Corrida eleitoral ganha novo rumo; Escravidão; Aumento Salarial; Efeito Cascata; VAR; entre outros destaques

Corrida eleitoral ganha novo rumo

Gelson Merísio (PSB), pré-candidato de uma frente alinhada à esquerda em Santa Catarina, voltou a se movimentar publicamente após um período fora dos holofotes. Ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-candidato ao governo pelo PSD, Merísio não disputou as eleições de 2022, apesar de ter chegado ao segundo turno em 2018, quando liderou o primeiro turno, mas foi derrotado por Carlos Moisés. Agora, com retorno previsto às urnas em outubro de 2026, reaparece nas redes sociais com um tom moderado, sinalizando uma estratégia de reconstrução de base e reposicionamento político.

O movimento inicial indica uma tentativa clara de diálogo com o eleitorado de esquerda, tradicionalmente mais coeso em torno de candidaturas apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Claro que Merísio ainda tem o desafio de montar uma aliança eleitoral e conquistar confiança de um lado mais “duro” da esquerda. Ele aposta tudo no discurso do diálogo. Fala em ouvir, em respeitar divergências, em construir pontes

Esse reposicionamento do ex-deputado, ainda que inicial, já provoca reações nos bastidores. A entrada mais ativa de Merísio no debate eleitoral acende um alerta, especialmente entre adversários diretos, como o grupo do ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que vinha se consolidando nas pesquisas em segundo lugar.

Até aqui, os levantamentos que mostravam bom desempenho de João Rodrigues não consideravam um cenário com a definição de um candidato vinculado ao campo lulista. Em 2022, esse fator se mostrou decisivo. Décio Lima (PT), então apoiado por Lula, surpreendeu ao chegar ao segundo turno em 2022 contra Jorginho Mello (PL), superando nomes tradicionais como Esperidião Amin, Carlos Moisés e Gean Loureiro, todos integrantes ou próximos do grupo que hoje orbita a pré-candidatura de João Rodrigues.

A expectativa, a partir de agora, é de uma disputa mais acirrada pelo segundo lugar, o que pode alterar a dinâmica da corrida eleitoral. Esse cenário tende a beneficiar o atual governador Jorginho Mello, que pode observar uma fragmentação maior entre os concorrentes diretos. Merísio, por sua vez, entra na disputa com o potencial da chamada verticalização do voto, especialmente com um alinhamento formal com Lula.

Com esse novo desenho, a eleição catarinense começa a ganhar contornos mais definidos, e os próximos movimentos devem consolidar ou reconfigurar forças em um cenário ainda em formação.

Escravidão

A declaração da desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, ao afirmar que a magistratura caminha para um “regime de escravidão”, repercutiu negativamente, e não sem motivo. A fala, feita para protestar contra a decisão do STF que limitou benefícios no Judiciário, destoou da realidade do país. Ao dizer que juízes estão sendo tratados como “pessoas sem escrúpulos” e que “não se vai ter, daqui a algum tempo, como pagar nossas contas”, pode até refletir insatisfação, mas soa difícil de entender para quem vive outra realidade.

Outra língua

E aí entra o ponto que mais pega: os números. A própria desembargadora recebeu cerca de R$ 91 mil líquidos em um mês. Mesmo assim, disse que há colegas deixando de fazer consultas médicas e até comprar remédios por falta de dinheiro. Soma-se a isso a crítica ao termo “penduricalhos”, chamado por ela de “chulo”, e a avaliação de que juízes estão sendo vistos como “bandidos”. No fim, a tentativa de defesa acaba tendo o efeito contrário: em vez de aproximar, reforça a sensação de que parte do Judiciário ainda fala uma língua bem diferente da maioria dos brasileiros.

Aumento Salarial

O desembargador Jaime Ramos, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, decidiu notificar o prefeito de Itapoá, Jefinho Garcia (MDB), o presidente da Câmara de Vereadores, Ivan da Luz (MDB), e a Procuradoria-Geral do município devido a uma ação direta de inconstitucionalidade movida pelo Ministério Público estadual. O alvo é a lei que aumentou o salário do prefeito para R$ 33 mil e do vice José Maria Caldeira (Republicanos) para R$ 16,5 mil com efeitos retroativos a janeiro de 2026, em pleno mandato. Na foto: Jefinho e Caldeira no dia da posse.

Efeito Cascata

A ação questiona dois pontos centrais: a retroatividade dos efeitos, que viola o princípio da anterioridade, e a ausência de estudo de impacto financeiro, contrariando a Lei de Responsabilidade Fiscal; mesmo após alerta formal da assessoria jurídica da Câmara. O agravante é que os novos valores passam a funcionar como teto para todos os servidores municipais, gerando efeito cascata na folha. Os notificados têm até 10 dias para prestar informações ao tribunal.

VAR

O senador Esperidião Amin (PP) avalia que a pré-candidatura de João Rodrigues (PSD) ao governo de Santa Catarina qualifica o processo eleitoral. Em entrevista ao jornalista Denis Luciano, na rádio Cidade, de Criciúma, Amin comparou Rodrigues a um “VAR” da política: alguém capaz de apurar e elevar o nível do debate. Para o senador, o eleitor quer saber quem entrega resultado em obras, saúde e gestão. Nesse cenário, o histórico de quatro mandatos de Rodrigues à frente de Chapecó, com 83% dos votos no último pleito, pesa a seu favor. Amin é pré-candidato ao Senado pela chapa encabeçada pelo prefeito chapecoense.

Presente

Amin defendeu que a presença de mais de uma opção de direita na disputa beneficia o eleitor catarinense. Sem direcionar ataques, o senador argumenta que, quando há apenas uma alternativa, quem perde é o cidadão. Para ele, João Rodrigues “deu um presente” ao processo eleitoral ao permitir comparação real entre projetos e trajetórias de gestão. A avaliação é que a entrada do ex-prefeito de Chapecó tende a levar a eleição ao segundo turno dentro do campo da direita.