Vorcaro presta depoimento à PF por mais de quatro horas em investigação sobre o Banco Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (28), em uma audiência que se estendeu por aproximadamente quatro horas e meia. A oitiva ocorreu por videoconferência e foi realizada enquanto ele permanece preso na Papudinha, unidade vinculada ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

A audiência teve início às 10h30 e terminou por volta das 14h20. O depoimento havia sido remarcado depois de uma tentativa realizada na quinta-feira (27) ser interrompida em razão de dificuldades técnicas relacionadas à conexão de internet.

A oitiva integra uma investigação da Polícia Federal que apura a possível atuação irregular de dois ex-servidores do Banco Central. Os investigadores suspeitam que os funcionários possam ter beneficiado o Banco Master em troca de vantagens financeiras.

Entre os pontos analisados pela PF está a possibilidade de Vorcaro ter recebido informações restritas do Banco Central por meio dos ex-servidores, que são investigados por supostamente repassar dados de interesse do banqueiro. Durante o interrogatório, porém, Vorcaro negou ter recebido informações privilegiadas da instituição.

Segundo a defesa, o depoimento representou a primeira oportunidade efetiva para que o ex-banqueiro apresentasse sua versão sobre os fatos investigados desde a prisão preventiva. Os advogados afirmaram que ele respondeu aos questionamentos de maneira objetiva e detalhada.

A defesa também negou a existência de corrupção envolvendo os servidores citados no inquérito e declarou que Vorcaro estaria disposto a fornecer outros esclarecimentos, desde que tenha garantida a possibilidade de colaborar adequadamente com as investigações.

Este foi o primeiro interrogatório de Vorcaro desde que sua prisão preventiva foi determinada, em março. O depoimento também ocorreu após a rejeição de duas propostas de acordo de delação premiada apresentadas pelo ex-banqueiro, que não foram aceitas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.