O paradoxo das urnas de 2026
A eleição deste ano deixou uma fotografia política que merece leitura para além do resultado das urnas na disputa presidencial. Lula (PT) foi reeleito, derrotou Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu mais quatro anos no Palácio do Planalto. Mas, quando se observa a distribuição do poder político no país, o resultado conta outra história.
O PL ampliou em 53,8% o número de mandatos conquistados em relação a 2022. Saltou de 236 para 363 eleitos, considerando os diferentes cargos, incluindo vice-governadores. É um crescimento expressivo, que não ficou restrito à Câmara dos Deputados. O PL elegeu 121 deputados federais, 212 deputados estaduais e distritais, 19 senadores, seis governadores e cinco vice-governadores.
O contraste com o PT é significativo. A legenda de Lula também cresceu, mas em ritmo bem mais modesto: passou de 196 para 223 mandatos, uma evolução de 13,8%. O partido conseguiu reeleger o presidente, mas não transformou a vitória nacional em uma expansão proporcional de sua força nos Estados e no Congresso.
Lula terá o comando do Executivo federal, mas precisará governar diante de um Legislativo no qual o PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, contra 70 do PT. Mesmo com os aliados da federação, o partido do presidente estará longe de uma maioria própria.
No Senado, o cenário também exige atenção. O PL conquistou 19 das 54 vagas em disputa, ampliando sua participação na Casa. O PT elegeu seis senadores. A oposição terá, portanto, instrumentos importantes para fiscalizar o governo, negociar pautas e estabelecer limites à agenda do Planalto.
Mas talvez o dado mais relevante esteja nos governos estaduais. O PL passou de dois para seis governadores eleitos. O PSD também avançou, chegando a cinco. São estruturas políticas que não se resumem aos mandatos. Um governador tem influência sobre prefeitos, deputados, lideranças regionais e a organização das próximas disputas eleitorais. É uma rede de poder que permanece ativa durante todo o mandato.
O resultado também mostrou o enfraquecimento de partidos tradicionais. União Brasil, PSDB e PDT estão entre as legendas que mais perderam espaço no comparativo entre 2022 e 2026. O União Brasil, por exemplo, teve saldo negativo de 43 mandatos.
A eleição, portanto, não produziu apenas um vencedor presidencial. Produziu uma nova distribuição de poder. Lula ganhou a Presidência. O PL, mesmo derrotado na disputa pelo Planalto, saiu das urnas com uma estrutura política muito maior. E essa talvez seja uma das principais marcas do resultado deste ano.

Volta ao jornalismo
O deputado estadual Mário Motta (PSD) já tem uma decisão sobre o futuro político: não pretende disputar um terceiro mandato na Assembleia Legislativa em 2030. Em entrevista exclusiva ao podcast ND+ Entrevista, do Portal ND Mais, concedida ao colega Arliss Amaro, o parlamentar revelou que considera voltar ao jornalismo, profissão que exerceu durante décadas. Apesar de cogitar o retorno à comunicação, Motta fez questão de deixar claro que não pretende abandonar a política. O que ainda não está definido é qual caminho pretende seguir depois de concluir o segundo mandato na Alesc.

Multa
O Pleno do TRE-SC manteve, na sessão de quinta-feira (29), a decisão que condenou o governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), ao pagamento de multa de R$ 5.320,50 cada por propaganda institucional em período vedado pela legislação eleitoral. A representação questionava um outdoor instalado na alça de acesso ao Elevado do CIC, na Capital, que anunciava a obra e destacava a participação do governo do Estado nos recursos. A decisão original foi do desembargador eleitoral Jaime Machado Júnior.

Crédito ao governo
O entendimento da Justiça Eleitoral é de que a identificação do governo do Estado na publicidade, durante o período eleitoral, configurou conduta vedada, uma vez que Jorginho Mello disputava a reeleição. A decisão considerou que, mesmo custeada pela Prefeitura de Florianópolis, a peça publicitária beneficiava diretamente a administração estadual. Topázio Neto respondeu como responsável pela publicidade, enquanto Jorginho foi enquadrado como beneficiário. A Justiça, porém, afastou a possibilidade de cassação, por entender que o episódio não teve gravidade suficiente.

Novo consorciado
O Cincatarina passa a contar com seu primeiro município consorciado de outro Estado. Barra da Guarita, no Rio Grande do Sul, marca um novo momento na trajetória do consórcio público ao se tornar o primeiro município de fora de Santa Catarina a aderir à instituição. “A adesão reforça o potencial do modelo de cooperação entre municípios para promover mais eficiência na gestão pública”, explica o diretor executivo André Luiz de Oliveira. Criado em 2010, o Cincatarina atua como instrumento de cooperação federativa e integra a administração indireta dos entes da Federação consorciados.

Eleições municipais
O fim da eleição presidencial abre a temporada de discussão sobre a próxima eleição municipal. Na Grande Florianópolis, três das principais cidades terão sucessões abertas em 2028: Topázio Neto (Podemos), em Florianópolis; Orvino de Ávila (PSD), em São José; e Eduardo Freccia (PL), em Palhoça, estão no segundo mandato consecutivo. Na Capital, o deputado estadual eleito Fábio Botelho (Podemos) e a vereadora Manu Vieira (PL) aparecem entre os nomes cogitados para a sucessão com apoio de Topázio. Pela oposição, o deputado estadual reeleito Marquito (PSOL) segue no radar.

São José e Palhoça
Em São José, a lista reúne o vereador Cryslan de Moraes (Novo), o vice-prefeito Michel Schlemper (PL) e a ex-prefeita Adeliana Dal Pont (PL). Outros dois nomes também aparecem nas conversas: o deputado estadual reeleito Sérgio Guimarães (União Brasil), que tem base em Palhoça, mas foi o mais votado em São José, e o ex-prefeito da Capital Gean Loureiro (União Brasil). Depois das derrotas nas disputas pelo governo estadual, em 2022, e pela Alesc, neste ano, Gean busca um projeto político mais sólido para retomar seu espaço. Em Palhoça, o vice-prefeito Rosiney Horácio (Podemos) aparece entre os possíveis sucessores de Freccia. Sérgio Guimarães também integra a lista, amparado pela ligação com a cidade e pela maior votação para deputado estadual no município.





