Empate técnico sinaliza eleição imprevisível
Há uma armadilha fácil na leitura da nova pesquisa Datafolha: tratá-la como uma fotografia de quem está ganhando. Não é isso. O levantamento divulgado sábado é, antes de tudo, o retrato de dois candidatos que lideram a corrida presidencial e, ao mesmo tempo, enfrentam resistências quase simétricas. Lula com 48% de rejeição, Flávio Bolsonaro com 46%. Números que, mais do que revelar fragilidades individuais, descrevem a natureza da disputa que se aproxima.
Flávio aparece pela primeira vez numericamente à frente no segundo turno — 46% a 45% —, dentro da margem de erro, como manda o protocolo técnico. Mas o dado político relevante não é o empate em si: é o que representa no médio prazo. Desde o fim de 2025, o senador vem reduzindo consistentemente a distância para Lula. Esse movimento aparece em institutos diferentes, com metodologias distintas, o que tira da jogada qualquer argumento de distorção amostral. Flávio cresceu. E seguiu crescendo mesmo enquanto o debate público era dominado por outros temas.
O problema para os dois lados é estrutural. Com rejeições nessa faixa, nenhum dos dois tem espaço livre para crescer. O eleitorado já está, em grande medida, distribuído. Conquistar novos votos exige convencer quem hoje recusa — e isso, em polarizações profundas, raramente acontece por proposta de governo. Acontece por erro do adversário, por desgaste acumulado ou por uma virada de narrativa que ainda não está no horizonte.
É nesse vácuo que Romeu Zema e Ronaldo Caiado existem politicamente. Ambos empatam tecnicamente com Lula em simulações de segundo turno com índices de rejeição significativamente menores. Não é competitividade real, por ora. É sinalização. O eleitor que rejeita os dois líderes precisa de algum lugar para se imaginar. Zema e Caiado ocupam esse espaço simbólico, mesmo sem estrutura de campanha equivalente. Se a dinâmica da rejeição se aprofundar ao longo do ano, esse espaço pode ganhar peso concreto.
Uma eleição polarizada, aberta e imprevisível. Lula segue como líder inicial, mas enfrenta um adversário consolidado e competitivo. A ausência de vantagem clara no segundo turno, somada aos altos índices de rejeição, sugere uma disputa prolongada e altamente dependente da dinâmica da campanha.

Troca confirmada
O governador Jorginho Mello confirmou a troca no comando da Celesc. Conforme antecipado pelo portal ND Mais, sábado (11), o atual presidente da empresa, Tarcísio Rosa, deixará o cargo, após pouco mais de três anos à frente da estatal. Seu substituto será Edson Moritz, até então presidente da Casan. Ao confirmar a mudança, Jorginho elogiou a gestão de Moritz na companhia de saneamento, destacando que foi a primeira vez na história da Casan que a empresa registrou lucro, resultado obtido, segundo o governador, com “profissionalismo e respeito a Santa Catarina”. Jorginho deve fazer o anúncio oficial na manhã de hoje.

Mudança na Casan
A ida de Edson Moritz para a Celesc abre a vaga na presidência da Casan, e o nome escolhido para substituí-lo também já está definido: Pedro Joel Horstmann (foto), diretor de Operação e Expansão da companhia e integrante do quadro da Casan desde 1985. A escolha de um nome da casa sinaliza continuidade na gestão que o governador fez questão de enaltecer publicamente. Com mais de quatro décadas na empresa, Horstmann assume a companhia num momento em que a Casan colhe os resultados positivos e sob o olhar do governador.

Fundo eleitoral
Uma discussão pública nas redes sociais expôs no fim de semana que a rachadura dentro do PSD ainda deixa marcas. Em comentários no Instagram, o ex-prefeito de Chapecó e pré-candidato ao governo do Estado, João Rodrigues (PSD), afirmou ter aberto mão do fundo eleitoral, em 2024, em favor do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), sem que o gesto fosse reconhecido. A resposta veio do ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Florianópolis e pré-candidato a deputado estadual, Fábio Botelho, que desmentiu a versão publicamente: “Você não abriu mão de nada — o fundo foi tratado direto com a nacional.”

Raiz antiga
A briga que transbordou para as redes teve raiz em uma decisão política de meses: Topázio Neto resolveu apoiar a reeleição do governador Jorginho Mello (PL), contrariando o PSD, que pretendia lançar o próprio João Rodrigues ao governo do Estado. O partido reagiu com um pedido de expulsão; Topázio se antecipou e pediu desfiliação em 19 de março, publicando carta em que chamou a candidatura de Rodrigues de “projeto sem sentido”. Em 27 de março, o prefeito se filiou ao Podemos, legenda à qual Fábio Botelho já pertencia.

Longe da harmonia
O clima político entre o ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, e o atual chefe do Executivo municipal, Vaguinho, está longe de ser harmonioso. Apesar de ter sido eleito com o apoio de Clésio, o prefeito enfrenta críticas veladas e, em alguns momentos, explícitas do seu antecessor, que não esconde o descontentamento com os rumos da atual gestão. Do lado de Vaguinho, a postura também contribui para o distanciamento, já que não há esforço visível para manter proximidade política.

Posição discreta
No contexto das articulações, o contraste se intensifica. Enquanto Clésio Salvaro já declarou apoio ao ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, Vaguinho, filiado ao PSD, tem adotado posição discreta e evita se posicionar publicamente. O prefeito, inclusive, não compareceu a eventos recentes do partido em apoio ao nome de João Rodrigues, o que amplia as especulações sobre seu alinhamento político no próximo pleito.





