O desafio de conquistar o eleitor catarinense
A ideia parecia simples: transferir o domicílio eleitoral, desembarcar em Santa Catarina com o sobrenome Bolsonaro e transformar a força política do pai no Estado em uma cadeira no Senado. Só esqueceram de combinar com o catarinense.
Carlos Bolsonaro (PL) está filiado, registrado e é candidato por Santa Catarina. Mas, durante a campanha, evitou justamente os espaços em que teria de explicar ao eleitor catarinense por que pretende representá-lo em Brasília. Não participou dos principais debates, acumulou ausências em sabatinas e entrevistas e deixou cadeiras vazias onde deveria haver propostas.
Carlos fala muito pelas redes sociais, mas pouco se ouviu dele sobre o que pretende fazer por Santa Catarina. Quais são suas propostas para a infraestrutura do Estado? O que pensa sobre os nossos portos? Sobre as rodovias federais que cortam Santa Catarina?
Sobre as enchentes? Sobre o setor produtivo? Sobre a saúde dos pequenos municípios? Sobre o Oeste, a Serra, o Norte, o Sul?
O problema não é Carlos ter nascido no Rio de Janeiro. Santa Catarina sempre recebeu gente de fora e sabe reconhecer quem chega aqui para trabalhar e construir. O problema é alguém querer representar o Estado sem demonstrar disposição para conhecê-lo, debatê-lo e prestar contas ao seu eleitor.
Carlos passou praticamente toda a sua vida política na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Foram quase 25 anos como vereador. Sua experiência parlamentar foi construída tratando de assuntos municipais de uma cidade que enfrenta problemas muito diferentes dos nossos.
Mas também não há motivo para imaginar que o Rio de Janeiro tenha alguma lição política a dar a Santa Catarina. Talvez, olhando os indicadores e os problemas acumulados por lá, seja mais prudente fazer o caminho contrário: observar um pouco mais e ensinar um pouco menos.
O Senado não é prêmio de consolação, extensão de sobrenome nem abrigo político. São oito anos representando Santa Catarina.
E quem quer representar Santa Catarina precisa, no mínimo, ter disposição para sentar diante dos catarinenses e dizer o que pretende fazer por eles. Até agora, Carlos preferiu a cadeira vazia.

Pelas bandas de Minas
O catarinense João Paulo Borges, o JP do Whats, trocou Florianópolis por Belo Horizonte e está há um mês mergulhado na campanha de reeleição do governador mineiro Mateus Simões (PSD).
A missão é transformar o WhatsApp em ferramenta de mobilização eleitoral. JP já treinou grupos de apoiadores e trabalha para espalhar a operação digital pelo Estado, descentralizando a produção e, principalmente, a distribuição do conteúdo da campanha.
É um trabalho de bastidor que coloca um profissional de Santa Catarina no centro da estratégia digital de uma disputa estadual em Minas.

De volta à disputa
A corrida pelas 40 cadeiras da Alesc terá uma turma de conhecidos tentando voltar ao plenário. Levantamento da Agência Alesc aponta que, dos 404 candidatos deste ano, 13 são ex-deputados estaduais que buscam retornar ao Parlamento.
Há ainda 10 ex-suplentes que chegaram a exercer mandato e outros cinco suplentes da atual legislatura que já ocuparam cadeira e agora disputam uma vaga efetiva nas urnas.

Batalha judicial
Os últimos dias de campanha em Santa Catarina ganharam um novo palco: a Justiça Eleitoral. Jorginho Mello (PL) e João Rodrigues (PSD) passaram a travar uma disputa também nos tribunais, com pedidos de retirada de propagandas e decisões que, até aqui, atingiram peças dos dois lados.
Ontem, o TRE-SC autorizou a veiculação de um comercial da campanha de João que aborda o patrimônio de Filipe Mello, filho do governador. No domingo (27), a Justiça havia mantido no ar uma propaganda de Jorginho que relembra a prisão de João Rodrigues em 2018. As duas decisões foram do desembargador Jaime Machado Júnior.

Patrimônio na propaganda
A Justiça Eleitoral considerou legítima a propaganda de João Rodrigues que aborda o patrimônio de Filipe Mello. O desembargador Jaime Machado Júnior entendeu que a informação central do comercial é documentalmente comprovada e revogou a suspensão anteriormente determinada.
A decisão cita a compra, em abril deste ano, de um apartamento no Edifício La Perle Beira-Mar, em Florianópolis, por R$ 11,25 milhões, pela FFM Participações, empresa de Filipe e da esposa.

Prisão de João
Por outro lado, o TRE-SC manteve no ar a propaganda de Jorginho Mello que relembra a prisão de João Rodrigues em 2018. O desembargador Jaime Machado Júnior entendeu que a prescrição reconhecida posteriormente não torna falso o fato histórico da prisão.
João havia sido condenado pelo TRF4 a cinco anos e três meses por dispensa irregular e fraude à licitação. Meses depois, o STJ suspendeu os efeitos da condenação e, em 2020, reconheceu a prescrição e declarou extinta a punibilidade.

Evangélicos
A coautoria de Carlos Bolsonaro (PL) em uma lei de 2010 que inclui o Dia de Iemanjá no calendário oficial do Rio de Janeiro passou a circular em grupos de WhatsApp de evangélicos em Santa Catarina.
Nos grupos, eleitores questionam políticos que buscam o apoio cristão durante as eleições, mas que, durante o mandato, apoiam iniciativas que consideram distantes das pautas defendidas pelo segmento.
A repercussão ocorre na reta final da eleição e passou a gerar cobranças sobre o histórico legislativo de Carlos Bolsonaro.

Peça movida
O prefeito de São João do Oeste, Sérgio Luís Theisen (PSD), declarou apoio à reeleição de Jorginho Mello durante encontro em São Miguel do Oeste. O ato reuniu 25 prefeitos, incluindo Moacir Piovezani (MDB), de Anchieta, e Marino José Frey (PP), de Tunápolis.

Pedra na janela
É preocupante a denúncia de que a casa da mãe do candidato ao Senado, Décio Lima (PT), em Itajaí, foi atingida por uma pedra na noite de domingo (27). Segundo a família, um carro parou em frente à residência, uma pessoa abriu a porta e arremessou o objeto contra a janela.
A mãe, de 88 anos, e o irmão, de 67, moram na casa. As imagens das câmeras serão analisadas e um boletim de ocorrência será registrado.
“A violência não pode fazer parte da política. A apuração precisa ser rigorosa e, se houver responsáveis, eles devem responder pelo que fizeram. Democracia pressupõe divergência, não intimidação”, afirmou Décio.




