Nem toda soma de partidos vira soma de votos
Durante muito tempo, montar uma chapa competitiva foi quase um exercício de matemática. Somavam-se partidos, tempo de televisão, fundo eleitoral, prefeitos, vereadores e estruturas regionais. Quanto maior a coligação, maior parecia a chance de vitória. Em Santa Catarina, a eleição de 2026 está mostrando que essa conta, pelo menos sozinha, já não fecha.
Quando o governador Jorginho Mello (PL) escolheu Adriano Silva (Novo) para compor sua chapa, ainda em janeiro, houve quem enxergasse uma renúncia importante. Ao optar pelo então prefeito de Joinville e abrir mão de uma composição com o MDB, Jorginho trocava aquilo que a política tradicionalmente chama de estrutura por uma marca individual. Adriano não chegava carregando um grande fundo partidário ou uma fatia decisiva de tempo de televisão. Levava seu próprio CPF, uma gestão conhecida e um ativo eleitoral construído fora das engrenagens tradicionais.
Chegamos a setembro, a pouco mais de 20 dias da eleição, e aquela escolha parece menos uma aposta e mais uma leitura antecipada do ambiente eleitoral.
Isso não significa que os grandes partidos tenham deixado de ser importantes. Seria simplista concluir dessa forma. Eles continuam com capilaridade, recursos, mandatos e estruturas que fazem diferença. O que perderam, nesta eleição, foi parte do protagonismo que durante décadas lhes permitiu apresentar a soma das siglas quase como uma previsão do resultado das urnas.
A própria composição em torno de João Rodrigues ajuda a demonstrar isso. Havia uma tese razoavelmente difundida de que reunir MDB e a federação formada por União Brasil e Progressistas produziria, quase naturalmente, uma força eleitoral capaz de impulsionar sua candidatura.
No papel, a equação impressionava. Na urna que começa a se desenhar pelas pesquisas, porém, a soma dos CNPJs não produziu automaticamente a soma dos votos.
Há uma razão maior para isso. Em uma eleição nacional polarizada entre dois sobrenomes de enorme peso político, Lula e Bolsonaro, o eleitor tende a organizar suas escolhas cada vez mais por identificação, liderança e personagens. As estruturas continuam importantes, mas já não comandam sozinhas o voto.
Talvez o exemplo mais interessante esteja no próprio Progressistas. Se a sigla não exerce hoje o mesmo protagonismo na disputa pelo governo, na corrida ao Senado, Esperidião Amin mostra justamente o contrário: quando existe um CPF eleitoralmente forte, o partido volta a pesar.
No fim, a política catarinense de 2026 está oferecendo uma lição para quem ainda monta chapa apenas com calculadora. Jorginho percebeu antes que, em determinadas eleições, três ou quatro letras de uma sigla podem valer menos do que um nome reconhecido pelo eleitor.
Quem apostou apenas na soma das estruturas fez uma conta correta no papel. O problema é que o eleitor não vota no papel.

Postagem retirada
A Justiça Eleitoral determinou a retirada de uma publicação no X que associava a deputada federal Julia Zanatta (PL) a supostos episódios durante sua passagem pela universidade.
O desembargador eleitoral Marcelo Carlin considerou que o conteúdo, em princípio, extrapolava a crítica política e poderia atingir a honra e a imagem da candidata, além de apresentar conotação de violência política de gênero.
O X terá um dia para retirar a postagem, sob pena de multa de R$ 5.000 por dia, limitada inicialmente a R$ 50 mil.

Limite para a crítica
A decisão da Justiça Eleitoral no caso Julia Zanatta recoloca uma questão importante no debate eleitoral: liberdade de expressão não significa liberdade para transformar acusações sobre a vida privada em arma política.
Crítica a candidato faz parte da democracia. Ataques pessoais, especialmente com conteúdo sexual e sem fonte ou comprovação, são outra coisa.

Troca na agenda
Esperidião Amin vai trocar a agenda de campanha por Brasília hoje e amanhã. O senador quer acompanhar de perto os desdobramentos da Petição nº 16.662 e as movimentações no Senado envolvendo o STF.
Amin já apresentou dois requerimentos: um para convocar o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e outro para ouvir o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O recado do senador é direto: diante da gravidade do momento, diz ele, o Senado não pode ficar de braços cruzados.

O tamanho de João
João Rodrigues (PSD) conseguiu construir, ainda na pré-campanha, um espaço próprio na disputa pelo governo de Santa Catarina. Prefeito de Chapecó, percorreu o Estado, tornou-se conhecido e chegou competitivo antes mesmo de consolidar suas principais alianças. Depois vieram apoios importantes, como os da federação União Brasil-PP e do MDB.

Peso eleitoral
Curiosamente, porém, esse reforço partidário ainda não se traduziu em crescimento significativo nas pesquisas. João segue mais ou menos no patamar que já havia conquistado sozinho.
Não é necessariamente uma notícia ruim para o candidato. Pelo contrário: mostra que João tem voto, presença e musculatura próprios.
Mas também revela algo sobre esta eleição: até aqui, o peso eleitoral das grandes alianças parece menor do que muita gente imaginava.

Caso chegou a Lula
O candidato ao Senado Décio Lima (PT) afirma que o episódio envolvendo sua suplente, a advogada Fernanda Klitzke (PT), durante uma abordagem policial em Jaraguá do Sul já chegou ao conhecimento do presidente Lula.
Segundo ele, todas as providências foram tomadas e o caso será levado “até as últimas consequências”.
Décio sustenta que há três questões a serem apuradas: possível violação das prerrogativas de uma advogada, violência política e violência de gênero.
Segundo ele, durante a abordagem da PM, a suplente é identificada como candidata. “Olha, é candidata”, teria sido dito no local pelas testemunhas.
As denúncias, segundo Décio, já foram encaminhadas à Polícia Federal e aos órgãos de Direitos Humanos.

Vandalismo na campanha
Décio Lima também relatou à coluna episódios de vandalismo contra materiais de sua campanha e de outros candidatos da chamada Frente de Esquerda.
Segundo ele, wind banners e outras peças desse período de campanha eleitoral foram arrancados e queimados. Há registros de vídeos que mostram parte das ações. Ele afirma que o clima da campanha “não está fácil”.






