Brasil acompanha avanço da direita na América Latina
O resultado das urnas deixou uma mensagem que vai muito além da disputa presidencial: a direita avançou e o bolsonarismo mostrou que continua sendo uma força eleitoral de alcance nacional. O PL ampliou sua presença no Congresso, conquistou governos estaduais e, na corrida pelo Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula (PT). O sobrenome Bolsonaro, portanto, não apenas sobreviveu à ausência de Jair da disputa: permanece no centro do jogo político brasileiro.
O PL elegeu 121 deputados federais, a maior bancada do partido desde a redemocratização, e 19 das 54 cadeiras do Senado em disputa. Nos Estados, elegeu cinco governadores no primeiro turno. O bolsonarismo chega ao novo ciclo com estrutura institucional ampliada: governadores, senadores e deputados.
O caso brasileiro faz parte de uma tendência mais ampla na América Latina. O continente vem registrando o crescimento de lideranças de direita e de extrema direita, impulsionadas pela insatisfação com a economia, pela insegurança pública, pela rejeição às elites políticas tradicionais e pelo enfraquecimento de partidos de centro e de esquerda.
O caso brasileiro integra uma tendência latino-americana, impulsionada pela insatisfação com a economia, pela insegurança e pela rejeição às elites tradicionais. José Antonio Kast foi eleito no Chile em dezembro de 2025, consolidando uma guinada à direita que já incluía Bolívia e Equador. Com a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia, em junho, a América do Sul passou a ter seis governos de esquerda e seis de direita. Segundo o P. Morgan, as sete eleições presidenciais da região desde 2025 levaram ao poder governos de centro-direita.
A eleição brasileira ganhou importância regional justamente porque o país é a maior democracia e a maior economia da América Latina. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro seria interpretada como a mais importante conquista da direita latino-americana até agora, fortalecendo a leitura de que o continente atravessa uma mudança de ciclo político. A imprensa internacional relacionou o resultado brasileiro ao avanço de forças conservadoras e à influência política de Donald Trump na região.
A eleição de domingo, portanto, deixou duas mensagens simultâneas: a direita ampliou seu espaço institucional e o bolsonarismo demonstrou que continua capaz de organizar uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro em torno de seu projeto político. O segundo turno dirá até onde essa força pode chegar.

Êxtase
A votação histórica de 560.223 votos, a maior já registrada por um candidato a deputado federal em Santa Catarina, deixou Júlia Zanatta (PL) em êxtase. A parlamentar foi a mais votada do Estado, com 13,15% dos votos válidos, e garantiu a reeleição para a Câmara dos Deputados. Em conversa com a coluna, Júlia resumiu o sentimento: “Estou extasiada. Foi demais!” Ela disse que valeu “cada momento, cada briga” e também ser ela em todos os momentos da campanha, sem máscaras. No balanço da campanha, fez questão de destacar ainda a relação com os profissionais de imprensa: “Era e vou tratar os amigos da imprensa com amizade e respeito”.

Ressaca eleitoral
A Alesc retoma hoje as sessões plenárias e comissões. E o retorno terá um ingrediente que não estava no calendário oficial: a ressaca eleitoral. Será o primeiro reencontro, na atual plenária, entre quem saiu das urnas comemorando e quem ainda tenta digerir o resultado. Os vencedores voltarão com o peito estufado. Já os derrotados terão de encarar a rotina de trabalho ao lado de colegas que conseguiram sobreviver — e, em alguns casos, crescer nas urnas. O ambiente promete ser daqueles em que um abraço pode esconder uma derradeira ou um sorriso pode carregar uma eleição inteira. Depois de meses de campanha, discursos, alianças e ataques, a política volta para dentro da Alesc.

Prioridade no Senado
Na entrevista coletiva de ontem, os senadores eleitos por Santa Catarina, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do PL, reforçaram uma das prioridades para o novo mandato no Senado: a eleição do presidente da Casa, atualmente comandada por Davi Alcolumbre (União-AP). Carlos Bolsonaro afirmou que considera “primordial” a escolha de um nome alinhado ao projeto e relacionou o nome do Senado àquilo que chamou de “normalidade jurídica”. A declaração sinaliza que a sucessão na Presidência do Senado estará entre os primeiros movimentos políticos dos dois catarinenses eleitos. O objetivo declarado é eleger Rogério Marinho (RN) presidente do Senado em 2027. Ele coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Base fortalecida
Carlos Humberto saiu das urnas maior do que entrou na disputa. Com 55.486 votos, ficou com a sexta maior votação do PL em Santa Catarina e acrescentou mais de 9.000 votos ao desempenho de 2022. O resultado teve forte contribuição de Foz do Rio Itajaí. Entre Balneário Camboriú e Camboriú, redutos dos pesedistas Juliana Pavan e Leonel Pavan, respectivamente, o deputado concentrou cerca de 24 mil votos, consolidando uma base eleitoral de peso na região.

MDB
Questionado sobre a relação com os três emedebistas que apoiaram sua reeleição — Fernando Krelling, Jerry Comper e Valdir Cobalchini —, apesar de o MDB ter integrado a chapa adversária, Jorginho Mello (PL) deixou aberta a porta para a continuidade da parceria. O governador afirmou que os três “vão continuar sendo parceiros” e que quem esteve no projeto político será “valorizado e respeitado”. Os três declararam da orientação da direção estadual, que fechou aliança com João Rodrigues (PSD) e indicou o vice da chapa. Jorginho, porém, fez questão de afastar a ideia de distribuição antecipada de espaços no segundo mandato: “Eu não tenho compromisso com ninguém. Não lotei o governo com ninguém.”

Sabatina
Ao fazer um balanço da campanha, o governador reeleito também defendeu uma mudança no formato dos debates eleitorais, argumentando que o tempo é insuficiente para apresentar propostas e ações. Ele defendeu o uso das sabatinas como instrumento de comunicação: “Acho que essa sabatina funciona muito melhor”. Dos quatro debates para os quais estava agendado, Jorginho participou de dois.





