O silêncio depois da nova pesquisa
Fez sentido o que a coluna alertou ontem: as campanhas de Caroline de Toni (PL) e João Rodrigues (PSD) aguardavam com expectativa a pesquisa Neokemp. O levantamento apresentou cenários mais favoráveis aos dois do que os registrados pela Quaest.
Mas um detalhe chamou atenção. Nem Caroline, que aparece em primeiro lugar na disputa ao Senado, nem Carlos Bolsonaro (PL), segundo colocado, divulgaram o levantamento em suas redes. No cenário ao governo, o comportamento foi semelhante: nem Jorginho Mello (PL), que lidera, nem João Rodrigues (PSD), segundo e em situação mais favorável do que na Quaest, repercutiram os números.
O silêncio contrasta com a Quaest, divulgada pelo próprio Jorginho e também pelo senador Esperidião Amin (PP), líder naquele levantamento para o Senado.
Há ainda outro ingrediente: o próprio PL entrou com ação para tentar impedir a divulgação da pesquisa Neokemp. A combinação entre números favoráveis, ausência de comemoração dos beneficiados e questionamento judicial do partido deixa sinais, no mínimo, curiosos em torno do levantamento.
A diferença entre os dois levantamentos é especialmente relevante na disputa pelo Senado. Na Quaest, Amin apareceu na liderança, com 31,1%, seguido por Carlos, com 28,4%. Caroline ficou mais atrás, com 16,2%, enquanto Décio Lima (PT) registrou 13,5%. Já a Neokemp colocou Caroline na primeira posição e apresentou um cenário mais favorável à candidata do PL.
Foi justamente o resultado da Quaest que acentuou o sinal amarelo na campanha de Caroline. Até então, a estratégia era de uma candidatura completamente colada à de Carlos, numa espécie de dobradinha do PL para as duas vagas ao Senado.
Nos últimos dias, porém, começaram a aparecer sinais de mudança. A campanha de Caroline passou a buscar uma identidade mais própria e uma maior independência em relação a Carlos. O movimento também encontra eco entre seus apoiadores. Parte deles cobra que a deputada federal tenha uma candidatura mais independente, enquanto outro grupo defende inclusive uma aproximação com Amin.
A disputa pelas duas vagas começa, assim, a produzir movimentos que vão além dos números das pesquisas. E a estratégia de Caroline, especialmente sua relação com Carlos e Amin, passa a ser um dos pontos a observar nas próximas semanas.

Empate no topo
A disputa pelo Senado é bem mais apertada. No primeiro voto, Caroline De Toni (PL) aparece à frente, com 25,5%, seguida por Carlos Bolsonaro (PL), com 24,2%. A diferença de 1,3 ponto está muito abaixo da margem de erro de 3,1 pontos da pesquisa, o que coloca os dois em situação de empate. Esperidião Amin (PP) tem 16% e Décio Lima (PT), 14,6%. O segundo voto altera parcialmente a fotografia: Amin lidera com 22,8%, seguido de Caroline, com 22,4%, e Carlos, com 16,1%. Na soma das duas escolhas feitas pelos entrevistados, Caroline chega a 47,9% de citações, Carlos a 40,3% e Amin a 38,8%. Há, porém, um dado que pesa na leitura: Carlos tem 34% de rejeição, e Décio, 38,2%, enquanto Caroline registra 2,6% e Amin, 2%.

Liderança mantida
A nova rodada da Neokemp/OCP News mantém Jorginho Mello (PL) em uma posição confortável na corrida pelo governo: 51,6%, contra 22,4% de João Rodrigues (PSD) e 12,3% de Gelson Merisio (PSB). Mais do que a fotografia, chama atenção o movimento da série: Jorginho recuou de 54,2% em maio para 51,6%, enquanto João subiu de 18,3% para 22,4% e Merisio avançou de 7,8% para 12,3%. Ainda assim, o governador tem uma distância confortável para o segundo colocado. Ao mesmo tempo, Merisio aparece com a maior rejeição, 35,5%, seguido por Jorginho, com 27,9%.

Taxa das blusinhas
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) entrou na briga contra o fim da “taxa das blusinhas”. Segundo a entidade, acabar com o imposto de 20% sobre as comprinhas internacionais de até US$ 50 pode derrubar 109 mil empregos e tirar R$ 21,8 bilhões da produção nacional só este ano. Enquanto isso, do outro lado do tabuleiro, o presidente Lula fechou acordo com Hugo Motta e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, para criar uma comissão mista que discutirá a medida provisória que extingue a taxa. Ou seja: a queda de braço em Brasília está só começando.

Erro de impressão
Carlos Bolsonaro pode até disputar uma vaga pelo Senado em Santa Catarina, mas sua campanha resolveu olhar para o Rio de Janeiro na hora de imprimir o material eleitoral. A Exact Embalagens e Rótulos, responsável pelos impressos, fica em Saquarema, na Região dos Lagos. Um dos adesivos, que traz a dobradinha com Caroline de Toni (PL), terá tiragem de 2 milhões de unidades. Outro chega a 200 mil cópias. Não caiu bem. Justamente quando o candidato é cobrado por adversários pela falta de vínculos com Santa Catarina, recorrer a uma gráfica fluminense reforça a impressão de distância do Estado. Politicamente, errou feio no simbolismo.

Recado ao empresariado
A escolha da gráfica também produz um efeito que vai além da campanha. Em um Estado com o setor empresarial forte e uma indústria gráfica que movimenta negócios e empregos, contratar fora não é exatamente o melhor cartão de visitas para quem busca um mandato de representação em Santa Catarina.
Carlos já enfrenta questionamentos sobre suas conexões com o Estado. Somam-se agora a foto no Rio e a declaração de que está no “melhor lugar do mundo”. A campanha é para o Senado de Santa Catarina. O mínimo que se esperava era que, na hora de escolher quem faria o material, o candidato também olhasse para quem produz e empreende por aqui.






