Corrida contra o calendário
O governo Lula entrou na reta final de 2026 com uma missão clara: acelerar a votação de propostas de interesse do Planalto antes que a correlação de forças no Congresso se torne ainda mais desfavorável. No PT, a avaliação é de que 2027 será um ano mais difícil para a articulação política, especialmente diante do crescimento do PL, que terá as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado. A estratégia é aproveitar os últimos meses do atual ano legislativo para aprovar quatro medidas consideradas prioritárias: a PEC da Segurança Pública, a PEC da Tarifa Zero, a medida provisória que proíbe as bets e o Orçamento de 2027.
A PEC da Segurança Pública está na pauta do Senado para hoje, mas a movimentação do governo vai além dessa proposta. O Planalto também tenta aproveitar um momento de maior abertura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que, nas últimas semanas, deu sinais de disposição para avançar com pautas importantes para o governo. Entre elas estão a PEC do fim da escala 6×1 e o projeto que amplia o teto de faturamento do MEI (Microempreendedor individual).
A avaliação entre os governistas é de que essa disposição de Alcolumbre representa uma janela de oportunidade que precisa ser aproveitada. O cenário, porém, pode mudar significativamente a partir de fevereiro, com a nova composição do Congresso. O PL, fortalecido nas urnas, pretende disputar o comando do Senado e pode colocar em risco a permanência de Alcolumbre na presidência da Casa. Uma eventual mudança no comando também terá reflexos sobre a capacidade de articulação do governo.
A pressa do PT, portanto, tem explicação política. O governo sabe que poderá enfrentar uma oposição mais numerosa e organizada no próximo ano, com maior poder de pressão sobre a pauta legislativa. Aprovar agora o que for possível significa reduzir o tamanho da agenda de pendências e evitar que propostas importantes fiquem reféns de uma correlação de forças menos favorável. Mais do que uma corrida contra o calendário, é uma tentativa de Lula de aproveitar os últimos meses de um ambiente político que não deve se repetir a partir de 2027.

Mudança em Finanças
As articulações para o comando das principais comissões da Alesc começam a ganhar forma. Mauricio Peixer (PL) aparece como pretendente a assumir a Comissão de Finanças e Tributação, espaço que durante muitos anos esteve sob o comando do deputado Marcos Vieira (PSDB), que não conseguiu a reeleição. Vieira construiu uma longa trajetória à frente do colegiado, chegando a acumular cerca de 12 anos no comando. A possível escolha de Peixer representa, portanto, uma mudança importante em uma das comissões estratégicas da Assembleia, responsável pela análise de matérias orçamentárias e financeiras. Já o novato Fábio Botelho (Podemos) está de olho na Comissão de Trabalho. A distribuição ainda depende dos entendimentos entre as bancadas e da formação dos blocos parlamentares.

Planos revistos
A decisão do TSE de reconhecer que a federação Psol/Rede superou a cláusula de desempenho pode mudar os planos partidários do deputado estadual Marquito (Psol). Havia uma conversa ainda embrionária para uma eventual migração ao PT caso o Psol não alcançasse os índices exigidos. Com a garantia de acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda, a permanência na legenda ganha força. Marquito é cotado para ser o principal nome da esquerda na disputa pela Prefeitura de Florianópolis em 2028. A definição partidária será um dos primeiros movimentos na construção desse projeto.

Cláusula de barreira
A decisão do TSE também teve impacto direto no cenário partidário nacional. Por unanimidade, os ministros aceitaram arredondar de 1,4913% para 1,5% o percentual de votos obtido pela federação Psol/Rede no Espírito Santo. Com isso, a federação alcançou o desempenho mínimo em nove estados e garantiu acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda a partir de 2027.

Onze partidos
Dos 30 partidos registrados no país, apenas 16 cumpriram a cláusula de desempenho nas eleições de 2026. Como nove dessas legendas estão organizadas em quatro federações, a próxima legislatura terá 11 partidos ou federações com acesso aos recursos e à propaganda partidária. O resultado reforça a importância das federações na sobrevivência política e financeira das siglas menores.

Projeção internacional
O jornalista e estrategista político catarinense Mauricio Locks participou, ontem, da primeira edição internacional do Compol, em Assunção, no Paraguai. Integrante da coordenação da campanha de reeleição de Celina Leão (PP), no Distrito Federal, Locks apresentou estratégias da disputa. O evento, criado em Florianópolis, reuniu profissionais de seis países para debater comunicação política, dados e estratégias eleitorais. Foi a primeira edição fora do Brasil.

Conta salgada
O fim da escala 6×1 pode custar R$ 35 bilhões aos municípios brasileiros, segundo estimativa preliminar de consultoria contratada pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos. O presidente da entidade e prefeito de Porto Alegre (RS), Sebastião Melo (MDB), alerta que a redução da jornada elevará despesas com terceirizados e poderá comprometer serviços de saúde, transporte e limpeza urbana: “Não temos como pagar essa conta”.

Ferry boat 1
O TJSC autorizou a empresa responsável pelo ferry boat entre Itajaí e Navegantes a não conceder isenção tarifária generalizada aos veículos oficiais da Prefeitura de Navegantes. A decisão monocrática é do desembargador João Henrique Blasi, que considerou plausível o argumento de que não existe previsão legal para a gratuidade. A empresa NGI Sul sustenta que a cobrança é necessária para manter o equilíbrio econômico-financeiro da operação.

Ferry boat 2
A disputa começou depois que a Prefeitura de Navegantes passou a exigir gratuidade para seus veículos oficiais. A empresa alegou que, após negar o benefício, passou a sofrer fiscalizações de caráter retaliatório. Nesse ponto, porém, o TJSC não suspendeu as ações de fiscalização, por entender que ainda não há provas suficientes de abuso ou desvio de finalidade. A decisão é provisória e ainda depende do andamento do processo.






