Campanha ainda não decolou em Santa Catarina; Pé na estrada; Clima azedou; Farpas; entre outros destaques

Campanha ainda não decolou em Santa Catarina

A exatos 82 dias da eleição, Santa Catarina vive um cenário pouco comum para quem acompanha política. A campanha ainda não ganhou as ruas, o debate segue morno e o clima predominante é de normalidade. Em outros Estados, a eleição já faz parte do dia a dia dos eleitores. Em Santa Catarina, a sensação ainda é de que ela sequer começou.

Esse ambiente favorece diretamente quem está no governo. O governador Jorginho Mello (PL) chega à reta final da pré-campanha com uma vantagem importante. Enquanto os adversários ainda trabalham para consolidar seus projetos, Jorginho antecipou movimentos decisivos ainda no início do ano. Definiu Adriano Silva (Novo), ex-prefeito de Joinville, como pré-candidato a vice-governador, e montou uma chapa competitiva para o Senado.

A antecipação da formação do grupo permitiu que o governador passasse os últimos meses sem a pressão das negociações internas, concentrando esforços na agenda administrativa. O ambiente político catarinense está tão tranquilo que Jorginho pôde cumprir compromissos em São Paulo sem que sua ausência provocasse qualquer desgaste ou alimentasse crises no Estado.

Isso acontece também porque a oposição ainda produziu poucos temas capazes de mobilizar o eleitorado. Até aqui, nenhum debate colocou o governador em posição de fragilidade. Não há fatos políticos que tenham alterado o rumo da disputa.

João Rodrigues percorre Santa Catarina intensificando agendas e fortalecendo a aliança construída com MDB, PP e União Brasil. É um trabalho consistente de organização política, mas que, até o momento, ainda não produziu um fato capaz de mudar o ambiente eleitoral ou acelerar a disputa.

Já Gelson Merísio, pré-candidato ao governo pelo PSB e nome da frente de esquerda, concentra seus esforços em reuniões internas e agendas fechadas com lideranças partidárias. Ainda não iniciou uma aproximação mais ampla com associações, federações e entidades representativas dos diversos setores da sociedade catarinense, sinalizando que a prioridade continua sendo organizar internamente sua coalizão antes de ampliar o diálogo externo.

Com os principais adversários ainda estruturando suas campanhas, Jorginho administra um cenário confortável. Faltam apenas 11 semanas para a eleição. E, até aqui, o maior aliado do governador talvez tenha sido justamente a ausência de uma campanha de fato.

Setentão

No dia em que completa 70 anos, o governador Jorginho Mello confirmou presença na reunião-almoço da bancada do PL, a maior da Alesc, para uma nova conversa pré-eleitoral com os 14 deputados. A última aconteceu em abril, quando Jorginho recepcionou os novos integrantes da bancada após o fim da janela eleitoral e pediu união em torno das ações do governo para enfrentar as eleições estaduais deste ano. O encontro, inicialmente, está marcado para o gabinete do líder da bancada, deputado Marcius Machado (PL).

Pé na estrada

O pré-candidato ao governo João Rodrigues (PSD) inicia o 10º roteiro pelo Estado desde que deixou a Prefeitura de Chapecó, em março. Segundo sua equipe, já foram mais de 70 cidades visitadas em agendas com lideranças políticas, entidades e representantes do setor produtivo. As viagens têm reunido também o pré-candidato a vice, Carlos Chiodini (MDB), além dos pré-candidatos ao Senado, Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB), reforçando a chapa de oposição ao governo.

Clima azedou

A análise do projeto que altera a política de cotas em Santa Catarina expôs um ambiente de polarização na Assembleia Legislativa. Antes mesmo do início da discussão, o plenário da CCJ já estava tomado por estudantes, representantes de movimentos sociais e lideranças do movimento negro. O estopim veio logo após a leitura do parecer pela admissibilidade do relator Maurício Peixer (PL). Gritos de “racistas” partiram da plateia em direção aos deputados favoráveis ao projeto, obrigando o presidente da comissão, Pepê Collaço (PP), a interromper os trabalhos e pedir respeito ao direito de fala dos parlamentares, seguido de uma advertência de que a sessão poderia ser suspensa.

Troca de farpas

Os momentos mais duros da sessão ficaram por conta da troca de argumentos entre Alex Brasil (PL) e a deputada Luciane Carminatti (PT). Enquanto a petista defendeu as cotas como instrumento de reparação histórica e afirmou que Santa Catarina deveria “parar de passar vergonha no Brasil”, o parlamentar respondeu lembrando sua origem indígena e questionando quantos servidores negros os defensores das ações afirmativas mantêm em seus gabinetes. O debate elevou a temperatura da reunião e antecipou o tom que deve marcar a discussão quando o projeto voltar à pauta da CCJ.