Crise nacional atinge aliança em SC; Greve enfraquecida; Desconforto; Almoço quente; entre outros destaques

Crise nacional atinge aliança em SC

O Novo em Santa Catarina entrou em modo de contenção de danos depois que o pré-candidato a presidente, Romeu Zema, soltou um vídeo criticando duramente o senador Flávio Bolsonaro (PL) após o vazamento de áudios em que o filho do presidente Jair Bolsonaro apareceu ironizando o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do pai. Em vez de ecoar o tom de ruptura do presidenciável, o diretório estadual preferiu cutucar Zema por trás, classificando sua crítica como “precipitada e desnecessária” e lembrando que o posicionamento não passou pelo alinhamento partidário. É uma maneira educada de dizer: “Você está queimando a casa no xadrez nacional, mas aqui dentro a gente quer continuar jogando com o PL na mesa”.

Santa Catarina, o partido entra para manter a narrativa de que a aliança com Jorginho Mello (PL) e Adriano Silva (Novo) não será abalada por uma briga entre Zema e os bolsonaristas. A nota que reafirma a “sólida” união da direita no Estado soa mais como um exercício de contenção política do que uma garantia definitiva. O Novo-SC sabe que, se o racha nacional crescer, o desgaste inevitavelmente chega ao palanque estadual.

Há um motivo concreto para o desconforto. Em Santa Catarina, PL e Novo construíram uma das alianças mais simbólicas da direita brasileira para este ano. Jorginho já lançou o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, como pré-candidato a vice-governador em sua chapa à reeleição, numa composição vista pelos dois partidos como vitrine nacional da aproximação entre bolsonarismo e liberalismo.

Por isso, a reação foi tão rápida. O temor nos bastidores é que a crise nacional entre Zema e o bolsonarismo transforme Santa Catarina em campo de batalha de uma disputa presidencial antecipada.

A fala da deputada federal Júlia Zanatta (PL), dizendo que existe clima dentro do PL nacional para rever alianças com o Novo, acendeu alerta imediato entre dirigentes catarinenses. Ainda que ninguém admita publicamente, o receio é que o episódio contamine justamente o estado onde a parceria entre os partidos está mais avançada.

O diretório catarinense do Novo reagiu quase em tom cirúrgico: criticou Zema sem romper com ele e defendeu a aliança sem confrontar o bolsonarismo. O objetivo é preservar o projeto local enquanto Brasília pega fogo. Não por acaso, dirigentes do partido passaram a enfatizar que defendem investigação sobre o caso envolvendo Flávio, mas sem transformar o episódio numa guerra pública dentro da direita.

Enfraquecimento

A Prefeitura de São José considera que a adesão à paralisação dos servidores municipais caiu significativamente ontem, após o prefeito Orvino Coelho de Ávila anunciar desconto salarial para faltantes. Os números apontam que na Educação a adesão recuou 40,7%, ficando em 13,67%; Assistência Social foi a 13,64% (de 19,67%) e Saúde caiu para 7% (de 20%). A avaliação é que a ordem de corte de ponto é apontada como causa do enfraquecimento do movimento. A prefeitura diz garantir serviços essenciais e permanece aberta ao diálogo.

Desconforto

A nomeação do ex-presidente estadual do PP, Leodegar Tiscoski, para a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços do governo Jorginho Mello, gerou desconforto nos bastidores progressistas. Integrantes do partido avaliam a ida ao governo não representa um movimento coletivo da sigla, mas uma articulação pessoal em busca de espaço na estrutura estadual. A leitura predominante é de que Tiscoski priorizou um projeto próprio ao aceitar o cargo, contrariando lideranças que defendem alinhamento ao senador Esperidião Amin e ao pré-candidato ao governo João Rodrigues. Em março, Tiscoski e Aldo Rosa chegaram a ensaiar uma aproximação com a base governista, mas o movimento foi contido por lideranças nacionais e estaduais do partido. Aldo também é apontado por aliados como peça com agenda própria dentro desse contexto.

Almoço quente

O governador Jorginho Mello (PL) esteve ontem em Joinville para um almoço reservado na casa do ex-prefeito e pré-candidato a vice, Adriano Silva (Novo). A agenda oficial incluiu a assinatura da ordem de serviço para a construção da nova Penitenciária Industrial de Joinville. Os dois têm mantido encontros frequentes, numa aproximação que o ambiente político do Norte catarinense acompanha de perto. O almoço foi no dia seguinte à turbulência nacional com a crise envolvendo o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — em que o pré-candidato a presidente, Romeu Zema (Novo), foi um dos primeiros a atacar o senador publicamente. Com certeza, no cardápio, o clima entre os dois partidos após as declarações do ex-governador mineiro.

Pré-candidatos

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (União-PP), confirmou presença no painel de presidenciáveis da ACIF durante o Conexão 2026. Ele explicou “O Brasil que Queremos” ao lado de Romeu Zema (Novo). A conversa está marcada para a próxima segunda-feira (18), das 19h às 20h, no CentroSul, em Florianópolis. O painel integra a programação do Conexão 2026 e deve reunir empresários, lideranças políticas e representantes do setor produtivo em um debate sobre economia, gestão pública, ambiente de negócios e os caminhos do país nos próximos anos.