A carta de Flávio e os caminhos da direita
A carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), na qual anuncia que pretende comandar a oposição a Lula (PT) diretamente dos Estados Unidos, coloca em debate o futuro da direita brasileira e a disputa pela liderança desse campo político. Flávio busca manter mobilizada a base bolsonarista e preservar o protagonismo da família.
Inicialmente, se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas voltou atrás minutos depois e trocou a expressão por “líder do Brasil”. A carta também apresentou uma versão equivocada do brasão nacional, detalhes que acabaram desviando parte da atenção do conteúdo político.
A decisão de atuar do exterior levanta questionamentos sobre como será exercida essa liderança. Flávio tem influência sobre o eleitorado conservador e pode manter interlocução com aliados, mas a condução da oposição também exige articulação parlamentar, diálogo com governadores e participação nas discussões nacionais.
Nesse cenário, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aparece como uma das referências possíveis para a reorganização da direita. Com experiência administrativa e à frente do maior colégio eleitoral do país, Tarcísio tem perfil distinto do senador. Aliados da família Bolsonaro e integrantes do Centrão já o enxergam como um nome capaz de ocupar esse espaço. Outros governadores, parlamentares e dirigentes partidários também devem buscar espaço na definição dos rumos desse campo político.
Isso não significa que o bolsonarismo tenha perdido força. O sobrenome Bolsonaro continua mobilizando uma parcela expressiva do eleitorado, e Flávio tem legitimidade política para defender suas posições e organizar a oposição. A questão é saber se conseguirá ampliar sua influência para além da base mais fiel e construir consensos com grupos que têm projetos próprios.
A direita terá de conciliar diferentes correntes, do bolsonarismo aos setores mais pragmáticos do Centrão, em torno de uma estratégia comum. Os Estados Unidos podem servir de plataforma para pronunciamentos e contatos internacionais, mas a articulação política cotidiana continuará sendo decisiva.
A eleição terminou, mas a disputa pela liderança da direita está apenas começando. Mais do que definir quem falará em nome desse campo, o desafio será construir um projeto capaz de reunir suas diferentes forças e apresentar uma alternativa ao país.

Fala de Jorginho
Após quatro dias sem se manifestar publicamente sobre a vitória de Lula (PT), o governador Jorginho Mello (PL) publicou ontem, nas redes sociais, uma mensagem em que destacou o desempenho do PL em Santa Catarina e defendeu a pacificação política. Jorginho afirmou que sete em cada dez catarinenses votaram em Flávio Bolsonaro (PL), em referência ao resultado estadual, e disse que a eleição terminou, mas ainda há questionamentos a serem esclarecidos sobre o resultado. O governador também defendeu transparência, respeito ao processo democrático e às instituições brasileiras.
A manifestação ocorre após cobranças pela posição do governador diante do resultado nacional. Jorginho encerrou afirmando que seguirá defendendo os interesses de Santa Catarina e valores como liberdade, família e ordem.

Acordo na Alesc
Jorginho Mello e a bancada do PL, que terá 16 deputados a partir de 2027, fecharam acordo: o deputado Camilo Martins estará na presidência da Alesc no início do biênio 2027-2028, com a deputada Ana Campagnolo na vice. Camilo ficará um ano e meio no cargo e renunciará em meados de 2028 para que Ana assuma a presidência pelos seis meses restantes. O entendimento também contempla Fernando Krelling (MDB), que ficará com a primeira secretaria da Mesa a pedido do governador.

Recuo
Fernando Krelling, que também estava na disputa pela presidência, afirmou que decidiu recuar neste momento por reconhecer a legitimidade do PL, que elegeu a maior bancada da Alesc. Em conversa com Jorginho na tarde de ontem, o deputado avaliou que deu um passo atrás para avançar no futuro e disse que existe uma possibilidade concreta de disputar o comando da Casa no segundo biênio, de 2029 a 2030. Ele atribuiu parte das dificuldades para viabilizar seu nome à posição do MDB na eleição estadual. Segundo Krelling, enquanto ele e o deputado Jerry Comper ficaram de um lado, o partido indicou o vice na chapa encabeçada por João Rodrigues (PSD), prejudicando as articulações neste primeiro momento.

Conexão internacional
A vice-governadora Marilisa Boehm e o secretário executivo de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, apresentaram, em evento na Fiesc, a estratégia de Santa Catarina para ampliar a presença em mercados internacionais, inserir empresas catarinenses em cadeias globais e fortalecer as exportações.
Ao fim do encontro, Marilisa anunciou nove embaixadores honorários que atuarão na aproximação com mercados da Europa e da Ásia e na identificação de oportunidades para a economia catarinense.

Aproximação com a China
O deputado estadual Fabiano da Luz (PT), integrante da Frente Parlamentar Brasil-China da Alesc, recebeu ontem uma comitiva de pesquisadores de universidades chinesas que está em Santa Catarina para discutir uma parceria com a UFSC.
Entre as iniciativas previstas está a instalação de um Instituto Confúcio na universidade, voltado ao ensino da língua e da cultura chinesas. A proposta também busca aproximar estudantes catarinenses de oportunidades de intercâmbio, estudo e pesquisa na China.

Limites parlamentares
O advogado Isaac Kofi Medeiros, doutor em direito pela USP, participa hoje do Legislativo Experience 2026, em Florianópolis, com a palestra “Limites constitucionais da atuação parlamentar”. O especialista abordará os limites da atuação do Judiciário sobre decisões políticas e as prerrogativas dos parlamentares. O evento, promovido pelo Ceap Brasil, será às 15h, no Intercity Hotel SC-401, e também contará com a participação do ministro do STF Luiz Fux.







