Os números e os recados da eleição; Inimigo no público; De saída; Recuo; Conta; entre outros destaques

Os números e os recados da eleição

A pesquisa AtlasIntel encomendada pelo Grupo ND traz três movimentos importantes na fotografia eleitoral de Santa Catarina: Jorginho Mello (PL) consolida uma vantagem confortável na disputa pelo governo, Gelson Merisio (PSB) encosta em João Rodrigues (PSD) na briga pelo segundo lugar ao governo, e Caroline de Toni (PL) e Esperidião Amin (PP) ocupam as duas primeiras posições para o Senado.

Jorginho aparece com 51,6% das intenções de voto, mais de 30 pontos à frente do segundo colocado. João Rodrigues registra 18,5%, enquanto Gelson Merisio chega a 17,6%. A diferença entre os dois é de apenas 0,9 ponto percentual, configurando empate técnico.

Considerando apenas os votos válidos, Jorginho sobe para 55,5%, resultado que, se confirmado nas urnas, garantiria a reeleição no primeiro turno. João chega a 20% e Merisio a 18,9%.

A novidade política está justamente na disputa abaixo de Jorginho. Merisio, que entrou na corrida tentando reconstruir um espaço eleitoral já conhecido pelos catarinenses, aparece agora praticamente empatado com João Rodrigues. A polarização que durante boa parte da pré-campanha parecia desenhada entre o governador licenciado e o ex-prefeito de Chapecó ganha um terceiro personagem competitivo.

A fotografia para o Senado é bem diferente. No consolidado das duas escolhas, Caroline lidera com 28,4%, seguida por Amin, com 20,2%. Carlos Bolsonaro (PL) aparece em terceiro, com 14,9%, e Décio Lima (PT) tem 11,9%. A divisão dos votos revela estratégias eleitorais diferentes.

Caroline domina a primeira escolha, com 34,3%. Já Amin é o nome mais citado quando o eleitor aponta seu segundo voto, com 24,5%, à frente de Caroline, com 22,4%, e Carlos, com 16,4%. Décio e Afrânio Boppré (Psol) também aparecem com força em determinados recortes.

Com duas vagas em disputa, a eleição não será decidida apenas por quem consegue ser a primeira preferência, mas também por quem consegue entrar na combinação escolhida pelo eleitor. Isso indica uma eleição para o Senado muito mais aberta e sujeita à movimentação dos candidatos, alianças e transferência de votos.

No governo, há um favorito claro. No Senado, a disputa está muito mais embaralhada. A fotografia da AtlasIntel, portanto, deixa Jorginho em posição confortável para o governo e Caroline e Amin, neste momento, ocupando as duas cadeiras que Santa Catarina colocará em disputa no Senado. A movimentação mais interessante ocorre na perseguição: Merisio encosta em João Rodrigues, enquanto Carlos Bolsonaro ainda tenta alcançar os dois primeiros na corrida ao Senado.

Inimigo no público

João Rodrigues (PSD) deixou uma indireta calculada para Jorginho Mello (PL) durante a sabatina no SC no Ar, da NDTV Record. Ao defender a retomada da relação institucional com Brasília, o candidato do PSD criticou o que chamou de afastamento do atual governo estadual em relação ao governo federal e, na sequência, sugeriu que a história política de Jorginho pode ser diferente do discurso atual: “Inimigo no público e amigo no particular. Sobre esse assunto a gente fala no futuro.”

A frase foi suficiente para levantar a sobrancelha. João não citou o governador nem detalhou a que episódio se referia, mas a alfinetada parece mirar justamente uma suposta proximidade passada de Jorginho com governos petistas, em contraste com a postura de oposição adotada atualmente.

Descontentamento

O vereador Roberto Katumi não esconde a insatisfação com os rumos do PSD em Florianópolis. O incômodo passa pela formação do diretório. Segundo ele, apesar de ter sido o vereador mais votado do partido em três eleições, acabou preterido enquanto o vereador Rafinha foi incluído na composição e ainda teria levado quatro nomes ligados a ele para o grupo. Katumi diz se sentir excluído e considera a situação uma falta de respeito com sua trajetória e liderança dentro do partido.

De saída

Katumi admite a possibilidade de deixar o PSD. “Eu tenho que sair do partido, não adianta. É uma falta de respeito com a liderança do partido. Partido não se faz assim”, afirmou. O vereador também reclama de ser questionado por não apoiar os candidatos a deputado federal e estadual da legenda. Diz que sempre foi parceiro e leal e que o que mais o incomoda é não ter sua história reconhecida.

Recuo

A coligação “Santa Catarina Acima de Tudo”, composta por PSD, MDB e Federação União Progressista, chegou a entrar com uma ação na Justiça Eleitoral contra a deputada federal Júlia Zanatta (PL), mas, após a má repercussão, a coligação recuou.

Júlia é conhecida pelos confrontos públicos, mas nunca havia protagonizado embates com o PSD. Nos bastidores, o movimento do jurídico do partido foi considerado uma “trapalhada” por integrantes da própria sigla. “Eles estão loucos de comprar briga com a Júlia às vésperas da eleição”, resumiu uma liderança do PSD.

Conta

A Fecomércio SC reagiu à sanção da medida que extingue a cobrança do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Em nota, a entidade manifestou “preocupação e contrariedade” com a decisão e voltou a defender isonomia tributária entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras.

Recado

Para a Fecomércio SC, o fim da cobrança amplia a vantagem competitiva de grandes plataformas internacionais sobre o varejo nacional, especialmente micro e pequenos negócios. A entidade também alerta para possíveis efeitos sobre investimentos e empregos e deixa um recado para 2027: qualquer que seja o próximo governo, a redução da carga tributária terá de entrar na agenda para recuperar a competitividade do comércio brasileiro.