O desafio começa depois da aprovação; Perdas e Ganhos; Podemos x PSD; entre outros destaques

O desafio começa depois da aprovação

A aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado deverá representar uma vitória para quem defende melhores condições de trabalho e mais tempo livre para os brasileiros. O direito ao descanso, à convivência familiar e à qualidade de vida é uma reivindicação legítima. Mas, superada a etapa política da votação, começa o desafio mais importante: transformar a proposta em uma mudança viável, capaz de conciliar os interesses de trabalhadores e empregadores.

A redução da jornada pode representar um avanço nas relações de trabalho. O benefício, porém, dependerá de como as novas regras serão aplicadas e dos efeitos que produzirão sobre a economia. Não basta aprovar uma medida de grande apelo popular. É preciso garantir que sua implementação preserve empregos, produtividade e a sustentabilidade dos negócios.

As dúvidas são concretas. Como serão reorganizadas as equipes dos setores que funcionam todos os dias? Haverá necessidade de novas contratações? Como adaptar atividades que dependem de funcionamento contínuo? Essas questões exigem atenção, especialmente em segmentos nos quais pequenas empresas têm menos alternativas para reorganizar suas operações. Também é necessário reconhecer que os efeitos não serão iguais para todos.

Grandes empresas têm condições diferentes das enfrentadas por pequenos comerciantes, restaurantes e prestadores de serviços. Ao mesmo tempo, as dificuldades de adaptação do setor produtivo não podem servir para ignorar os benefícios que uma jornada mais equilibrada pode proporcionar aos trabalhadores.

A aprovação no Senado, portanto, não encerra o debate. Ao contrário, aumenta a responsabilidade do Congresso e do governo na definição das regras e na avaliação das consequências práticas. É fundamental ouvir os setores envolvidos, estabelecer uma transição adequada e esclarecer como a mudança será implementada.

O calendário eleitoral recomenda ainda mais cautela. Uma conquista trabalhista não deve ser reduzida a um troféu político, assim como as preocupações dos empregadores não podem ser tratadas como oposição aos direitos dos trabalhadores. O país precisa superar essa falsa escolha entre proteger quem trabalha e preservar quem emprega.

A aprovação pode ser uma vitória política, mas o sucesso da mudança será medido pelos resultados. Se a nova escala melhorar a qualidade de vida sem comprometer a manutenção dos empregos e a continuidade das atividades econômicas, o país terá avançado.

Podemos x PSD

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), avaliou o desempenho do partido nas urnas e usou como régua o PSD, legenda da qual saiu em um episódio que ele próprio já chamou de “praticamente uma expulsão”. Para Topázio, o Podemos fez uma boa eleição e saiu “praticamente do tamanho” do antigo partido. A conta apresentada é a seguinte: os dois elegeram deputado federal.

Perdas e ganhos

Na Alesc, o PSD fez três estaduais e o Podemos, dois. A diferença está no ponto de partida. O PSD tinha quatro cadeiras, reelegeu apenas os que já tinha e perdeu uma, a de Júlio Garcia, que foi eleito deputado federal e não teve a vaga ocupada. Já o Podemos tinha uma só, a de Paulinha, que também foi eleita para a Câmara Federal, e colocou dois nomes no lugar dela: Osmar Teixeira e Fábio Botelho. Em resumo, na leitura de Topázio, o Podemos dobrou de bancada estadual enquanto o ex-partido encolheu.

Desempenho em Florianópolis

Topázio Neto destacou ainda o desempenho de Jorginho Mello (PL) na Capital nas eleições de 4 de outubro. O governador conquistou cerca de 100 mil votos a mais do que na eleição de 2022, mesmo enfrentando candidatos da centro-direita e da esquerda. O apoio do prefeito contribuiu para o resultado, em um cenário de crescimento expressivo da votação de Jorginho na cidade.

União de governadores

Os governadores eleitos do Paraná e do Rio Grande do Sul, Sergio Moro (PL) e Luciano Zucco (PL), e o reeleito em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), participaram ontem de agendas com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em Porto Alegre. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também acompanhou o candidato. A senadora eleita por Santa Catarina, Carol de Toni (PL), esteve presente no ato. Sábado (17), Jorginho, Moro e Zucco participam de uma motociata em Florianópolis.

Empate técnico

Pesquisa Quaest divulgada ontem mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% do presidente Lula (PT). A diferença configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Em relação ao levantamento anterior, de 3 de outubro, ambos avançaram dois pontos. A Quaest ouviu 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro, com nível de confiança de 95%.

Boulos em Florianópolis

Lideranças da esquerda catarinense promovem hoje, às 17h30, no Largo da Alfândega, em Florianópolis, um ato pela reeleição de Lula (PT), com a presença do ministro Guilherme Boulos. A mobilização busca ampliar a votação do petista em Santa Catarina, onde Flávio Bolsonaro (PL) conquistou 66,65% dos votos válidos no primeiro turno, contra 25,04% de Lula.