O exemplo que constrange a elite do serviço público brasileiro
Há gestos que valem mais pelo simbolismo do que pelo impacto financeiro. É por isso que a decisão do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de recusar um reajuste de 18% em seu próprio salário merece atenção muito além dos Estados Unidos. Ela expõe, por contraste, um comportamento que se tornou quase natural no Brasil: o de uma elite política e burocrática frequentemente mais mobilizada para ampliar os próprios benefícios do que para responder às prioridades da população.
Enquanto no Brasil os debates sobre reajustes, auxílios, penduricalhos e vantagens para os ocupantes dos cargos mais elevados do Estado surgem com espantosa regularidade, o cidadão comum continua preocupado com filas na saúde, violência, educação precária e o peso dos impostos. Ninguém faz campanha eleitoral pedindo aumento para prefeito, parlamentar, magistrado ou procurador. Mas basta observar a pauta de muitos gabinetes para perceber que, em Brasília e nos tribunais, essa parece ser uma preocupação permanente.
Foi exatamente esse o argumento usado por Mamdani. Ao explicar por que recusaria o aumento, afirmou que, durante toda a campanha, ninguém lhe disse que o salário do prefeito era um problema. A frase, de tão simples, desmonta uma lógica que há décadas contamina parte das instituições brasileiras: a de que o cargo público, sobretudo no topo da hierarquia, deve ser acompanhado de uma sucessão interminável de vantagens.
É evidente que o Estado precisa remunerar bem seus quadros e preservar a independência de juízes, procuradores e gestores públicos. O problema começa quando a defesa de salários elevados se transforma em prioridade política, enquanto o país convive com serviços públicos que continuam aquém do que o contribuinte financia.
Não é uma crítica ao servidor que atende no posto de saúde, à professora da escola pública ou ao policial que enfrenta as ruas. É uma crítica à casta instalada no topo da máquina pública, que frequentemente encontra justificativas jurídicas para ampliar remunerações, mas raramente demonstra a mesma criatividade para reduzir privilégios ou aumentar a eficiência do Estado.
O prefeito de Nova York não resolveu os problemas da cidade ao abrir mão do reajuste. Mas lembrou algo que parte da elite do serviço público brasileiro parece ter esquecido: ocupar um cargo público significa representar o interesse coletivo, não administrar a própria folha de pagamento.

Uber no SUS
Pacientes do SUS de Palhoça que precisarem de auxílio para chegar a consultas, exames e tratamentos poderão contar com transporte por aplicativo. A medida foi criada pelo vereador Vitor da Saúde, por meio do Projeto de Lei nº 0004/2025, transformado na Lei nº 5.808 após sanção do prefeito Eduardo Freccia. A legislação autoriza o município a contratar empresa especializada para atender pacientes em tratamento contínuo, em situação de vulnerabilidade, idosos, gestantes, pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de casos emergenciais. O serviço também poderá ser utilizado por profissionais da rede municipal de saúde em visitas domiciliares e outras atividades oficiais.

Eleitorado feminino
O eleitorado feminino de Santa Catarina segue crescendo eleição após eleição. Segundo o TRE-SC, as mulheres representavam 51,91% do eleitorado catarinense em 2022 e passaram a 52,26% em 2026, somando 2.992.155 eleitoras; um avanço de 0,35 ponto percentual, o que representa um crescimento relativo de cerca de 0,67% em relação ao pleito anterior.

Descompasso
O avanço do eleitorado feminino, no entanto, não se traduz no Legislativo catarinense na mesma velocidade. É o que observa o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, para quem o crescimento da presença de mulheres no eleitorado segue descompassado em relação à ocupação de cadeiras no parlamento, tanto na esfera estadual quanto na federal. Os números reforçam a observação do presidente do TRE-SC. Na Assembleia Legislativa, apenas três das 40 cadeiras são ocupadas por mulheres. Na bancada catarinense da Câmara dos Deputados, a participação feminina é maior, mas ainda distante da maioria do eleitorado: quatro das 16 vagas (31,25%) pertencem a deputadas federais.

Ausência
Apesar de ser o pré-candidato do PL ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro não participou do lançamento da candidatura do irmão Flávio Bolsonaro à Presidência da República, evento que contou até com a presença do presidente argentino Javier Milei. Segundo o PL, Carlos está nos Estados Unidos e, por isso, gravou uma mensagem em vídeo em apoio ao irmão. A ausência, porém, chamou atenção. Anunciado há semanas como pré-candidato, Carlos ainda mantém uma agenda pública irregular em Santa Catarina. Embora já tenha sido informado o reforço de equipes de marketing e comunicação, a estratégia para consolidar sua candidatura segue cercada de indefinições e ainda parece buscar um rumo mais claro.

Reaproximação
Na mesma semana em que participou de um evento do PL Mulher de Balneário Camboriú ao lado da deputada federal Carol de Toni, a prefeita Juliana Pavan e seu pai, o prefeito de Camboriú, Leonel Pavan, receberam e organizaram um grande encontro para o pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD). Nos bastidores, o nome de Juliana era tratado como certo entre os apoiadores do governador Jorginho Mello, especialmente após os anúncios envolvendo o hospital da região. De lá para cá, porém, o cenário parece ter mudado.





