A crise do STF e o governo Lula
O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por decisão do ministro do STF, André Mendonça, coloca o governo Lula em uma encruzilhada perigosa às vésperas das eleições. O que começou como um embate institucional no STF virou problema político de primeira ordem para o Planalto.
Até pouco tempo, Lula tentava manter distância, defendendo investigações transparentes sem tomar partido. A estratégia refletia um cálculo: o presidente já vinha sendo fustigado pela associação com Alexandre de Moraes – o ministro que mandou Bolsonaro para a cadeia; e qualquer defesa explícita soaria como blindagem. Mendonça mudou o jogo. Ao trazer a AGU (Advocacia-Geral da União) para o centro do conflito, obrigou Lula a tomar um lado mais óbvio. Petistas divergem sobre como reagir, e a hesitação já é um custo político.
O problema de fundo é a associação tática de Lula com Moraes. O governo cultivou uma relação de conveniência com o ministro do inquérito das fake news, peça-chave na condenação de Bolsonaro. Essa aliança funcionou enquanto Moraes era visto como garantidor da estabilidade. Agora, com mensagens entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a narrativa desmorona.
A crise do STF agrava o cenário: desvia o foco da campanha, alimenta a narrativa de blindagem de aliados e reforça a ideia de empate técnico. Enquanto o governo hesita, a oposição avança. Flávio Bolsonaro (PL) e outros candidatos da direita transformaram a crise em trunfo para mobilizar eleitores descontentes com o STF. Quanto mais a crise domina a campanha, mais o eleitor moderado se afasta do governo. Em um pleito apertado, o centro é o fiel da balança.
Petistas dividem-se internamente: há quem veja na atuação de Mendonça um “viés político” prejudicial; e há quem tema que qualquer reação soe como tentativa de blindar Moraes.
O caminho é estreito, mas necessário. Ignorar a crise ou tratá-la como ruído eleitoral é um erro que as urnas podem cobrar – não em votos perdidos no primeiro turno, mas em instabilidade no segundo.
O afastamento do diretor da PF não é o fim da crise; é o sintoma de que o sistema inteiro está sob tensão. E, em ano eleitoral, tensões institucionais não ficam contidas nos gabinetes: elas vazam para as ruas, para as redes, para os palanques. E, em tempos de polarização, fragilidade institucional é o terreno onde germinam as piores soluções.

Enxada de Lunelli
Vídeo publicado por Antídio Lunelli (MDB) nas redes sociais, usando uma enxada para fazer uma crítica bem-humorada ao STF, viralizou e já se aproxima de 2 milhões de visualizações. Produzido com Inteligência Artificial, o vídeo coloca o trabalhador do campo como contraponto aos ministros da Corte e reforça uma das principais bandeiras de Lunelli, a defesa de quem trabalha, empreende e produz em Santa Catarina. A repercussão chamou atenção pela velocidade com que o conteúdo se espalhou e transformou a peça em um dos vídeos de maior alcance da campanha do candidato ao Senado.

Ralf cola em Cury
Ralf Zimmer (PRD) deixou claro, durante a sabatina da NDTV Record, qual presidenciável pretende ter ao seu lado na campanha catarinense. Declarou voto em Augusto Cury (Avante), a quem chamou de “pessoa limpa” e alternativa à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A aproximação não começou agora: Ralf e Cury estiveram juntos na Expointer, no Rio Grande do Sul, semana passada.

Com Jorginho
O movimento ocorre justamente quando Augusto Cury ganha projeção nacional e aparece em terceiro lugar nas pesquisas. Para Ralf Zimmer, que não tem um candidato presidencial de sua coligação para dividir o palanque, a estratégia é aproximar sua candidatura da novidade que Cury tenta representar na corrida pelo Planalto. Há, porém, uma peculiaridade: em Santa Catarina, o Avante integra a coligação de Jorginho Mello (PL), adversário de Ralf na disputa pelo governo.

Aposta de João
O candidato ao governo João Rodrigues (PSD) destinou R$ 120 mil diretamente à campanha do vereador de Florianópolis Ricardo Pastrana (PSD), que disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. O valor chama atenção por partir de outro candidato, e não dos fundos partidários. João também gravou vídeo de apoio a Pastrana e publicou o conteúdo nas próprias redes.

Apoio de mão única
Se João Rodrigues colocou dinheiro e imagem na campanha de Ricardo Pastrana, o vereador parece ter sido mais econômico na recíproca. O vídeo ao lado do candidato ao governo não apareceu nas redes de Pastrana. Pode ser apenas uma escolha de estratégia eleitoral, claro. Mas, quando se recebe R$ 120 mil e ainda se ganha um cabo eleitoral com o peso de João Rodrigues, talvez não custasse tanto devolver a gentileza com uma postagem.

Barreiras mantidas
Durou pouco a decisão que determinava o fim dos parlatórios e das barreiras de acrílico nas visitas aos presídios de Santa Catarina. O TJSC anulou a sentença que obrigava o Estado a garantir contato físico entre presos e familiares em todas as unidades. A decisão não entrou no mérito da questão. O motivo foi processual: o Ministério Público não foi ouvido após as alegações finais. Com a anulação, o processo retorna à primeira instância, onde o MP deverá se manifestar antes de uma nova sentença. Até lá, as barreiras seguem de pé.

Salário de R$ 1 milhão
O candidato à Presidência da República Wilson Grassi, do Democrata, tem uma proposta, no mínimo, inusitada: pagar R$ 1 milhão por mês a cada deputado federal e senador e, em troca, acabar com as emendas parlamentares. Pelas contas apresentadas por ele, a medida reduziria em cerca de R$ 54 bilhões por ano os gastos públicos. A ideia inclui ainda reduzir o teto dos salários dos deputados estaduais para R$ 300 mil mensais. Grassi diz que a remuneração milionária substituiria também despesas de gabinete, moradia, transporte e outras estruturas. É uma proposta que certamente não passa despercebida – especialmente no capítulo do salário.





