A reta final das eleições 2026
A contagem regressiva para as eleições presidenciais consolida o que muitos analistas previam: um cenário de forças perfeitamente simétricas, em que a disputa se mostra extremamente acirrada. Diante das oscilações nas pesquisas de intenção de voto e dos índices de rejeição divulgados por institutos, esta reta final desenha um cenário em que a disputa se concentra fortemente na rejeição de ambos os lados, mostrando que esta não é uma eleição de propostas ou de esperança; é a consagração da campanha por exclusão.
Diante de um eleitorado altamente cristalizado, em que quase 97% dos cidadãos afirmam já ter convicção de sua escolha, a última semana de campanha tornou-se um espetáculo de pragmatismo político extremo, onde convicções históricas são sacrificadas no altar da conveniência eleitoral.
Um dos movimentos veio do Palácio do Planalto. Ao se declarar publicamente favorável à redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos, Lula (PT) fez um recuo que não é sutil; é um movimento cirúrgico para estancar a sangria de votos em uma classe média urbana sufocada pela violência, um terreno tradicionalmente dominado pelo bolsonarismo. Trata-se do ápice do “vale-tudo” eleitoral.
Do outro lado, a direita também provou que sabe jogar o jogo da sobrevivência. Flávio Bolsonaro (PL) provou que também sabe jogar o jogo da sobrevivência. Ao recuar de sua postura inicial e votar de forma remota a favor da extinção da escala 6×1, o senador evitou o que poderia ser o seu maior calcanhar de Aquiles na reta final. Diante de uma pauta de imenso apelo popular na classe trabalhadora, o bolsonarismo entendeu que manter o purismo liberal-econômico equivaleria a um suicídio eleitoral nas periferias.
O que se pode esperar desta última semana, portanto, é o ápice dessa guerra de narrativas e controle de danos. Sem margem para erros, os candidatos entram nos dias decisivos focados em duas frentes: os debates televisivos – que servirão mais como arenas de demolição mútua do que como vitrines de propostas; e a demonstração de força nas ruas.
No final das contas, o eleitor brasileiro está diante de um espelho partido. Quem vencer no próximo domingo não receberá um cheque em branco de aprovação popular, mas sim o comando de uma nação profundamente fraturada.
A última semana de campanha será intensa, barulhenta e, acima de tudo, pragmática. Vencerá aquele que for mais eficiente em esconder suas próprias fraquezas e em convencer o eleitor de que o adversário representa o pior dos mundos.

Parceria
Criciúma oficializou o início dos trabalhos para a construção da Cidade do Autista, complexo voltado ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), com investimento superior a R$ 18 milhões. O projeto conta com recursos de emenda parlamentar do deputado Júlio Garcia (PSD). Além da relevância social, a obra também simboliza uma parceria política. Júlio se empenhou na campanha vitoriosa à prefeitura de Vagner Espindola e Salésio Lima e recebeu o apoio da dupla este ano, quando conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados. A Cidade do Autista materializa, assim, uma aliança em que a articulação política também se converte em investimento para o município.

Impacto
A CNM (Confederação Nacional de Municípios) alerta para o impacto da Emenda Constitucional 140/2026, que estabelece regras previdenciárias diferenciadas para os agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, incluindo a possibilidade de aposentadoria com integralidade e paridade. Segundo a entidade, a medida pode gerar um custo anual de R$ 4,3 bilhões aos cofres municipais e alcançar R$ 70 bilhões nas próximas décadas.

Autonomia previdênciária
A CNM questiona a redução dos requisitos para acesso a esses benefícios, que permitem, respectivamente, aposentadoria com remuneração equivalente à da ativa e reajustes vinculados aos servidores em atividade. A entidade também aponta possíveis inconstitucionalidades, por entender que as novas regras interferem na autonomia previdenciária dos municípios e podem agravar os déficits dos regimes próprios de previdência.

Pioneirismo feminino
Caso aceite o convite do governador Jorginho Mello (PL) para comandar a Secretaria de Estado da Segurança Pública a partir de janeiro de 2027, no início do segundo mandato, a atual vice-governadora Marilisa Boehm se tornará a segunda mulher a ocupar o cargo em Santa Catarina. A primeira foi Lucia Maria Stefanovich, que entrou para a história como a primeira mulher a exercer as funções de delegada de polícia, delegada-geral da Polícia Civil e secretária de Segurança Pública no Brasil. Se a nomeação se confirmar, terão se passado 32 anos até que outra mulher volte a ocupar o posto mais alto da segurança pública catarinense. Mais de três décadas depois, o intervalo revela a dimensão da trajetória histórica da delegada Lucia, uma mulher que, definitivamente, estava à frente do seu tempo.

Voto de confiança
Para o prefeito Topázio Neto (PSD), a eleição de Fábio Botelho (Podemos), seu ex-chefe de gabinete, para a Assembleia Legislativa foi, antes de tudo, um voto de confiança na prefeitura. Segundo ele, pesquisa encomendada pela gestão mostra aprovação alta, e a estratégia foi deixar claro ao eleitor que Botelho era o seu candidato: quem aprova o prefeito, raciocinou, votaria em quem ele indicou. O próprio Topázio admite que era uma aposta de risco. Muito tempo um prefeito de Florianópolis não conseguia eleger um candidato ligado a ele. O resultado dá fôlego a Topázio, e nos bastidores já é lido como termômetro do capital político para a sucessão municipal de 2028.






