O horário eleitoral ainda pesa; Trava na pesquisa; Fôlego; Regime de urgência; entre outros destaques

O horário eleitoral ainda pesa

O início do horário eleitoral gratuito acontece em um cenário muito diferente daquele que marcou as primeiras campanhas em que a televisão passou a ser decisiva. Hoje, o eleitor está no celular, recebe informação pelo WhatsApp, acompanha candidatos pelas redes sociais e, muitas vezes, descobre um fato político pelo algoritmo antes de vê-lo no telejornal. Ainda assim, seria um erro decretar o fim da importância desse espaço na campanha eleitoral.

O horário eleitoral continua sendo um dos poucos momentos em que todos os candidatos conseguem falar diretamente ao eleitor, sem depender do algoritmo, da viralização ou da boa vontade de quem compartilha o conteúdo. É uma vitrine importante.

Jorginho Mello (PL) parte com a vantagem do maior tempo de televisão, resultado do tamanho das alianças que conseguiu construir. João Rodrigues (PSD) terá menos minutos e, por isso, precisará compensar na estratégia e nas redes. Os demais candidatos terão de transformar poucos segundos em alguma coisa capaz de sobreviver à enxurrada de informação que chega diariamente ao eleitor.

E há uma mudança de comportamento que não pode ser ignorada: o horário eleitoral não é mais um evento isolado da campanha. Um candidato aparece na televisão pela manhã, o trecho é recortado, vira vídeo para Instagram, TikTok e YouTube, circula em grupos de WhatsApp e, dependendo do desempenho, pode voltar para a televisão à noite. TV e redes deixaram de ser concorrentes. São partes do mesmo jogo.

Por isso, o horário eleitoral que começa hoje tem uma missão diferente da de décadas atrás. Não será necessariamente o lugar em que a campanha acontece, mas será o lugar onde muitas vezes ela será traduzida. A televisão ainda dá alcance; as redes dão velocidade; e a combinação das duas pode definir quem consegue transformar exposição em voto.

Em Santa Catarina, a largada na televisão também será um teste de maturidade dos candidatos. Quem entender que não basta aparecer e falar, mas que é preciso produzir uma mensagem que funcione na televisão, no celular e na conversa de rua, largará na frente.

Senado na largada

Dados do TSE mostram que os principais candidatos ao Senado em Santa Catarina começam a campanha fortemente dependentes das estruturas partidárias. Afrânio Boppré (Psol) recebeu R$ 377,1 mil, praticamente tudo da direção nacional; Caroline de Toni (PL) registra R$ 2,15 milhões, integralmente do partido; e Décio Lima (PT), R$ 2,22 milhões, também da direção nacional. Esperidião Amin (PP) recebeu R$ 100 mil do diretório estadual, enquanto Antídio Lunelli (MDB) aparece com R$ 150 mil em recursos próprios. Carlos Bolsonaro (PL) é, até aqui, a exceção, pois não registrou doação para a campanha.

Curiosidade na prestação

Uma curiosidade aparece nos dados do TSE sobre a campanha de Décio Lima (PT) ao Senado. O petista recebeu R$ 19 mil de Dário Berger, ex-senador e ex-prefeito de Florianópolis. O valor, isoladamente, não chama atenção pelo tamanho, mas pelo gesto: Dário não está na disputa eleitoral deste ano. Ele foi candidato ao Senado em 2022 na chapa liderada por Décio.

Trava na pesquisa

A Coligação “Fé no Trabalho e Pé na Tábua” entrou na Justiça Eleitoral para tentar barrar a divulgação da pesquisa Neokemp, registrada no TSE sob o número SC-08694/2026. A coligação questionou a metodologia usada pelo instituto e apontou problemas como a utilização de dados do Censo de 2010. A Justiça, porém, não suspendeu a pesquisa. A relatora, desembargadora Luiza Cesar Portella, entendeu que não havia provas de fraude ou manipulação. Por outro lado, fez uma ressalva: como a Neokemp mudou a metodologia, os números do novo levantamento não podem ser comparados com pesquisas anteriores do instituto. Na prática, a pesquisa pode ser divulgada, mas sem aquele tradicional “subiu X, caiu Y” em relação aos levantamentos anteriores.

Fôlego

O governo do Estado e a Fiesc fecharam um pacote de até R$ 186 milhões para as 132 exportadoras mais expostas às novas tarifas dos EUA. A medida prevê R$ 126 milhões em créditos de ICMS e outros R$ 60 milhões em impostos com pagamento postergado. O objetivo é preservar cerca de 43 mil empregos. A parceria também revela o tamanho da preocupação do setor produtivo: segundo o levantamento, cerca de R$ 3,8 bilhões das exportações catarinenses aos EUA estão potencialmente sujeitos à nova tarifa.

14º salário

O vereador Ricardo Pastrana (PSD) apresentou relatório favorável ao projeto enviado pelo prefeito Topázio Neto (Podemos) que amplia benefícios para procuradores do município de Florianópolis. O PLC 02031/2026 prevê, entre outros pontos, verba adicional paga em dezembro, tratada pelos críticos como “14º salário”, além de mudanças que permitiriam aos procuradores alcançar remuneração próxima ao teto do Judiciário, na faixa dos R$ 41 mil.

Regime de urgência

A proposta também prevê vale-alimentação de R$ 5.400, auxílio-saúde de cerca de R$ 4.000 e mudanças na distribuição dos honorários advocatícios. O projeto tramita em regime de urgência na Câmara Municipal e teve parecer favorável de Ricardo Pastrana na CCJ.