A pena além da pena; Segundo voto; Indireta; Empate; Sabotagem; entre outros destaques

A pena além da pena

O ministro Alexandre de Moraes suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar desde novembro de 2025. A medida foi tomada depois que o senador divulgou, em suas redes sociais, uma carta atribuída ao ex-presidente reafirmando apoio à candidatura do filho.

Para Moraes, o episódio configura descumprimento das condições da prisão domiciliar, que vedam a Bolsonaro qualquer uso de redes sociais, direto ou indireto – e aponta reincidência, já que situação parecida teria ocorrido em agosto de 2025.

Do ponto de vista estritamente jurídico, a decisão tem lastro: se a prisão domiciliar veda o uso de redes sociais mesmo por intermédio de terceiros, e se há registro de episódio semelhante no passado, é coerente que o magistrado responsável pela execução da pena trate a reincidência com mais rigor.

Ainda assim, a decisão comporta questionamentos legítimos. O primeiro é de proporcionalidade: suspender por 90 dias o contato entre pai e filho – coincidindo com o período que vai até o primeiro turno das eleições de outubro; é uma medida que atinge tanto a convivência familiar quanto a articulação política do senador, que hoje é pré-candidato e depende de sua relação com o pai para consolidar apoio dentro do PL.

Ainda que a sanção não tenha sido desenhada com esse objetivo, o efeito prático de atingir justamente a janela mais decisiva da campanha exige que a Justiça seja especialmente clara sobre por que 90 dias – e não um prazo mais curto, ou uma advertência prévia; era a medida necessária e proporcional ao fato concreto.

O segundo ponto é o da causalidade: a decisão pune a visita de Flávio, mas o próprio Moraes reconhece que ainda não está definido se houve, de fato, participação de Jair Bolsonaro na divulgação da carta, já que pediu explicações à defesa sobre o ocorrido.

Suspender o direito de visita antes de esclarecer a autoria e a intenção por trás da publicação inverte, em alguma medida, a ordem lógica de apuração: primeiro se pune o efeito, depois se apura a causa.

Nenhum desses pontos anula o argumento central da decisão – o de que condições de prisão domiciliar existem para serem cumpridas, e que reincidência tem consequências. Mas processos que afetam diretamente a disputa eleitoral, ainda que como efeito colateral, pedem fundamentação especialmente robusta, para que a legitimidade da medida não fique refém da percepção de que o calendário político pesou mais do que deveria na balança da decisão judicial.

Segundo voto

O vereador de São José e pré-candidato a deputado estadual Cryslan de Moraes afirmou que o Novo decidiu apoiar a pré-candidatura da deputada Caroline De Toni (PL) ao Senado, defendendo a união das forças de direita, e ao pré-candidato a vice-governador Adriano Silva (Novo). Nos bastidores, porém, ganha força a avaliação de que uma parcela significativa de lideranças da sigla tende a destinar o segundo voto ao senador Esperidião Amin (PP), e não ao também pré-candidato Carlos Bolsonaro (PL). O movimento indica que, mesmo fora da aliança formal do governador Jorginho Mello, Amin segue competitivo entre partidos do campo conservador.

Indireta

Ao falar sobre a disputa ao Senado, o senador Esperidião Amin (PP) evitou citar nomes, mas deixou um recado. Em entrevista ao ND Mais, defendeu que a eleição seja uma competição de projetos e afirmou que “quem não sabe das nossas origens catarinenses pode até ter boa inspiração, mas não sabe exatamente para onde devemos ir”. Nos bastidores, a fala foi lida como uma alfinetada em Carlos Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Senado pelo Estado.

Empate

A nova pesquisa BTG/Nexus reforça a estabilidade da disputa presidencial. Em um eventual segundo turno, o presidente Lula (PT) aparece com 47% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registra 44%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, o cenário configura empate técnico. Em relação ao levantamento anterior, os dois pré-candidatos permaneceram estáveis, indicando que a polarização segue sem alterações significativas. A pesquisa foi feita entre os dias 10 e 12 de julho e registrada no TSE sob o número BR-07981/2026.

Reação

A decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro mobilizou parlamentares catarinenses do PL. A deputada federal Caroline De Toni afirmou que a medida representa interferência nas relações familiares e defendeu o respeito às garantias fundamentais. Já a deputada Júlia Zanatta questionou o fato de Flávio ter sido impedido de visitar o pai mesmo na condição de advogado e comparou o episódio às visitas recebidas por Lula durante o período em que esteve preso.

Sabotagem

O senador licenciado Jorge Seif Júnior (PL) também saiu em defesa de Flávio Bolsonaro e classificou a decisão como mais um capítulo de uma tentativa de enfraquecer sua pré-candidatura à Presidência. Em publicação nas redes sociais, afirmou que as “crescentes nas pesquisas” estariam incomodando adversários e disse que, após “sabotagens internas”, agora haveria uma ação direta do STF contra o senador.