O último capítulo no rádio e na TV; Quem é o alvo; Homem da enxada; Recorde; entre outros destaques

O último capítulo no rádio e na TV

Com o encerramento da propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na TV, os três principais candidatos ao governo de Santa Catarina usaram o último programa ontem para fixar uma mensagem final.

Cada um escolheu um caminho distinto: apelo político-ideológico, agradecimento com pedido de voto e balanço de gestão.

O primeiro foi Gelson Merisio (PSB), que optou por falar de extremismo, violência contra a mulher, e prometeu “resistência”. Partiu da ideia de Santa Catarina como um “Estado de contrastes” para apontar o que chamou de extremismo político, que, segundo ele, destoa dos valores herdados de pais e avós. Defendeu mais diálogo e cooperação. Merisio fechou com a promessa de resistência caso o “extremismo” tente dominar o Estado e com a referência ao segundo turno. O candidato usou trechos de um discurso do presidente Lula (PT), feito em comício em Florianópolis, para fixar a estratégia de ser o candidato do petista em Santa Catarina.

Na sequência, João Rodrigues (PSD) apostou no agradecimento. Abriu o programa com um balanço da caminhada e deu espaço à esposa, Fabiana Rodrigues, que agradeceu às mulheres e às famílias. Em seguida, João fez um agradecimento aos partidos aliados, citando Antídio Lunelli e Carlos Chiodini, ambos do MDB, o PP, o União Brasil e o senador Esperidião Amin (PP), e definiu o grupo como “conservadores de direita”. Relembrou os quatro mandatos como prefeito de Chapecó. Pediu ao eleitor que olhasse para as 116 mil pessoas na fila de cirurgias eletivas e para os trabalhadores sem moradia, e encerrou dizendo que a campanha segue rumo ao segundo turno.

Já o governador e candidato à reeleição Jorginho Mello (PL) jogou, no último programa eleitoral, como quem lidera as pesquisas: sem citar adversários, sem ataque, só vitrine. A sequência de cidades e a frase de que conhece os 295 municípios funcionam como prova visual de presença. Escolas reformadas e hospitais foram apresentados como entregas concretas, o que é o maior trunfo de quem governa. Chamou atenção, ainda, que ele foi o único dos três a não mencionar o segundo turno. Pode ser confiança de favorito, ou apenas cuidado de quem não quer admitir a possibilidade. Encerrou pedindo voto de confiança, com a promessa de fazer “ainda mais”.

É provavelmente essa a melhor fotografia do encerramento da propaganda eleitoral em Santa Catarina: três candidatos, três leituras diferentes da mesma eleição e uma campanha que, depois de semanas de ataques, alianças, apoios nacionais, pesquisas e debates, chegou ao último minuto sem que nenhum deles abandonasse o personagem político que escolheu representar.

Agora, a televisão sai de cena. A decisão passa para o eleitor.

Recorde

Mesmo antes de a campanha terminar, Santa Catarina já supera 2022 em denúncias de propaganda irregular no aplicativo Pardal, do TSE. São 1.848 registros neste ano, contra 1.241 na eleição anterior: alta de cerca de 49%. O dado chama atenção porque o prazo ainda está aberto e o total pode crescer. A maior parte das reclamações, 1.041 (56%), trata de propaganda em vias públicas, índice acima da média nacional, de 43,78%.

Quem é o alvo

O aumento tem endereço certo: os candidatos a deputado estadual. As denúncias contra o cargo saltaram de 347 em 2022 para 936 neste ano, alta de 170%, e respondem por cerca de metade do total no Estado. As que envolvem deputado federal passaram de 298 para 553. Um detalhe: as denúncias vêm de 124 municípios, menos que os 148 de 2022. Ou seja, há mais reclamações concentradas em menos cidades. Florianópolis, com 354 denúncias, e Blumenau, com 201, lideravam entre os municípios.

Homem da enxada

O candidato ao Senado, Antídio Lunelli (MDB), encerrou sua participação no horário eleitoral mantendo o símbolo que marcou sua campanha: a enxada. Filho de agricultores de Corupá, o empresário e ex-prefeito de Jaraguá do Sul usou o instrumento para reforçar a promessa de “arrancar pela raiz” a corrupção e os privilégios. Com patrimônio declarado de R$ 613 milhões ao TSE, Lunelli é o candidato mais rico entre os que disputam o governo e o Senado em Santa Catarina. Na política, foi prefeito reeleito de Jaraguá do Sul e deputado estadual mais votado do MDB em 2022. Encerrou a campanha defendendo menos impostos, mudanças no Judiciário e o fim de privilégios no serviço público.

Pesquisa suspensa

O TRE-SC manteve a suspensão da pesquisa SC-09368/2026, da empresa Clenix Comunicação, por descumprimento de uma regra de registro. A ação foi movida pela coligação Santa Catarina Acima de Tudo, formada por PSD, MDB e a federação União Progressista (União e PP). O relator, Marcelo Volpato de Souza, entendeu que a empresa não complementou no sistema PesqEle, entre 24 e 25 de setembro, os municípios e bairros efetivamente pesquisados. Por isso, a pesquisa é considerada não registrada.

Sem multa

O instituto alegou que essas informações já estavam no sistema desde 18 de setembro, antes da coleta, e que os 13 municípios indicados foram os mesmos da pesquisa. O relator reconheceu isso, afirmou que não há indício de fraude ou manipulação, mas concluiu que um documento anterior à coleta não substitui a complementação posterior, que serve para conferir se o planejado foi executado. Não houve multa. Sem prova de que a pesquisa tenha sido divulgada, o relator afastou a sanção prevista na lei e a multa diária de R$ 5.000 fixada na liminar.

Lei Seca nas eleições

Quem vai votar em Santa Catarina domingo (4) não deve encontrar restrição estadual à venda de bebidas alcoólicas. O Estado está entre os 11 que não devem adotar proibição geral para o primeiro turno. Não existe Lei Seca nacional, e a regra depende de cada Estado ou município. Acre, Alagoas, Amapá, Maranhão, Pará e Piauí, por exemplo, têm restrições em todo o território. O cenário pode mudar, já que novas portarias ainda podem ser publicadas antes da votação. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) considera a Lei Seca “resquício da ditadura”. Para a entidade, o domingo de eleição costuma movimentar bares e restaurantes, principalmente no almoço e no fim da tarde, quando começa a divulgação dos resultados.