Brasil disputa o tom do 7 de setembro
O feriado da Independência nasce como símbolo da fase política do país: o desfile na Esplanada divide a manhã de Brasília com manifestações políticas simultâneas, enquanto São Paulo reedita, na Paulista, o confronto entre direita e esquerda, tradição desde 2021. O 7 de setembro deixou de ser celebração cívica unificada, virou capítulo da própria campanha eleitoral.
A oposição chega à data com pauta que mistura eleições, STF, impeachment e rejeição ao governo. O caso Banco Master colocou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ainda mais no centro do discurso, e o embate entre ministros do Supremo, após o conflito com André Mendonça, oferece combustível extra a uma manifestação que já vinha sendo preparada como palanque político.
A avenida Paulista, principal palco bolsonarista desde a pandemia, recebe ato convocado pelo candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro – mais vitrine de força eleitoral do que protesto de rua. Ao mesmo tempo, o centro paulistano recebe atos de esquerda, incluindo o tradicional Grito dos Excluídos e Excluídas, que ocorre desde 1995 nesta data, com pautas como fim da escala 6×1 e reforma agrária.
Não é coincidência que a direita ganhe fôlego agora: as mensagens reveladas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, questionando investigações da PF, reacenderam a bandeira do “Fora Moraes” bem a tempo do feriado.
Do outro lado, o Planalto mobiliza apoiadores para lotar o desfile oficial, em Brasília. O discurso de Lula ignorou a crise do STF e focou em soberania nacional, sob o tema “A Força que Une o Brasil”. Ontem, o presidente fez pronunciamento em cadeia nacional defendendo que o Brasil “não será colônia de ninguém”, citando minerais críticos e a Margem Equatorial.
A estratégia reflete cálculo claro: não alimentar a narrativa de autoritarismo e tratar o ato da direita como manifestação eleitoral, não cívica. Lotar o desfile oficial envia mensagem de força, buscando desmobilizar a base bolsonarista e atrair o eleitor de centro, cansado da polarização.
As ruas funcionam como termômetro: se a direita mobilizar massas, o tom da eleição será de pressão institucional; se o governo lotar o desfile, o tom será de unidade e soberania. No meio, o STF vive sua hora mais baixa, com opinião pública dividida.
Em cenário de empate técnico e rejeição recorde, o 7 de setembro pode definir o tom do segundo turno. Quem ganhar as ruas, ganha a narrativa da campanha.

Governo na bancada
A segunda rodada de sabatinas do projeto começa hoje, na NDTV Record, colocando os quatro principais candidatos ao governo de Santa Catarina frente a frente com os eleitores. Gelson Merisio abre a série, hoje, seguido por Ralf Zimmer, Jorginho Mello e João Rodrigues. As entrevistas são ao vivo, a partir das 7h30, durante o SC no Ar, com 20 minutos para cada candidato. A escolha da ordem por sorteio evita qualquer discussão sobre privilégio, mas a sequência também ajuda a medir o momento da disputa. Na reta final da eleição, cada minuto de televisão pesa – e cada resposta pode virar munição para a campanha.

Senado no divã
Na próxima semana, o Grupo ND volta a colocar os candidatos na bancada, desta vez na disputa pelo Senado. Serão seis sabatinas, começando por Esperidião Amin, no dia 14, e seguindo com Jefferson da Rocha, Antídio Lunelli, Afrânio Boppré, Caroline de Toni e Décio Lima. Carlos Bolsonaro ficou fora por decisão própria. A ausência é difícil de passar despercebida. Candidato ao Senado, Carlos terá de convencer o eleitor de que, embora tenha construído sua trajetória política no Rio de Janeiro, pode representar os interesses do Estado. É uma ausência que cobra explicação.
Lembrar que, ao contrário da disputa pelo governo, em que o eleitor tende a acompanhar uma corrida mais concentrada, a eleição de duas vagas para o Senado pode reservar surpresas até o último voto.

Propaganda suspensa
O TRE-SC suspendeu liminarmente uma propaganda de Jorginho Mello (PL) que divulgava o resultado de uma pesquisa eleitoral com destaque para o percentual de votos válidos. A representação foi apresentada pela coligação que reúne PSD e MDB. O relator, desembargador eleitoral substituto Marcelo Carlin, determinou a suspensão imediata da inserção e sua substituição.

Informação escondida
A decisão não questiona, em princípio, a utilização do percentual de votos válidos. O problema, segundo o relator, foi a forma como a pesquisa apareceu na televisão: o resultado recebeu grande destaque, enquanto as informações técnicas obrigatórias foram exibidas em caracteres reduzidos, na vertical e por apenas seis segundos. Para Marcelo Carlin, não basta a informação estar na tela, ela precisa ser clara e compreensível ao eleitor. A campanha terá dois dias para apresentar defesa e está sujeita a multa de R$ 5.000 por veiculação irregular, limitada a R$ 50 mil. A decisão é liminar e o processo ainda terá manifestação do Ministério Público Eleitoral antes do julgamento definitivo.

Senado como prioridade
Lula transformou a eleição para o Senado em prioridade para este ano, diante da dificuldade do governo em formar maioria no Congresso. Dos 54 nomes mais competitivos apontados pelo levantamento do Poder360, 27 são da oposição e 21 estão ligados ao presidente. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, lidera entre as legendas, com 11 candidatos competitivos. Com dois terços das cadeiras em disputa, a eleição para o Senado será uma batalha paralela à corrida presidencial – e poderá definir o espaço de manobra do próximo governo a partir de 2027.

Denúncias nas ruas
O aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, contabilizava, até o início da noite de ontem, 522 denúncias de irregularidades eleitorais em Santa Catarina. O dado chama atenção pela concentração: 283 registros, mais da metade do total, envolvem propaganda em vias públicas. Na sequência aparecem propaganda na internet, com 70 denúncias, e uso de bens públicos, com 47. A disputa proporcional concentra a maior parte dos registros. São 297 denúncias envolvendo candidatos a deputado estadual e 139 a deputado federal. Governador aparece com 18 registros e Senado, com dez. Florianópolis lidera entre os municípios, com 105 denúncias, seguida por Blumenau (53) e Palhoça (47). A fiscalização eleitoral já ganhou as ruas, literalmente.





