As três principais barragens do sistema de contenção de cheias do Vale do Itajaí deverão estar em pleno funcionamento dentro de 60 dias. A informação foi apresentada pelo secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza, durante reunião da comissão mista da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), criada para acompanhar as ações preventivas diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño.
Segundo o secretário, a barragem de Ituporanga já opera integralmente por meio de controle remoto, enquanto a estrutura de Taió está totalmente funcional com operação local. Já a barragem de José Boiteux passa por manutenção e deve ser concluída até o final de julho, restabelecendo sua capacidade total de operação.
Durante o encontro, os parlamentares aprovaram um requerimento para ampliar o debate sobre prevenção de desastres climáticos. A proposta prevê a participação dos consórcios intermunicipais e da União dos Vereadores de Santa Catarina (Uvesc), com o objetivo de levantar as principais necessidades enfrentadas pelos municípios.
Fabiano de Souza destacou ainda que a Defesa Civil mantém 172 estações meteorológicas distribuídas pelo Estado, com maior concentração no Vale do Itajaí. Os equipamentos enviam informações à central de monitoramento a cada 15 segundos, permitindo acompanhamento contínuo das condições climáticas.
Entre as medidas preventivas já executadas, o secretário citou o desassoreamento de aproximadamente 350 quilômetros de rios, obra que recebeu investimentos de R$ 227 milhões, dos quais cerca de R$ 100 milhões foram aplicados em parceria com as prefeituras.
Outra iniciativa destacada é a manutenção de estoques estratégicos de alimentos e itens essenciais nos centros regionais da Defesa Civil em Rio do Sul, Herval d’Oeste e Joaçaba. Conforme o secretário, mais de R$ 40 milhões foram investidos para garantir atendimento rápido em situações de emergência, com capacidade para abastecer até 160 municípios em casos de enchentes e 62 cidades durante períodos de estiagem.
Para enfrentar a falta de água, especialmente no Oeste catarinense, o Governo do Estado entregou 112 caminhões-pipa aos municípios. Outros 100 veículos já foram licitados, mas a entrega ocorrerá somente após o período eleitoral, conforme determina a legislação.
As defesas civis municipais também receberam viaturas com tração 4×4, drones e equipamentos de informática. Além disso, foi implantado um programa de recuperação e manutenção de pontes e cabeceiras em diversas regiões do Estado.
Na área de comunicação, a Defesa Civil investe na ampliação do sistema de envio de alertas meteorológicos por celular. A expectativa é eliminar áreas sem cobertura com a implantação de equipamentos de comunicação via satélite.
Também foram destinados R$ 22,1 milhões para ações de prevenção, incluindo simulados de desastres e programas de educação voltados a estudantes.
Durante a reunião, o secretário comentou o decreto estadual de alerta climático, que busca agilizar o planejamento das ações governamentais diante da previsão de eventos extremos associados ao El Niño. Segundo ele, dados recentes da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam aumento da intensidade do fenômeno a partir de setembro, elevando o risco de chuvas acima da média histórica em Santa Catarina.
De acordo com Fabiano de Souza, o período de maior preocupação será entre o final de setembro e os meses de outubro, novembro e dezembro, quando há possibilidade de precipitações intensas capazes de provocar alagamentos e outros transtornos.
Os deputados também apresentaram sugestões para fortalecer a estrutura da Defesa Civil. Entre elas estão a criação de um fundo permanente para custear ações emergenciais, a destinação de parte dos orçamentos dos poderes para prevenção de desastres e o avanço de propostas legislativas que garantam mais recursos ao setor.
Outro tema debatido foi a modernização da comunicação entre as equipes de emergência. O secretário informou que o Estado iniciará a contratação de serviços de telefonia via satélite, ampliando a capacidade de resposta em situações críticas.
Sobre a barragem de José Boiteux, considerada a principal estrutura de contenção de cheias do Estado, Fabiano de Souza explicou que os trabalhos de manutenção envolvem o reparo de uma das comportas, cuja estrutura sofreu danos desde 2023. A barragem possui capacidade para reter cerca de 357 milhões de metros cúbicos de água, volume superior à capacidade somada das barragens de Ituporanga e Taió.








