Seis votos: use bem a sua vez;
Cada catarinense ficará alguns minutos diante da urna no domingo (4). É pouco tempo para decisões que valem por quatro ou oito anos e que mexem com a escola do filho, a estrada que você pega todo dia, o hospital quando você precisar de atendimento e o preço do que chega à sua mesa.
Há quem diga que um voto não muda nada. É uma frase confortável, porque dispensa o esforço de pensar e transfere a culpa para o conjunto. Mas conjunto nenhum vota sozinho: a eleição é a soma de decisões individuais, feitas uma a uma, dentro de uma cabine onde ninguém vê o que se digita. É o único lugar do país em que o porteiro e o empresário têm exatamente o mesmo peso.
Neste domingo, esse poder será exercido seis vezes. O catarinense escolhe deputado estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente da República. Seis mandatos, seis pedaços do futuro entregues a quem for eleito.
Tratar essa tarefa como formalidade é deixar que outros decidam por nós. O eleitor costuma esquecer que o voto não termina na urna. Ele é o começo de uma relação. Quem elege passa a ter direito de cobrar: acompanhar como os deputados votam, em que o governo gasta, o que o senador defende. O mandato é emprestado, e quem empresta tem o direito de saber como está sendo usado.
Há, claro, o barulho. Em tempos de polarização, o debate é empurrado para a briga, e o voto vira atestado de lado. Mas o poder do eleitor está justamente em resistir a isso. Ninguém é obrigado a escolher por raiva, por hábito ou porque o parente decidiu assim. O eleitor tem o direito, e a responsabilidade, de perguntar ao candidato o que ele pretende fazer pela saúde, pela escola, pela estrada. Quem se informa fica menos suscetível ao slogan e mais difícil de enganar.
Então a pergunta que importa não é se o seu voto muda tudo. É o que acontece se ninguém o usar bem. A resposta está nos resultados que reclamamos todos os dias: obras paradas, serviços precários, leis que não nos representam. Eles não surgiram do nada. Alguém foi eleito para produzi-los, e alguém votou.
No domingo, a palavra é sua. Chegue informado, escolha com critério e depois não vá embora: cobre, acompanhe, fiscalize. O voto dura um minuto, mas a cidadania dura o mandato inteiro.

Virou cobrança
O apoio de João Rodrigues (PSD) a Flávio Bolsonaro (PL), anunciado quinta-feira (1º), rendeu cobrança do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), que não deixou passar e resgatou a própria saída do PSD, que atribui à decisão de apoiar Jorginho Mello (PL) antes da campanha. Ele usou as redes e disse que foi coerente e aproveitou para cutucar João: depois de passar a campanha criticando os filhos de Bolsonaro, agora estaria buscando o voto bolsonarista. No fim, ainda deixou a pergunta no ar: será que o PSD vai pedir a cabeça de João também? A resposta, por enquanto, fica para depois da eleição.

Timing
João Rodrigues, por sua vez, jura que o timing é de propósito. Disse que preferiu declarar antes da votação para ninguém vir depois com o “ah, mas agora tu diz isso”. Sobre a mudança de rumo, explicou que marchou com o candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, mas concluiu que o ex-governador goiano não ganhou musculatura eleitoral para a corrida do Planalto.

Boneco barrado
O TRE-SC determinou a retirada, em até duas horas, de um boneco em tamanho real usado por um candidato a deputado estadual do PL em atos de campanha em Florianópolis. A estrutura representava o presidente Lula com uniforme de presidiário e foi instalada em passeio público, acompanhando o candidato durante atividades eleitorais.
O relator, desembargador Marcelo Carlin, entendeu que o artefato se enquadra na proibição de utilização de bonecos e estruturas semelhantes em bens públicos ou de uso comum. A decisão também impede que o material volte a ser utilizado nesses locais durante a campanha. A Justiça Eleitoral, porém, deixou para após a defesa a análise sobre eventual propaganda ofensiva ou divulgação de fato sabidamente inverídico.

Debate além do fato
Sentei para ver o Fato & Camadas, do Grupo ND, e saí com a sensação de ter acompanhado uma conversa de verdade. Apresentado por Arliss Amaro, o episódio reuniu Carlos Alberto Di Franco, Luís Menegnhim, Fernando Schüller e Leonardo Corrêa para discutir os limites do STF e a relação entre os Poderes. A partir do editorial “O Brasil chegou ao limite” e do caderno República dos Escândalos, o programa fez exatamente o que o nome propõe: foi além do fato e abriu diferentes camadas de um debate que interessa a toda a sociedade.

Sem bala de prata
O debate sobre possíveis mudanças no STF passou por mandato para ministros, limites para decisões monocráticas, foro privilegiado, critérios de indicação e mecanismos de responsabilização. Fernando Schüller resumiu: “não tem bala de prata”. E esse talvez seja o principal ponto. Qualquer mudança precisa respeitar a Constituição e não pode transformar mecanismos de controle em armas de disputa política. O mérito do Grupo ND foi colocar diferentes visões na mesma mesa e deixar ao público o exercício mais importante: ouvir, refletir e formar a própria opinião.

Saúde na pauta
Às vésperas das eleições, a ACM (Associação Catarinense de Medicina) cobra dos candidatos o compromisso de colocar a saúde entre as prioridades dos próximos quatro anos. A entidade destaca pautas como fortalecimento do SUS, valorização e autonomia médica, formação de qualidade, segurança do paciente, combate à precarização e incentivo à ciência e à pesquisa.
A ACM afirma que a escolha dos eleitores deve considerar propostas capazes de garantir uma assistência mais justa e eficiente à população.





