Santa Catarina embarcou 85.710 toneladas de produtos de origem animal para países da União Europeia entre janeiro e junho de 2026. As exportações movimentaram US$ 282,66 milhões no período, segundo informações da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.
Os números foram registrados antes da entrada em vigor da suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros pelo bloco europeu, iniciada nesta quinta-feira (3). A medida afeta itens como carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos.
Frango lidera as exportações catarinenses
Entre os produtos enviados por Santa Catarina ao mercado europeu, a carne de frango ocupa a principal posição. No primeiro semestre, o volume exportado ao bloco cresceu 47,11% em comparação com os seis primeiros meses de 2025.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Admir Dalla Cort, o desempenho indica a relevância dos produtos catarinenses no mercado europeu. Segundo ele, o movimento também demonstra que empresas reforçaram os estoques diante das incertezas provocadas pela nova medida.
Além das vendas para a União Europeia, Santa Catarina apresentou crescimento nas exportações gerais de carnes. De janeiro a julho de 2026, o estado comercializou 1,24 milhão de toneladas, alcançando US$ 2,84 bilhões em receitas.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume avançou 9,11%, enquanto o faturamento teve crescimento de 12,9%.
Suspensão está ligada a regras sobre antimicrobianos
A restrição europeia foi anunciada em maio, depois que o Brasil deixou de integrar a relação de países considerados aptos a cumprir as exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
Os medicamentos são utilizados no tratamento de doenças e infecções nos animais. Entretanto, as regras europeias estabelecem restrições ao uso dessas substâncias como promotores de crescimento e também impedem a utilização em animais de determinados antimicrobianos destinados exclusivamente à medicina humana.
Negociações podem mudar cenário
Apesar da suspensão, a medida não necessariamente será permanente. A continuidade do embargo dependerá das tratativas entre o governo brasileiro e as autoridades europeias.
Uma auditoria realizada nesta semana por representantes da União Europeia no Brasil acompanha as cadeias produtivas de frango e mel. A avaliação deve ser encerrada nesta sexta-feira (4).
Após a conclusão da auditoria, os dados ainda passarão por análise das autoridades europeias. A expectativa é de que o processo leve aproximadamente dois meses, período em que as negociações poderão definir os próximos passos para a retomada das exportações.





