A virada de Lula e a força do exército digital; Crescimento em SC; Rebuliço; Margem maior; entre outros destaques

A virada de Lula e a força do exército digital

A história política brasileira ganha um capítulo inédito. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente e comandará o país pela quarta vez, feito sem precedentes desde a redemocratização. Aos quase 81 anos, que completa amanhã, o petista consolida uma trajetória que atravessa gerações e profundas transformações no país.

A eleição também registra uma novidade: pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o primeiro turno atrás do adversário conseguiu reverter a desvantagem e vencer no segundo. Depois de Flávio Bolsonaro (PL) sair na frente em 4 de outubro, Lula reorganizou a campanha, mobilizou apoiadores e conquistou a vitória.

A virada resulta de uma combinação de articulação política, mobilização social e estratégia eleitoral. Mas um elemento merece atenção especial: a transformação das redes sociais em instrumentos de organização política, capazes de levar a mensagem de uma campanha muito além dos canais tradicionais.

Nesse ambiente, ganhou relevância o chamado “Exército do Lula”, associado à mobilização digital de apoiadores e à estratégia de comunicação que teve no deputado federal André Janones (Rede-MG) um de seus articuladores. A disseminação de conteúdos e a participação de militantes e perfis anônimos ajudaram a manter o candidato no centro do debate. Pessoas comuns passaram a produzir, compartilhar e impulsionar mensagens, disputando narrativas em tempo real.

A vitória também precisa ser compreendida no contexto da polarização que marca o país desde 2018. O bolsonarismo demonstrou novamente sua força, e o resultado do primeiro turno colocou o campo conservador em posição competitiva. Para reverter o cenário, o PT precisou buscar votos, enfrentar resistências e adaptar sua estratégia.

A eleição mostra que as redes sociais já não são apenas espaços de debate: tornaram-se arenas decisivas da disputa política. Isso não explica sozinho o resultado, mas evidencia como a mobilização digital passou a dividir o protagonismo com partidos, lideranças e estruturas tradicionais.

O quarto mandato consolida a longevidade política de Lula, mas não lhe garante tranquilidade. Sem maioria própria no Congresso, o presidente terá de negociar com um Legislativo no qual forças políticas importantes podem resistir à sua agenda. A vitória não é um cheque em branco, tampouco elimina a polarização.

A virada demonstrou a força de um exército digital. Mas governar exige mais do que mobilização nas redes: exige votos no Congresso, articulação e capacidade de construir maiorias. Lula venceu a eleição. O desafio, agora, será transformar a vitória nas urnas em sustentação política para governar um país dividido.

Crescimento em SC

Apesar da vitória de Flávio Bolsonaro (PL) em Santa Catarina, Lula (PT) ampliou sua votação entre o primeiro e o segundo turnos. O petista passou de 25,04% para 30,6% dos votos válidos, crescimento de 5,6 pontos percentuais. Flávio também avançou, de 66,7% para 69,4%. Os números mostram que Lula ampliou seu apoio no Estado, embora o candidato do PL tenha mantido ampla vantagem.

Engajamento

A ampliação da votação de Lula em Santa Catarina também coloca em evidência a atuação das lideranças progressistas na campanha. Décio Lima, presidente nacional do Sebrae e ex-candidato ao governo pelo PT, e Gelson Merisio (PSB), que disputou o governo do Estado este ano, estiveram entre os nomes envolvidos na mobilização política em torno do presidente.

Rebuliço

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar a votação até as 19h em todo o país provocou turbulência no segundo turno. Um dos principais questionamentos é que o Supremo teria passado por cima do TSE, órgão responsável pela condução do processo eleitoral.

Anunciada quando seções já haviam sido encerradas e a apuração estava em andamento, a medida gerou dúvidas sobre a segurança jurídica do pleito. Flávio Bolsonaro anunciou que pedirá a anulação da eleição. O episódio alimentou a contestação do resultado e abriu uma nova frente de tensão entre as instituições justamente quando o país precisava de clareza e confiança nas regras eleitorais.

Silêncio

O governador Jorginho Mello (PL) preferiu não se manifestar sobre a vitória de Lula (PT) na eleição presidencial. Jorginho acompanhou a apuração na Casa da Agronômica, em Florianópolis, ao lado de aliados, entre eles o prefeito da Capital, Topázio Neto (Podemos). Durante a campanha, o governador se engajou diretamente na candidatura de Flávio Bolsonaro, com participação em atos, principalmente, na região Sul.

Protagonismo

Deputada federal eleita por Santa Catarina, Giovana Mondardo (PCdoB) acompanhou a apuração ao lado de aliados no comitê do presidente reeleito Lula. Na foto, ela aparece com André Janones, deputado federal apontado como um dos articuladores da mobilização digital que impulsionou a campanha petista no segundo turno. Durante a entrevista coletiva após a vitória, Janones era um dos mais cumprimentados. Entre os mais empolgados estava o deputado federal reeleito e líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, que fez questão de celebrar o protagonismo do colega na virada eleitoral.

Margem maior

Lula venceu Flávio Bolsonaro no segundo turno com uma diferença percentual maior do que a registrada contra Jair Bolsonaro em 2022. Na eleição de ontem, o petista obteve 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do candidato do PL, vantagem de 3,54 pontos percentuais.

Há quatro anos, Lula venceu Bolsonaro por 50,90% a 49,10%, diferença de 1,8%. Em votos, a margem também aumentou: de 2,1 milhões em 2022 para cerca de 4,4 milhões este ano.

Minas e a tradição

A máxima de que quem vence em Minas Gerais ganha a eleição presidencial voltou a se confirmar. A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro foi acirrada no Estado e terminou com uma virada no segundo turno. Em 4 de outubro, Flávio recebeu 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula, vantagem de 588,6 mil votos. Ontem, o petista chegou a 50,4%, enquanto o adversário ficou com 49,6%. Lula venceu por uma diferença de aproximadamente 100 mil votos em Minas e também conquistou a Presidência. O Estado, mais uma vez, funcionou como termômetro da disputa nacional.