A hora do STF cortar na própria carne; Recado a Carlos; Na mesa; Armadilha; entre outros destaques

A hora do STF cortar na própria carne

O Supremo Tribunal Federal chega hoje a um daqueles momentos em que uma instituição é obrigada a escolher entre a proteção corporativa e a própria credibilidade. O julgamento sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes não é apenas um episódio envolvendo um ministro. É um teste sobre os limites do poder e sobre a capacidade da Corte de aplicar a si mesma os princípios que cobra dos demais.

O caso é inédito. Pela primeira vez, o plenário poderá decidir se um ministro do próprio STF será formalmente investigado por seus pares. E os elementos que chegaram ao tribunal não podem ser tratados como uma inconveniência institucional a ser arquivada por conveniência.

O relatório da Polícia Federal aponta mensagens temporárias trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, além de informações sobre orientações jurídicas e contratos milionários envolvendo o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Nada disso representa, por si só, prova de irregularidade. Mas representa, inequivocamente, matéria suficiente para ser esclarecida.

A situação ganha ainda mais gravidade diante da divisão exposta dentro da Corte. De um lado, André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques são apontados como favoráveis à investigação. De outro, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são contrários. Fachin, que assumiu a relatoria e preside o julgamento, é apontado como favorável. Cármen Lúcia pode ser decisiva.

Sob a relatoria de Edson Fachin, que assumiu o caso após afastar Mendonça na semana passada, a divisão do plenário já não é sutil: um bloco inclinado à abertura da investigação, outro claramente disposto a arquivá-la ou protelá-la indefinidamente. Essa polarização interna, por si só, já é um sintoma grave – mostra uma Corte mais preocupada em calcular o custo político de cada resultado do que em aplicar a si mesma o padrão que exige de todos os demais Poderes.

Não se trata de presumir culpa. Trata-se de reconhecer que uma Corte que hesita em investigar a própria cúpula, diante de indícios já públicos e documentados, perde a autoridade moral para cobrar transparência de qualquer outra instituição do país. O Supremo não precisa ser infalível. Precisa apenas não ser complacente consigo mesmo e é exatamente isso que está em jogo.

Brigar não

O senador Esperidião Amin (PP) criticou a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), diante dos pedidos de impeachment de ministros do STF. Alcolumbre teria afirmado que, mesmo com 80 das 81 assinaturas dos senadores, não estaria disposto a abrir processo contra Alexandre de Moraes. Questionado se defenderia o afastamento de Alcolumbre caso ele interferisse, Amin respondeu que essa é uma das possibilidades em discussão. “Brigar não, há instrumento para isso”, afirmou. E completou: “Nós iremos ter que pedir o impeachment de quem não nos deixa pedir impeachment”.

Recado a Carlos

Na sabatina da NDTV, Amin aproveitou o início da entrevista para mandar um recado, sem citar nomes, ao adversário Carlos Bolsonaro (PL). Ao homenagear a emissora e os eleitores, Amin destacou que fez “o possível para estar” na entrevista e emendou: “Para você, eleitor, quem foge de debate, foge do eleitor”. A referência é direta ao ex-vereador carioca, que não tem aceitado participar de sabatinas, debates e entrevistas durante a campanha ao Senado em Santa Catarina.

Record News

As sabatinas com os candidatos ao Senado por Santa Catarina, da NDTV, também estão sendo exibidas na programação nacional da Record News, no programa Link News, às 16h30. A emissora abriu ontem a rodada de entrevistas do projeto Voto+, que reúne seis dos sete candidatos convidados ao estúdio do SC no Ar. Ontem foi Esperidião Amin (PP), hoje segue com Jeferson Rocha (PRD), depois Antídio Lunelli (MDB), Afrânio Boppré (Psol), Caroline de Toni (PL) e Décio Lima (PT). Carlos Bolsonaro (PL) também foi convidado, mas decidiu não participar. As entrevistas são exibidas, ao vivo, no SC no Ar, a partir das 7h30, até o dia 21.

Entrevistas na Record

A Record promove a partir de hoje um ciclo de entrevistas com candidatos à Presidência da República. Conduzidos pelos apresentadores Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro, os encontros serão exibidos no Jornal da Record, até o dia 22. A programação seguirá a seguinte ordem: Lula, hoje; Romeu Zema (Novo), amanhã; Ronaldo Caiado (PSD), quinta-feira (17); e Flávio Bolsonaro (PL), sexta-feira (18). Na próxima semana, será a vez de Augusto Cury (Avante), no dia 19; e Renan Santos (Missão), no dia 22. Cada entrevista tem duração prevista de 30 minutos.

Freio no impulsionamento

A Justiça Eleitoral mandou suspender o impulsionamento pago de quatro anúncios publicados pelo candidato ao governo do Estado, Gelson Merisio (PSB), e ao Senado, Décio Lima (PT), contra Jorginho Mello (PL). O vídeo associa a imagem do governador a lesões na perna de uma mulher e traz a chamada: “Governador ignora mulher espancada pela polícia em SC e acusa esquerda de montar ‘armadilha’”.

Armadilha

A peça faz referência ao caso da advogada e candidata suplente ao Senado, Fernanda Klitzke, que teria sido agredida por policiais, em Jaraguá do Sul, e à reação de Jorginho, que teria atribuído à esquerda a montagem de uma “armadilha”. O relator, desembargador Marcelo Volpato, considerou irregular o uso de publicidade paga para ampliar conteúdo negativo contra adversário, independentemente de a crítica ser verdadeira ou não. Os anúncios chegaram a registrar entre 500 mil e 600 mil impressões.

Agenda empresarial

A Facisc reúne, quinta-feira (17), em Florianópolis, candidatos ao governo de Santa Catarina e ao Senado para apresentar as prioridades do setor produtivo no Voz Única 2026. O programa recebeu 1.217 demandas e mais de 29 mil votos de empresários, que resultaram em 72 pleitos considerados prioritários: seis para cada uma das 12 regiões da entidade. A pauta inclui infraestrutura, saúde, educação, segurança, inovação e serviços públicos. A entidade, que representa mais de 51 mil empresas por meio de 149 associações, tenta transformar a lista de reivindicações em uma agenda de Estado para os próximos anos.

Na mesa

O encontro terá João Rodrigues (PSD), Jorginho Mello (PL), Esperidião Amin (PP), Antídio Lunelli (MDB), Carlos Bolsonaro (PL) e Caroline De Toni (PL). Gelson Merisio (PSB), Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (Psol) ainda não confirmaram presença. A programação foi dividida em dois horários: às 8h30, João Rodrigues, Amin e Lunelli; às 10h, Jorginho, Carlos Bolsonaro e Caroline De Toni. Mais do que ouvir os candidatos, a Facisc pretende entregar a eles uma agenda construída regionalmente pelo setor produtivo. Como resumiu o presidente da entidade, Elson Otto, “não é uma lista de queixas, mas uma lista de oportunidades”.