O problema é a legitimidade
O STF chegou a um ponto em que precisa olhar para dentro. O crescente desgaste da Corte, a multiplicação das críticas e a transformação do impeachment de ministros em bandeira eleitoral para candidatos ao Senado não podem ser tratados apenas como ataques políticos ou discurso de campanha. Há um problema de percepção pública que precisa ser enfrentado antes que a própria instituição pague um preço ainda maior.
O Supremo precisa “se reinventar” e fazer uma autocrítica para recompor sua legitimidade diante da sociedade. O alerta vai além das decisões dos ministros e alcança questões como salvaguardas internas, conflitos de interesse e a necessidade de transparência.
O ponto central é simples: não basta ao STF ter fundamento na Constituição. Precisa também ter legitimidade perante a sociedade. Uma instituição pode ter enorme poder constitucional e, ainda assim, perder autoridade quando a percepção de parcela significativa da população é de que seus limites estão sendo ultrapassados.
A discussão chega justamente no momento em que candidatos ao Senado transformam o impeachment de ministros em uma das bandeiras da eleição de 2026. O ministro Gilmar Mendes afirmou que esses candidatos terão “imensas dificuldades” para levar a pauta adiante. Talvez seja justamente aí que esteja o alerta: em vez de apenas explicar por que o impeachment seria difícil, o Supremo deveria se perguntar por que essa bandeira está encontrando espaço nas urnas.
O STF é uma instituição fundamental para a democracia. Por isso mesmo não deveria temer a autocrítica. Quanto maior o poder, maior deveria ser a disposição para explicar, corrigir excessos e recuperar a confiança de quem está do outro lado do balcão: a sociedade.

Primeira doação
O governador Jorginho Mello (PL) declarou as primeiras doações recebidas para sua campanha à reeleição. Os valores somam R$ 10 mil e estão registrados na página dele no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O primeiro doador foi o diretório estadual do PL. Outros candidatos ao governo do Estado ainda não registraram doações para suas campanhas.

Bancada em bloco
A bancada catarinense na Câmara praticamente decidiu repetir a formação atual na eleição de 2026. Dos 16 deputados federais de Santa Catarina, 14 registraram candidatura à reeleição, o equivalente a 87,5% da bancada. O índice está acima da média nacional, de 85,2%, segundo levantamento com os 513 parlamentares em exercício. Os dois deputados que não tentarão renovar o mandato também não estão deixando a política eleitoral. Carlos Chiodini (MDB) concorre a vice-governador, enquanto Carol de Toni (PL) deixou a Câmara para tentar uma vaga no Senado. O movimento catarinense acompanha uma tendência nacional: dos 513 deputados, 437 querem continuar na Câmara. Apenas 76 partiram para outras disputas ou decidiram não concorrer.

Melhor lugar
A postagem de Carlos Bolsonaro (PL) ao lado da mãe Rogéria Carvalho, no Rio de Janeiro, não caiu bem por aqui — e não poderia ser diferente. Candidato ao Senado pelo Estado, Carlos passou mais um dia longe dos catarinenses para participar da campanha da própria mãe e ainda publicou uma foto com a legenda “melhor lugar do mundo”. Pode até estar se referindo ao colo materno. Mas, para muitos eleitores catarinenses, a leitura é inevitável: o melhor lugar do mundo continua sendo o Rio, não Santa Catarina. A cena expõe uma contradição difícil de esconder. Carlos quer uma das duas vagas de Santa Catarina no Senado, mas sua campanha começa marcada pela ausência no Estado e pela presença constante ao lado da família Bolsonaro. O candidato parece ter escolhido outro caminho: ficar no Rio e SP e apostar que o sobrenome Bolsonaro fará a travessia até as urnas catarinenses.

Trampolim
Para seus defensores, pode ter sido apenas uma declaração de amor à mãe. Para os catarinenses que esperam um candidato ao Senado presente no Estado que pretende representar, porém, a postagem transmite outra mensagem: o “melhor lugar do mundo” parece continuar sendo o Rio de Janeiro. É a confirmação, em tempo real, do que seus críticos internos vêm dizendo desde o ano passado: para Carlos Bolsonaro, Santa Catarina parece continuar sendo, antes de tudo, um trampolim — e não um destino.

Eu mudei
Em fala durante a sabatina da NDTV, o candidato do PSB ao governo do Estado, Gelson Merisio, foi direto ao explicar a mudança de posição: “Quem mudou? Eu mudei, mudei com muito prazer”. O candidato, que já esteve alinhado ao campo da direita e chegou a declarar voto em Jair Bolsonaro em 2018, hoje disputa o governo de Santa Catarina em uma frente de centro-esquerda e assume que precisou rever conceitos para se aproximar das bandeiras históricas da esquerda. A mudança, segundo ele, não foi apenas eleitoral. Merisio afirmou que tem feito um esforço para se conectar às pautas defendidas historicamente pela esquerda nas áreas de cultura, segurança pública e mobilidade. “Eu que mudei, não foram eles”, resumiu.







