcada para hoje em Florianópolis, será o primeiro grande teste de convivência entre as duas alas da sigla. De um lado, lideranças e prefeitos que defendem a manutenção da aliança com o governador Jorginho Mello (PL). De outro, o grupo liderado pelo senador Esperidião Amin, que já encaminhou o partido para a composição com o PSD de João Rodrigues. O desafio será preservar a unidade interna diante de um cenário em que o PP chega dividido às eleições, tendo a reeleição de Amin ao Senado como principal ponto de convergência entre os dois grupos.

Diplomacia catarinense
O governo de Santa Catarina oficializou a nomeação de oito embaixadores honorários para fortalecer a articulação internacional do Estado nas áreas econômica, educacional e tecnológica. Foram designados Alexandre Fernandes (Bahrein e Emirados Árabes Unidos), Boaz Albaranes (Israel), Jovane Medina Azevedo (Suécia), Lisandro Trindade Vieira (Dubai), Manuel Mendes (Boston-EUA), Sajith Kunnath (Índia), Su Jung Ko (Coreia do Sul) e Thiago Piccioni (Reino Unido). As funções são honoríficas, sem remuneração, com mandato de quatro anos e acesso direto ao governador e aos secretários de Estado.

Condenação mantida
A 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina manteve por unanimidade as condenações de réus da Operação Mensageiro ligadas ao núcleo de Braço do Norte. O colegiado rejeitou todos os recursos e confirmou as penas por corrupção, fraude à licitação e organização criminosa, preservando também as medidas cautelares e a indisponibilidade de bens. Ao analisar o recurso de W.F.C., então agente público municipal, o Tribunal concluiu que ele exerceu papel estratégico dentro da estrutura administrativa de Braço do Norte, atuando para favorecer os interesses da Serrana Engenharia.

Papel no esquema
Segundo a decisão, ficou comprovado que o agente público solicitou ao dono da Serrana R$ 300 mil em vantagem indevida para beneficiar a empresa na futura licitação e na execução do contrato de limpeza urbana, valor que teria sido pago em três parcelas de R$ 100 mil. A Corte também destacou que houve participação ativa no direcionamento do certame, mediante a elaboração de documentos com cláusulas restritivas capazes de limitar a concorrência.

Equilibrada
A corrida eleitoral no Rio Grande do Sul segue marcada pelo equilíbrio. A pesquisa Genial/Quaest mostra Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) tecnicamente empatados na disputa pelo governo, com 24% e 22%, respectivamente. Na corrida ao Senado, Manuela D’Ávila (Psol) lidera com 12%, seguida por Germano Rigotto (MDB) e Paulo Pimenta (PT), ambos com 9%, além de Marcel van Hattem (Novo), com 7%, e Ubiratan Sanderson (PL), com 6%. O levantamento também mostra que 48% aprovam e 42% desaprovam a gestão do governador Eduardo Leite.

Brasília
Felipe Penter e Kita Xavier estiveram em Brasília, onde o plenário do Confea homologou o resultado das eleições do Sistema Confea/Crea e Mútua para o triênio 2027-2029. Com a confirmação oficial, Penter assume a presidência do Crea-SC e Kita passa a representar Santa Catarina no Conselho Federal. Além do ato formal, a passagem pela capital federal marcou o início das articulações da futura gestão, com reuniões e contatos voltados ao fortalecimento da presença catarinense nas decisões nacionais da engenharia.

Primeiro confronto
O Grupo ND promove, no sábado (8), às 13h15, o primeiro debate entre candidatos ao governo de Santa Catarina nas eleições de 2026. O encontro terá mediação da jornalista Tatiana Corrêa e reunirá Gelson Merísio (PSB), João Rodrigues (PSD) e Ralf Zimmer (Federação Renovação Solidária – PRD/Solidariedade). Embora seus assessores tenham confirmado presença de Jorginho Mello (PL), o candidato informou que não participará desta edição, confirmando que estará apenas no debate da NDTV Record marcado para setembro, na reta final da campanha.





