A eleição começa agora; Contra o decreto; Experiência paulista; Pressão por Pastrana; entre outros destaques

A eleição começa agora

Acabou o ensaio geral. A partir de hoje, quando se abre oficialmente o período de convenções partidárias, a eleição de 2026 deixa de ser uma disputa de bastidores para ganhar contornos definitivos. Até 5 de agosto, os partidos terão de transformar discursos em atas, alianças em compromissos formais e pré-candidaturas em candidaturas oficiais. É a fase em que a política troca a especulação pela responsabilidade.

As convenções costumam ser vistas como um rito burocrático, mas são, na prática, um dos momentos mais importantes do processo eleitoral. É ali que se encerram negociações, acomodam-se interesses regionais, escolhem-se os candidatos a vice, definem-se as coligações e se mede a capacidade de cada liderança em manter unido o próprio grupo. Muitos acordos sobrevivem à pré-campanha; outros desmoronam quando precisam ser assinados.

Em Santa Catarina, o calendário já revela o tamanho da disputa. A Frente Democrática, integrada por PSB, PT, PDT e Psol, abre a sequência amanhã, quando oficializará Gelson Merisio como candidato ao governo. No dia 1º de agosto, será a vez de João Rodrigues confirmar sua candidatura pelo PSD, sustentado por uma aliança com PP, União Brasil e MDB. Na mesma data, o governador Jorginho Mello oficializará a candidatura à reeleição pelo PL, em convenção que reunirá também Novo, Podemos e Republicanos.

Embora os nomes já sejam conhecidos, é durante esse período que se descobre a consistência de cada projeto político. Uma convenção cheia demonstra força, mas uma convenção sem ruídos internos vale ainda mais. A capacidade de manter aliados satisfeitos costuma dizer muito sobre o fôlego de uma campanha antes mesmo do primeiro voto.

E há um detalhe que raramente ganha manchetes. Enquanto os holofotes estarão voltados aos discursos e às fotos de unidade, a verdadeira engenharia eleitoral acontece nas nominatas proporcionais. É delas que dependerá o tamanho das bancadas, a sobrevivência de muitos partidos e o futuro político de dezenas de candidatos.

A campanha começa oficialmente no papel. Mas é nas convenções que se descobre quem chega à largada realmente organizado para disputar o voto do eleitor.

Contra o decreto

Às vésperas da entrada em vigor do decreto que altera a regulamentação do Marco Civil da Internet, o senador Esperidião Amin (PP-SC) tenta acelerar a reação do Senado. O parlamentar apresentou um requerimento de urgência para que a Casa analise o projeto de lei que susta os efeitos da norma editada pelo presidente Lula. Para isso, precisa reunir ao menos 21 assinaturas. Amin afirma que o decreto representa uma ameaça à liberdade de expressão e intensificou a mobilização entre os colegas e nas redes sociais.

Experiência paulista

O vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL), estará em São José hoje para apresentar as estratégias adotadas pela capital paulista no enfrentamento à Cracolândia, à população em situação de rua e ao tráfico de drogas. A palestra, promovida pela Aemflo e CDL São José, também abordará o programa de monitoramento inteligente Smart Sampa. O debate ganha relevância em um momento em que a Grande Florianópolis busca alternativas para enfrentar desafios semelhantes na área da segurança pública.

Contagem regressiva

A semana começa com novos marcos do calendário eleitoral. Hoje, o TSE deve divulgar os limites de gastos de campanha por cargo e o número de eleitores aptos em cada município, dados que servirão de base para regras como a contratação de cabos eleitorais. Já amanhã, o TRE-SC reúne autoridades e imprensa, em Florianópolis, para apresentar o consolidado do eleitorado catarinense e outros detalhes da organização das eleições de 2026.

Pressão por Pastrana

Lideranças do PSD pressionam o vereador de Florianópolis, Ricardo Pastrana, para trocar a pré-candidatura a deputado estadual pela disputa de deputado federal. A avaliação é que, com forte presença nas redes sociais, ele reforçaria uma nominata federal. Outro argumento é evitar o congestionamento de candidaturas do partido na Grande Florianópolis, onde Mário Motta e outros nomes também disputarão vagas na Assembleia. A principal resistência é desfazer as dobradas que Pastrana já construiu com candidatos a deputado federal.

Na fila

O ministro Alexandre de Moraes chegou à marca de 52 pedidos de impeachment protocolados no Senado desde 2021, quase metade dos 105 apresentados contra integrantes do STF no período. Na sequência aparecem Gilmar Mendes, com 14 pedidos, Dias Toffoli, com 12, e Flávio Dino, com oito. O mais recente foi apresentado pelo líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto (PL-PB), que acusa Moraes de abuso de poder após restringir visitas de Flávio Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).