A escada que afunila a política brasileira; Marqueteiro; Taxa das blusinhas; Veto; entre outros destaques

A escada que afunila a política brasileira

A eleição deste ano será um divisor de águas para o sistema partidário brasileiro. A cláusula de barreira ficou mais dura: partidos precisam alcançar 2,5% dos votos válidos nacionais para deputado federal, distribuídos em nove Estados, ou eleger 13 deputados federais em nove unidades da federação. Em 2030, a régua sobe de novo. É uma escada que não para de subir e nem todo mundo consegue acompanhar o ritmo.

Os defensores da medida têm argumentos sólidos. O Brasil chegou a ter mais de 30 partidos com representação na Câmara, muitos deles sem identidade programática clara, criados menos para representar ideias do que para negociar apoio, tempo de televisão e fatia do fundo partidário. A cláusula força as legendas a provarem que têm base social real e presença nacional, não apenas um punhado de deputados puxados por candidatos individuais em um ou dois Estados.

Mas os críticos também têm razão em parte. O mecanismo favorece estruturalmente os grandes partidos, que já partem com vantagem de recursos, capilaridade e visibilidade. Para uma sigla pequena, com proposta genuína, mas ainda sem escala nacional, a barreira pode ser menos um filtro de qualidade e mais um obstáculo de sobrevivência.

Na prática, a resposta do sistema tem sido as federações. Cinco delas estão registradas no TSE para este ano, reunindo desde gigantes como União Brasil e Progressistas até siglas menores que precisam somar votos para não perder acesso ao fundo e ao tempo de rádio e TV. É uma solução funcional, mas com custo: os partidos federados precisam atuar juntos por quatro anos, o que exige alinhamento político nem sempre fácil de sustentar.

O modelo brasileiro assemelha-se mais aos sistemas que buscam consolidação partidária, como Alemanha e Israel, do que aos que priorizam a máxima representatividade. A principal diferença é a ausência de isenções para partidos que representam minorias – o que torna o filtro ainda mais severo para as legendas menores.

Este ano, a disputa proporcional será também uma batalha de sobrevivência institucional. Quem não cruzar a linha de corte não some do mapa, mas perde oxigênio. E partido sem oxigênio não dura muito.

Luz amarela

O aumento do número de pessoas em situação de rua em Balneário Camboriú começa a provocar críticas até na base da prefeita Juliana Pavan (PSD) na Câmara de Vereadores. Descontente, um vereador aliado desabafou: “Parece que está muito solto, para não dizer largado”.

Marqueteiro

O pré-candidato ao governo do Estado, João Rodrigues (PSD), busca o nome de um marqueteiro que trabalhou com João Doria, em São Paulo, e que, em Joinville, em 2024, fez a campanha do deputado Sargento Lima à prefeitura – ficou em segundo lugar, com 11% dos votos. O núcleo da campanha justifica que só vai contratar o que couber no orçamento. Por isso, João Rodrigues tem olhado para nomes mais em conta no mercado.

Complexo de saúde

O governador Jorginho Mello (PL) e o prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD) formalizaram uma articulação para a criação de um novo complexo de saúde no Sertão do Maruim, em São José. Pelo acordo, a prefeitura doará o antigo campus da Univali ao Estado, que ficará responsável pela reforma e pela gestão da unidade, com foco especial em traumatologia para atender a Grande Florianópolis. O projeto segue agora para análise e votação na Câmara Municipal. Se aprovada, a iniciativa converterá um patrimônio atualmente ocioso em um eixo fundamental para a rede de saúde catarinense.

Aliados

Para o governador Jorginho Mello, consolidar um eixo de saúde em São José é estratégico para ampliar sua popularidade na região metropolitana da Capital, um colégio eleitoral decisivo. Além disso, diante do ensaio de um embate entre PL e PSD pelo governo do Estado, Jorginho sinaliza uma tentativa de atrair alas do PSD para sua base de apoio, ou pelo menos seduzir prefeitos importantes do partido.

Digitalização

Municípios do Sul do país lideram o ranking nacional de digitalização de serviços públicos apresentado durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília. Manoel Ribas (PR), Arroio do Tigre (RS) e Mafra aparecem nas primeiras posições do levantamento da Softplan sobre uso de Inteligência Artificial e digitalização nas prefeituras. O diagnóstico ouviu representantes de mais de 50 cidades brasileiras e avaliou o nível de modernização da gestão pública municipal.

Fungetur

A Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados promoveu, em Brasília, audiência pública para debater o aperfeiçoamento da legislação do Fungetur (Fundo Geral de Turismo), instrumento considerado estratégico para o desenvolvimento do setor e das regiões brasileiras. O encontro reuniu representantes do governo federal, setor produtivo, especialistas e entidades ligadas ao turismo e ao desenvolvimento rural. A audiência foi conduzida e solicitada pela deputada federal Daniela Reinehr (PL-SC), presidente da comissão, com o objetivo de coletar subsídios técnicos para futuras propostas de modernização do fundo e ampliação do acesso ao crédito.

Taxa das blusinhas

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) acionou o STF contra a medida provisória que zerou o imposto sobre importações de até 50 dólares, a chamada “taxa das blusinhas”. A entidade alega que a MP 1.357/2026 fere a livre concorrência e prejudica a indústria nacional ao dar tratamento privilegiado a produtos estrangeiros. O setor industrial alerta para o risco de demissões e critica o uso de uma medida provisória para um tema sem a urgência constitucional exigida.

Veto

O governador Jorginho Mello vetou o projeto de lei que obrigava o fornecimento gratuito de pulseiras de identificação para crianças de até 12 anos em praias, praças, parques e eventos públicos no Estado. O veto se baseia em inconstitucionalidade: o projeto criava despesa obrigatória sem previsão orçamentária e invadia competências do Executivo e dos municípios. Corpo de Bombeiros e Polícia Militar, consultados durante o processo, também apontaram problemas constitucionais e a ausência de recursos para bancar a medida.