Cury entra no radar da terceira via; TRE acelera julgamento; Recado com melancia; entre outros destaques

Cury entra no radar da terceira via

A eleição presidencial ganhou nesta semana dois ingredientes inesperados: Augusto Cury (Avante) começou a crescer nas pesquisas, enquanto Renan Santos (Missão) teve a campanha atingida por uma decisão do TSE. Um possível fenômeno eleitoral de um lado, uma crise jurídica do outro.

Cury, escritor e sem carreira política, saltou de 2% para 11% na pesquisa BTG/Nexus e chegou a 7,8% na Atlas/Intel. Ainda distante de Lula e Flávio Bolsonaro, mas deixou de ser apenas um nome periférico. O mais relevante é o espaço que começa a ocupar: o de uma alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo.

O crescimento de alguém que até pouco tempo atrás não estava no radar mostra que existe um eleitorado cansado da guerra permanente. É cedo para saber se a onda vai se sustentar. A política brasileira já produziu fenômenos digitais que não chegaram às urnas com a mesma força. Pesquisa não elege ninguém, mas também não pode ser ignorada quando começa a apontar mudança no humor do eleitor.

Renan, por sua vez, enfrenta uma situação mais delicada. Chamou a decisão do TSE de “injusta, ilegal e persecutória” e “meio ridícula”, e também atacou Cury, classificando sua ascensão como um movimento “inorgânico”, fruto de uma “forte despolitização” do país. A aposta é que o escritor não resistirá ao escrutínio das futuras sabatinas.

O curioso é que Renan agora precisa disputar não apenas votos, mas também o espaço de novidade que Cury começa a ocupar. E o eventual enfraquecimento de sua campanha digital pode acabar ajudando justamente um candidato que cresce nas redes.

É cedo para falar em virada, mas não é cedo para perceber que o roteiro mudou. Cury começa a descobrir que há vida eleitoral fora da polarização. E Renan, ao reagir, mostra que percebeu isso.

TRE acelera julgamento

O TRE-SC terá até 14 deste mês para julgar os registros de candidatura, inclusive os que forem alvo de impugnações e recursos nas instâncias ordinárias. Para dar conta do calendário, a Corte fará três sessões seguidas, de hoje a quinta-feira (3), numa espécie de força-tarefa para acelerar a análise. Até o início da noite de ontem, dos 697 pedidos apresentados, 202 haviam sido deferidos. Outros cinco candidatos haviam renunciado e um pedido não foi concedido.

Desistiu

O único registro não concedido até ontem envolve Marcelo Achutti (MDB), vereador de Balneário Camboriú, que havia sido escolhido em convenção para disputar uma vaga de deputado estadual. Antes da formalização do registro, porém, Achutti comunicou ao partido que não pretendia mais concorrer. Diante da dúvida sobre a autorização para o pedido, a Justiça Eleitoral solicitou esclarecimentos. O MDB apresentou a ata da Executiva Estadual, em 5 de agosto, registrando a desistência e determinando a retirada do nome de Achutti do pedido de registro. A candidatura, portanto, não chegou a ser formalizada na Justiça Eleitoral.

Recado com melancia

A deputada federal Júlia Zanatta (PL) encontrou uma maneira pouco discreta de mandar recado durante o primeiro evento oficial de campanha do PL na Grande Florianópolis, em Biguaçu. Com uma melancia nas mãos, fez referência aos chamados “melancias”: os que seriam “verdes por fora e vermelhos por dentro”. A provocação ocorre em meio às disputas internas do partido e teria como alvos o vice-prefeito de São José, Michel Schlemper (PL), candidato a deputado estadual, e a candidata a deputada federal e vereadora de Florianópolis, Manu Vieira (PL), com os quais Júlia mantém divergências. O gesto, claro, rapidamente virou um dos assuntos do encontro.

O bolso do suplente

Juliano Ávila Custódio, primeiro suplente da candidata ao Senado, Caroline de Toni (PL), abriu a carteira para a campanha: R$ 400 mil. O empresário e investidor aparece entre os financiadores da candidatura ao Senado, que recebeu outros R$ 2,15 milhões do diretório nacional do PL.

Trabalho nos presídios

A secretária de Estado de Justiça e Reintegração Social, Danielle Amorim Silva, participou ontem, em São Paulo, do Congresso Fiesp de Segurança Pública. Convidada para palestrar, ela apresentou a experiência catarinense no painel sobre controle do sistema prisional, com destaque para o trabalho como ferramenta de disciplina, segurança e reintegração. Atualmente, mais de 11 mil presos trabalham em Santa Catarina, em parceria com 273 empresas.

Ruídos do santinho

O material de campanha do deputado estadual Camilo Martins (PL), com o senador Esperidião Amin (PP) ao lado de Camilo e de outros nomes do partido, e deixou Caroline de Toni (PL) de fora provocou ruídos. A explicação veio depois: a peça não foi produzida nem custeada pela campanha de Camilo, mas adquirida pelo vereador Pitanta (PL), com o próprio CPF. Camilo reafirmou que seus candidatos ao Senado continuam sendo Caroline e Carlos Bolsonaro. O candidato a deputado federal Jair Renan (PL), que está no material, tratou de reforçar a dobradinha, reafirmando apoio aos dois nomes. A movimentação mostra como a composição ao Senado começa a exigir demonstrações públicas de lealdade, especialmente diante do desempenho de Amin nas pesquisas.