A ferida ainda aberta no PL
Jorginho Mello convocou a tropa. O jantar de segunda-feira (4) com os parlamentares do PL foi mais do que um encontro protocolar, foi um recado claro de que o governador quer o partido organizado e com discurso afinado antes que a corrida eleitoral esquente de vez. Na conversa dentro da Casa da Agronômica, estava praticamente toda a espinha dorsal do PL catarinense. O tom, segundo quem participou, foi de mobilização.
Mas quem esperava ver um PL completamente pacificado saiu do jantar com uma impressão diferente.
Para entender o tamanho da ferida, é preciso voltar alguns meses. A situação do PL para este ano estava razoavelmente organizada: Jorginho à reeleição ao governo, com Esperidião Amin como candidato ao Senado, e a deputada federal Caroline De Toni disputando a outra vaga. Foi quando chegou a notícia de que o então vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) viria ocupar a vaga da candidatura ao Senado por Santa Catarina. Vista como uma imposição de cima para baixo, sem consulta às lideranças locais. O resto da história, vocês leitores já conhecem.
O embate veio a público no fim de outubro de 2025, quando Carlos chamou a deputada Ana Campagnolo de “mentirosa” e classificou suas declarações como “baixaria” após ela defender que a vaga do PL ao Senado seria naturalmente de Caroline De Toni. A crise foi tão funda que Eduardo Bolsonaro entrou no embate, acusando Ana de ingratidão e quebra de hierarquia. O que era tensão interna virou conflito público, com repercussão nacional.
No jantar de segunda-feira, os dois estiveram na mesma mesa. O clima, segundo relatos de participantes, ainda carregava peso. Houve considerações de ambos os lados, mas nada que configure, por enquanto, uma reconciliação definitiva. Posaram para a foto com Jorginho.
Fora da mesa, outra ausência disse muito. A deputada federal Júlia Zanatta foi convidada e não foi. A justificativa seria um distanciamento de Carlos das lideranças de base pelo Estado, o que incomoda a parlamentar.
O desafio de Jorginho é real. Um PL fragmentado em ano eleitoral é risco que nenhum governador quer correr. Mas costurar um partido em que o candidato ao Senado ainda não conquistou a confiança de parte dos colegas catarinenses exige mais do que boa vontade e um jantar bem regado. Exige tempo – e tempo, este ano, é o que menos sobra.

Colisão dos Destinos
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), escolheu Florianópolis para a pré-estreia do documentário “A Colisão dos Destinos”, que narra a trajetória do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O filme, dirigido por Doriel Francisco e produzido por Mário Frias, tem estreia nos cinemas brasileiros confirmada para o próximo dia 14. A sessão reservada desta sexta-feira (8), numa sala de cinema na SC-401, reunirá Flávio, o irmão Carlos, o governador Jorginho Mello e nomes do PL nacional. A escolha de Santa Catarina não foi por acaso: é o Estado que mais apoiou Jair Bolsonaro eleitoralmente e funciona como vitrine perfeita para o pré-candidato à presidência.

Fim da CPI
A Anoreg-SC (Associação dos Notários e Registradores de Santa Catarina) reforçou que o requerimento de criação da CPI na Alesc, apresentado pelo deputado Ivan Naatz, foi devidamente analisado pelos órgãos técnicos da Alesc, tendo sido rejeitado e arquivado por ausência dos requisitos legais e regimentais necessários à sua instauração, conforme parecer da Procuradoria da Casa. A associação reforça que sempre esteve e permanece à disposição para o diálogo institucional transparente e responsável com todas as autoridades e órgãos competentes. A entidade diz acreditar que instrumentos como CPI devem ser utilizados com responsabilidade e observância estrita aos requisitos legais, e não como manobras eminentemente eleitoreiras.

Voto secreto
A senadora Ivete da Silveira (MDB) recusou-se a revelar como votou na sessão de escolha de Jorge Messias ao STF, escudando-se no sigilo da votação secreta. “Não sou obrigada a dizer como votei”, declarou à Jovem Pan News de Florianópolis. É verdade, senadora, tecnicamente não é. Mas moralmente é outra conversa. A senhora representa Santa Catarina, recebe salário pago pelo contribuinte catarinense e não quer dar explicação? O mandato popular deveria impor o dever da transparência. Afinal, a senhora não ocupa uma cadeira privada num clube reservado de Brasília. Representa Santa Catarina. Representa milhões de catarinenses. O problema não é apenas esconder o voto. É esconder-se atrás dele. Quando um senador se recusa a explicar uma decisão dessa passa ao eleitor a impressão de que a conveniência política vale mais do que a responsabilidade pública.

Bom churrasco
Após um bom churrasco na Casa da Agronômica, a informação é que o governador Jorginho Mello (PL) conseguiu apaziguar o clima entre a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) e o pré-candidato ao Senado, Carlos Bolsonaro (PL). O deputado Carlos Humberto (PL), recém-nomeado presidente do partido em Balneário Camboriú, participou do encontro e comemorou a reaproximação entre Ana e Carlos. Na foto, Jorginho, Carlos Humberto, Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro.

Greve injustificada
O prefeito de São José, Orvino Coelho de Ávila, reagiu publicamente à paralisação dos servidores municipais, classificando o movimento grevista como iniciativa de caráter político, motivada pelo ano eleitoral. Em vídeo nas redes sociais, o chefe do Executivo destacou que o reajuste salarial já havia sido concedido e incorporado à folha de pagamento de maio, tornando, na sua avaliação, a greve injustificada. “Quem paga a conta é a população e os bons servidores”, afirmou, ao criticar os impactos da paralisação sobre os serviços públicos municipais.

Diálogo
Orvino Coelho garantiu que áreas sensíveis como educação e saúde seguirão funcionando normalmente, com prioridade para o atendimento de crianças nas escolas e pacientes na rede pública. O prefeito de São José sinalizou disposição para o diálogo e afirmou que a prefeitura manterá as negociações com o sindicato abertas, com o objetivo de encerrar a paralisação o mais rapidamente possível.






